O nome do programa é PUC-Rio Mais de 50 e, à primeira vista, pode parecer apenas um projeto voltado à inserção de pessoas com mais de 50 anos de idade nas salas de aula da universidade. Mas não. É um laboratório, uma espécie de incubadora de ideias para esse público-alvo, em que o objetivo é pensar em soluções para seniores. E que desembocou até em um programa de iniciação científica sênior.

O projeto nasceu no Laboratório de Design, Memória e Emoção (LabMemo), por meio de uma pesquisa sobre as demandas das pessoas mais velhas. Com base nela, foram criados seis eixos temáticos: atualidades e conhecimentos gerais; arte, cultura e entretenimento; bem-estar e espiritualidade; cotidiano digital; empreendedorismo e educação financeira.

Mas existia uma questão-chave, que ajudou a equipe a orientar o programa. O levantamento mostrou que um dos maiores problemas vividos por essa geração era a infantilização. “Eles diziam: ‘Estou mais frágil no andar, mas não intelectualmente’”, conta a coordenadora do laboratório e do programa PUC-Rio Mais de 50, Vera Damazio.

Por isso, quando começou, há quatro anos, o projeto contou com aulas que oferecessem ferramentas para essa população. Desde as que ajudassem com respostas para questões como a finitude e as sobre atualidades (como conflitos no Oriente Médio) até workshops de empreendedorismo. Socialização também faz parte da “grade curricular”, mas de forma divertida, como em um curso sobre os Beatles.

Os jovens convivem com os seniores nas salas de aula, mas não se trata de “assistencialismo”, como define Vera. “Não é questão humanista, e sim profissional. As novas gerações conviverão com cada vez mais pessoas de mais de 50 anos e precisam sair da faculdade sabendo trabalhar com e para elas”, sinaliza a coordenadora.

Essa foi uma primeira fase do programa. Até que ficou claro para a equipe que os cursos, sozinhos, não seriam a solução. Se o intuito é inserir as pessoas com mais de 50 anos na universidade, por que não alocá-las também na pesquisa?


O Instituto de Longevidade oferece cursos de requalificação gratuitos para quem deseja se manter atualizado para o mercado de trabalho. Clique aqui e saiba mais.


Nesse balão de ensaio surgiu o PICT Sênior (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica Sênior), que visa integrar a geração com mais de 50 anos à vida acadêmica de forma inovadora e produtiva. A primeira turma teve início no segundo semestre do ano passado, e os seis selecionados passaram por uma peneira com 560 candidatos.

Por se tratar de algo novo, Fernanda Pina, idealizadora do PICT Sênior, foi de departamento em departamento atrás de professores interessados em ter uma pessoa madura, sem conhecimento em pesquisa, mas com bagagem profissional, em seus grupos de iniciação científica. Recebeu aval de docentes de áreas tão distintas quanto psicologia e química.

Tudo, no entanto, tem relação com o envelhecimento. Na área de artes e design, a proposta era a de fazer levantamento e avaliação de produtos e serviços para longevidade com qualidade. Na química, a pesquisa estava ligada ao desenvolvimento de potenciais fármacos para o tratamento do Alzheimer. 

Novo escopo

No começo, a proposta era apenas a de revisão bibliográfica. Mas, no experimento da PUC-Rio Mais de 50, descobriu-se que os selecionados iam muito além, mesmo sem experiência em pesquisa. “Foi acima das expectativas. Não se trata de idade, mas de interesse”, afirma Fernanda. Alguns professores, dado o novo cenário, mudaram o escopo dos projetos.

As condições foram as mesmas de um aluno de graduação: bolsa de pesquisa de R$ 400, orientação do docente e prestação de contas. Mas, para a segunda fase do projeto (ainda piloto), iniciado neste ano, alguns ajustes foram feitos, como formalização do vínculo, para que tenham valor diferenciado no bandejão e possam retirar livros na biblioteca.

 “Os professores ganham um aluno de alta qualidade, comprometido”

A terceira edição está em fase de elaboração. Fernanda diz que a meta é ter ao menos 10% dos alunos de iniciação científica com mais de 50 anos de idade, o que abriria espaço para 30 bolsistas. Para isso, a equipe desenha um projeto em que empresas são convidadas a patrocinar os estudantes.

“Os professores ganham um aluno de alta qualidade, comprometido, que sabe escrever bem e se manifestar bem. [O bolsista com mais de 50 anos] faz diferença no grupo de pesquisa”, destaca a idealizadora do PICT Sênior.

A empresa, complementa ela, recebe um projeto direcionado, com qualidade acadêmica, em sua área de atuação. Fernanda diz que a Vice-Reitoria de Desenvolvimento está auxiliando na captação.

A seleção – uma triagem composta de três fases, com dois formulários e uma entrevista – será realizada pela equipe da universidade. O período e a forma de inscrição serão divulgados pela rede social do programa PUC-Rio Mais de 50 e por meio da assessoria de imprensa da instituição de ensino.

Leia também

Projeto amplia a oferta de vagas para idosos em empresas

Especialista ensina como deixar relevante seu perfil no LinkedIn


Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu email. Inscreva-se: