Envelhecimento oferece oportunidades de trabalho e negócios

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Por David Rothkopf

Às vezes, a inércia política pode ser nossa amiga. Por décadas, tem sido quase impossível, nos EUA, ter uma conversa racional sobre finanças nos cuidados em saúde na aposentadoria – o tema era tanto muito grande como muito sensível para partidos políticos polarizados discutirem construtivamente. O problema cresceu à medida que os americanos envelheciam e os déficits de financiamento inflavam.

Então, algo memorável aconteceu: progresso. Graças a avanços na medicina, melhora nos cuidados em saúde e novas tecnologias, tornou-se claro que os americanos idosos, bem como as populações mais velhas de qualquer lugar, estão agora à beira de se tornar uma das novas forças econômicas mais poderosas do planeta. Em vez de se aposentar, os trabalhadores mais velhos estão posicionados para trazer sua experiência inigualável ao mercado global de maneiras que antes eram impossíveis.

As novas tecnologias e a mudança da economia industrial para a de serviço significam que, em vez de se aposentar, os trabalhadores mais velhos podem agora continuar a agregar valor por mais muitos anos, contribuindo para o crescimento econômico de formas inesperadas pelos economistas – crescimento que, de fato, poderia ajudar a pagar as necessidades de outros na assistência médica durante a aposentadoria.

Na verdade, não é inconcebível que os trabalhadores mais velhos possam ser a resposta final ao "problema de aposentadoria" dos Estados Unidos.

“Embora cidadãos nessa faixa etária possam ter sido vistos como um fardo na economia no passado, hoje é razoável vê-los como uma nova potencial força de trabalho”

Em 2000, havia 35 milhões de americanos com mais de 65 anos de idade. Hoje, há 50 milhões. Em 2030, estima-se que haverá mais de 70 milhões. Embora cidadãos nessa faixa etária possam ter sido vistos como um fardo na economia no passado, hoje é razoável vê-los como uma nova potencial força de trabalho de dezenas de milhares de pessoas – um recurso natural que permite capturar e aproveitar a experiência acumulada que, no passado, simplesmente desaparecia com a aposentadoria.

Além disso, por meio do teletrabalho, mesmo aqueles para quem a mobilidade é um problema poderão contribuir de forma significativa. Novos programas que abrangem os trabalhadores mais velhos como capacitadores podem abrir novas oportunidades de trabalho e agregar valor às empresas.

Os trabalhadores mais velhos que buscam oportunidades de negócio também são um contribuinte provável para a economia: apenas em 2014, 35% das novas empresas foram iniciadas por pessoas com mais de 50 anos.

Naturalmente, americanos mais velhos que continuam a trabalhar não apenas geram crescimento econômico como também fornecem uma base tributária crescente que pode ajudar a compensar os custos dos cuidados de saúde da aposentadoria. Também sabemos que trabalhar mais tempo auxilia na saúde física, mental e cognitiva. E, claro, eles consumirão mais. O resultado é um ganha-ganha.

Tal ajuste exige que as classes políticas que evitam abordar essas questões, mesmo quando elas pareciam ameaças, estejam abertas a discutir como o crescimento do quadro de trabalhadores experientes representa uma nova oportunidade.

Significa repensar nossos pontos de vista sobre questões como a idade da aposentadoria e distribuição de benefícios sociais, para que um sistema adaptado à nova realidade seja mais equitativo e mais fiscalmente responsável.

“A aprendizagem ao longo da vida é a melhor maneira de assegurar que todas as gerações – não apenas as jovens – tenham ferramentas para competir e contribuir para a sociedade”

Além disso, à medida que as carreiras são mais longas em relação ao que era comum no final do século XIX – talvez de 25 a 30 anos para algo que pode ser o dobro disso –, teremos que considerar a necessidade de repensar a educação. A aprendizagem ao longo da vida é a melhor maneira de assegurar que todas as gerações – não apenas as jovens – tenham ferramentas para competir e contribuir para a sociedade.

Tensões também podem ser parte da inércia. Trabalhadores mais jovens podem sentir que estão sendo eliminados de oportunidades porque os que poderiam ter deixado a força de trabalho não fizeram isso.

Eles também podem se ressentir da ideia de etarismo reverso, em que a falta de experiência é vista como um fardo ainda maior (especialmente porque alguns trabalhadores mais velhos oferecem mão de obra menos onerosa às empresas, uma vez que atuam em meio período ou têm expectativas e necessidades diferentes).

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No passado, discutir uma questão simples, de senso comum, como “nossa idade de aposentadoria deveria ser ajustada para refletir as mudanças maciças na expectativa de vida que ocorreram desde a criação do sistema de previdência social”, foi considerado um terceiro caminho na política americana. A inabilidade de abordar essa questão tem deixado uma geração de americanos confusa e preocupada com o que pode esperar no futuro.

Agora, os novos desenvolvimentos oferecem significativos pontos positivos e desafios, talvez o tema seja menos controverso – melhor ainda se estimulasse a criatividade entre os decisores políticos.

Embora essa ideia pareça um paradoxo em nosso ambiente político atual, como observado acima, o setor privado não está esperando para se adaptar. E, à medida que vê as oportunidades criadas e desenvolve novos modelos e modalidades de trabalho, a história sugere que o setor privado irá arrastar a classe política para o futuro com ela.

Não há motivo para esperar que essa seja uma transição simples. Mas tanto a história quanto o progresso sugerem que essa transição virá – estejamos preparados para ela ou não.

Sobre o autor

David J. Rothkopf é CEO e editor do FP Group, no qual supervisiona todos os conteúdos editoriais, as publicações, os eventos e outras operações da empresa, que publica a revista “Foreign Policy”. Ele também é presidente e CEO da Garten Rothkopf, uma companhia de consultoria internacional especializada em questões de risco político global, energia, recursos, tecnologia e mercados emergentes.

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