Primeiro vem aquela ideia brilhante de abrir um negócio, ganhar muito dinheiro e se tornar seu próprio patrão. Você separa uma grana para todos os custos, impostos e taxas, honorários do contador, criação do site etc. E quando está tudo quase pronto, surge um novo problema que você não lembrava ou mesmo não fazia ideia: como escolher um bom sócio?

A exigência está na legislação e precisa ser cumprida, mas varia de acordo com a modalidade da empresa que será aberta. “Em alguns casos, a figura do sócio não é necessária, mas sua ausência é compensada por um aporte maior de capital”, explica Marcelo Rimoli, analista fiscal da Mongeral Aegon Seguros e Previdência.

De acordo com Rimoli, a maioria das pessoas prefere abrir uma empresa “limitada” [Ltda] por suas muitas vantagens, como o baixo valor de capital mínimo inicial necessário e o não comprometimento dos seus bens pessoais em caso de falência, quando não houver constatação de fraude. “Essa é a opção mais escolhida pelos empreendedores, mas existe a exigência legal de se ter um sócio”, comenta Rimoli.


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Uma segunda opção seria abrir uma “Empresa Individual de Responsabilidade Limitada”, que não pede a figura de um sócio, mas em contrapartida exige um aporte de capital mínimo muito maior, de 100 salários mínimos. “Com um salário mínimo de 954 reais, o investimento inicial fica em 95 mil, um valor muito alto que muitas vezes inviabiliza a abertura do novo negócio”, destaca.

Dependendo da atividade escolhida e do faturamento máximo anual, o empreendedor pode ainda optar por se tornar um MEI (Microempreendedor Individual). “O MEI é um autônomo, que paga um valor bem pequeno por mês, mas tem um limite baixo de faturamento anual de 81 mil reais. Nem todo mundo consegue ser MEI, isso vai depender da sua atividade. Existe uma lista de atividades permitidas que está no portal do MEI que precisa ser verificada”, aponta o analista.

Mas ter um sócio não é tão ruim como muitas pessoas acreditam. Na opinião de Rimoli, ele representa uma garantia financeira. “O sócio que pode ser seu amigo, sua mãe ou algum parente, não precisa trabalhar nem fazer nada na empresa. Sua participação pode ser de um real, por exemplo, e sua responsabilidade será proporcional ao seu percentual de participação”, explica.

Como escolher um bom sócio?

Por mais que pareça uma tarefa fácil, escolher um bom sócio para a sua empresa é um grande desafio, tanto para novos empreendedores quanto para os mais experientes. O empresário carioca Leonardo Gonçalves Coelho é um bom exemplo do resultado de algumas más escolhas.

“Tive uma empresa de engenharia com um sócio que funcionou muito bem até começarmos a ganhar dinheiro. A partir daí, a parceria acabou”

Ele conta que atualmente está em sua terceira empresa e só agora acertou com o sócio, ninguém menos do que sua esposa e companheira. As duas experiências anteriores foram desastrosas, na opinião do empresário. E o motivo era sempre o mesmo: dinheiro. “Tive uma empresa de engenharia com um sócio que funcionou muito bem até começarmos a ganhar dinheiro. A partir daí, a parceria acabou”, lamenta Leonardo.

Em sua segunda experiência, ele conta que seu sócio misturava as contas da vida particular com as da vida empresarial. “Ganhávamos a mesma coisa, mas eu tinha um carro simples, dentro das minhas condições, e ele já estava comprando seu quarto carro importado, quando decidi por terminar a parceria”.

Pensando nisso, o Sebrae preparou algumas dicas para ajudar empreendedores na hora de escolherem seus sócios. Veja abaixo alguns tópicos importantes que devem influenciar na tomada de decisão.

Mas, antes, é necessário avaliar alguns pontos:

1 - Você sabe trabalhar em equipe?

2 - Você não vê problemas em dividir um negócio e seus benefícios, desde que seja para o bem do negócio?

3 - Você e seu empreendimento necessitam de alguma expertise específica que você não domina? Você precisa de alguém que complemente seu trabalho?

Se as suas respostas foram positivas para os pontos acima, você está apto para a busca de seu sócio. Agora será necessária a observação e análise de alguns fatores, que são determinantes, tais como:

1 – O sócio precisa compartilhar dos mesmos objetivos empresariais, morais e éticos a frente do negócio. Estar alinhado com os produtos e serviços que a empresa oferta ao mercado e ter ou buscar qualificação;

2 - O sócio precisa ser complementar. Se você não tem o conhecimento necessário, um sócio pode ajudar muito. Ele precisa ser a sua outra metade. Exemplo disso pode ser quando você for muito bom em gestão financeira e não ser tão bom em gestão de recursos humanos, encolher alguém com um bom entendimento em finanças e um ótimo conhecimento em gestão de recursos humanos, seria o ideal;

3 – O sócio precisa apresentar proatividade, liderança e confiança, não necessariamente nessa ordem, porém com uma boa dose de cada. Isso é importante para a gestão, uma vez que ele dividirá com você a tomada de decisão, podendo inclusive estar à frente de algumas ações pelo empreendimento.

Conflitos positivos

Durante o desenvolvimento do trabalho, como em qualquer relação profissional, é comum os sócios entrarem em conflito por conta de divergência de ideias e de interesses. Tais conflitos são necessários para o andamento do negócio, até porque envolvem duas ou mais mentes e cada mente tem um pensamento.

O que se deve ficar atento nos conflitos, é se eles são positivos e trazem ganhos para o negócio, já que esses conflitos geram insights, estimulando a inovação entre os diversos setores da empresa, promovendo posicionamentos favoráveis a evolução do negócio.

Do contrário, os conflitos podem ser negativos e gerar descontentamento e comprometer a relação entre os sócios, consequentemente impactando nos resultados da empresa. Por isso, busque a promoção de debates saudáveis.

É evidente que a escolha do sócio ideal não é uma receita de bolo, muito menos uma tarefa fácil, porém, uma sociedade poderá permitir a divisão de atividades, deveres e obrigações, assim como, lhe será complementar para um negócio bem-sucedido.

Analise bem o perfil da pessoa que lhe acompanhará por muito tempo ou até por toda a vida empresarial, inclusive na sucessão familiar. Quem serão os herdeiros do negócio?

Após essa busca, será necessária a consulta jurídica e contábil para a formalização dessa sociedade.

Critérios para escolha de um com sócio

Saber como escolher um bom sócio é fundamental para o sucesso do seu negócio e para evitar problemas na gestão, por isso é uma tarefa muito importante. Essa escolha precisa ser baseada em uma série de critérios que precisa ser considerada antes da oficialização da sociedade.

Para Leonardo, o interessante é escolher alguém que tenha expertise no ramo ou em áreas afins como administração de empresa, inovação etc. E o mais importante: alguém em quem você tenha muita confiança. “É como um casamento, precisa haver confiança e parceria, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza”.

O analista da Mongeral Marcelo Rimoli acrescenta: “Quando o investimento for alto, o interessante é não fazer com apenas um sócio, mas escolher mais pessoas, porque se uma desistir, os outros sócios podem comprar a parte daquele que desistiu”.

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