Dia do Estudante: importância de continuar após os 50

Até 1827, os jovens brasileiros que desejassem obter diploma de curso superior tinham que viajar para a Europa. Naquela época, bacana mesmo era se formar em medicina ou direito na Universidade de Coimbra, em Portugal. Até que, em 11 de agosto de 1827, os primeiros cursos superiores foram criados no Brasil com a autorização do imperador D. Pedro I: as faculdades de Direito de Olinda, em Pernambuco, e do Largo São Francisco, em São Paulo.

A data então ficou marcada e, em 1927, durante as comemorações dos 100 anos do feito, o jurista Celso Gand Ley, presente à cerimônia, propôs que o dia 11 de agosto ficasse consagrado como o Dia Nacional do Estudante (ironicamente, o Dia do Estudante de Direito é comemorado separadamente, no dia 19 de maio, por ser o mesmo dia de Santo Ivo, padroeiro dos advogados).

Exatamente 10 anos após a criação da data, outro fato histórico veio reforçar ainda mais os ideais dos estudantes brasileiros. Fundava-se, em 11 de agosto de 1937, a União Nacional de Estudantes - UNE, com o objetivo de proteger os direitos e deveres de todos os alunos do país.


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Contudo, mais do que um dia dedicado aos estudantes, o 11 de agosto é também uma data para celebrarmos o futuro do nosso país, pois a construção de uma sociedade sólida, com senso crítico apurado para solucionar crises, só é possível com uma educação de qualidade e um ensino escolar de excelência.

Em dezembro de 2017, o jornalista Ancelmo Gois divulgou em seu blog que o número de matrículas no Brasil cresceu 35% de 2009 a 2016, passando de 5,9 milhões para 8,1 milhões de novos alunos, sendo 48% com financiamento público. No mesmo período, o número de matrículas com recursos próprios cresceu apenas 5%, o que confirma a importância de programas como Fies e ProUni.

O Ensino a Distância também registrou uma leve alta no número de matrículas. De acordo com o Senso de Ensino Superior de 2016, as matrículas em EAD tiveram uma expansão de 7,2%. Especialistas acreditam que, futuramente, a educação será realizada de maneira mista, entre aulas presenciais e a distância.

O professor aposentado Antonio Fontes Cardoso afirma que “conhecimento não ocupa espaço”. Especialista em alfabetização de idosos, Cardoso trabalhou mais de 20 anos em diversos projetos sociais no estado de São Paulo ensinando pessoas com mais de 50 anos a ler e a escrever.

"Ao contrário das máquinas, podemos e devemos aprender coisas novas todos os dias”

Hoje, aos 72 anos, ele ressalta a importância de manter o cérebro ativo para evitar problemas como demência e Alzheimer. “O cérebro humano não é como um HD de computador, que uma hora fica cheio e você não consegue salvar mais informações. Ao contrário das máquinas, podemos e devemos aprender coisas novas todos os dias”, orienta o professor. E completa: “É essa busca que irá nos manter vivos e saudáveis por muitos anos mais”.

Cardoso explica que, com o avanço da idade, é comum que as pessoas percebam um declínio mental, mesmo aquelas que não têm nenhum tipo de doença. E que, com o aumento da expectativa de vida, é cada vez mais importante que as pessoas busquem exercitar seus cérebros com leituras, exercícios, meditação e aprendizado de coisas novas para retardar esse declínio. “Mente sã, corpo são”, cita o professor.

Uma pesquisa realizada pela Bayer, empresa do ramo farmacêutico, identificou que 22,8% dos brasileiros acima dos 60 anos nunca leem ou praticam atividades que desafiem o cérebro, e que apenas 18,1% desse público faz esses exercícios diariamente.

Para entender como os brasileiros encaram o envelhecimento, a farmacêutica Pzifer entrevistou pessoas acima dos 60 anos em todas as regiões brasileiras. Quando perguntados sobre o que acham que contribui para chegarem bem à maturidade, apenas 28% dos idosos respondeu ser o cuidado com a mente, incluindo pensamentos positivos e cuidado psicológico. A opção ficou em quarto lugar nas respostas, sendo precedida por cuidar da saúde de forma preventiva, ter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos.

Os números são preocupantes e demonstram que muita coisa ainda precisa ser feita para conscientizar a população acima dos 50 anos da importância de medidas preventivas contra o declínio das atividades mentais.

Cardoso enfatiza que nunca é tarde para começar e dá uma dica: “Comece com uma boa leitura!”

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Redação