Eles foram 44.338 em 2010. No ano passado, bateram o recorde: exatos 76.078 matriculados. De volta à sala de aula, pedagogia foi o curso superior preferido pelos alunos com mais de 50 anos de idade – foram 9.848 matriculados, 13% do total.

Direito (6.595), serviço social (3.731), gestão pública (3.079), gestão de recursos humanos (2.540), administração (2.466), psicologia (2.274), ciências contábeis (2.269), história (2.185) e teologia (2.074) vêm na sequência – veja abaixo o ranking dos 20 mais procurados.

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Mas um modalidade de curso superior chama a atenção entre esse público: os cursos tecnológicos, cuja procura mais que dobrou nesse mesmo período, segundo análise da plataforma Quero Bolsa, a partir de dados do Censo da Educação Superior 2017, recém-divulgados pelo Ministério da Educação.

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A taxa de crescimento é o dobro da registrada entre as licenciaturas e os bacharelados, pontua Rui Gonçalves, gerente de relações institucionais e coordenador do estudo. “Enquanto o total de matriculados saltou de 9.266, em 2010, para 19.671, em 2017, uma alta de 112,3%, as licenciaturas passaram de 13.658 alunos para 22.805, no mesmo período, um crescimento de 67%. Por sua vez, os cursos de bacharelado, que ainda atraem a maioria dos alunos, cresceram num ritmo inferior: foram de 18.868 para 30.311, uma variação de 60,6%.”

Mas por que a formação de tecnólogos chama a atenção dos mais velhos? Primeiro, é preciso entender a diferença entre eles. Cursos superiores de graduação são ministrados nas modalidades bacharelado e licenciatura (formação de professores), têm duração de 4 a 5 anos e oferecem mais conhecimento teórico e prático. Já os de tecnólogo são uma versão resumida dos de graduação, com foco no mercado de trabalho e com duração de 2 a 3 anos anos – clique aqui e saiba mais sobre eles.

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Nos três, há algo em comum: o crescimento da EaD, sigla de educação a distância. Entre os 76.078 alunos com mais de 50 anos que ingressaram em cursos superiores em 2017, 66% optaram por essa modalidade. Entre 2010 e 2017, as matrículas cresceram 73,6%. Houve um avanço de 162% entre os que se matricularam em cursos não presenciais, ante uma alta de apenas 9,82% nos presenciais, que, desde 2014, último ano de forte oferta de contratos de financiamento via Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), vem caindo.

A flexibilidade de horário dos cursos de EaD, que ganharam novos polos país afora, é um chamariz entre as opções de curso superior e para quem tem mais de 50 anos e que, em geral, precisa conciliar estudos com família e trabalho. Com a menor duração e mensalidades mais acessíveis, a formação a distância em tecnólogo passa a ter uma boa relação custo-benefício para quem está em busca de um diploma de nível superior para conseguir crescimento profissional. “É uma visão mais pragmática”, explica Gonçalves.


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Aluno do curso a distância de tecnólogo em administração, Paulo Oliveira, 54 anos, viu nele a oportunidade de pleitear um adicional no funcionalismo público federal. “Consegui melhorar meu salário”, comemora.

Ana Lima e Silva, 51 anos, que cursou magistério, matriculou-se em 2017 em licenciatura em letras também na modalidade EaD “por custar menos que a metade” de um presencial. “Os professores dizem que o mercado vê na gente duas competências: maturidade emocional e domínio digital. Estou acreditando nisso para me manter empregada.”

“O mercado não tem mostrado nenhum preconceito com profissionais formados nos cursos a distância”, afirma o gerente de relações institucionais da Quero Bolsas, com base em pesquisas feitas com 50 mil cadastrados na plataforma. Em geral, as pessoas com mais de 50 anos de idade que optam pelo EaD “são mais proativos, se adaptam mais às dificuldades e encaram melhor os desafios”, além de serem “mais atuantes no seu processo de desenvolvimento de carreira e de aquisição de conhecimentos”.


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