Cirurgias feitas por médicos com mais de 50 anos de idade têm taxas de mortalidade menores do que as de especialistas mais jovens. A conclusão é de um estudo da Universidade da Califórnia com base em dados do Medicare, o sistema público de seguros de saúde americano.

As taxas tiveram reduções sutis com o aumento da idade dos cirurgiões. Os com menos de 40 anos tiveram índice de mortalidade de 6,6%; de 40 a 49 anos, de 6,5%; de 50 a 59 anos, de 6,4%; mais de 60 anos, 6,3%.

Os pesquisadores não notaram alteração significativa entre homens e mulheres. No estudo, foram avaliados os dados de 892.187 pacientes de 65 a 99 anos de idade e de 45.826 cirurgiões.

“Algumas pessoas presumem que o desempenho cirúrgico irá melhorar ao longo da carreira de um cirurgião através do acúmulo de habilidades e experiência, mas outros temem que um declínio possa ocorrer em algum momento devido à deterioração da destreza associada ao envelhecimento ou a mudanças no manejo clínico facilitado por evolução da tecnologia e novas diretrizes”, justificam os pesquisadores no estudo.


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Os cientistas destacam algumas hipóteses para explicar a diferença de mortalidade de pacientes, conforme a idade do médico. Uma é o acúmulo de experiência de médicos com mais de 50 anos de idade. Outra é a evolução na carreira e a decisão de permanecer na área: “Cirurgiões mais velhos que continuam a realizar procedimentos ao longo de sua carreira podem ser aqueles altamente qualificados, enquanto os cirurgiões menos qualificados podem decidir abster-se de procedimentos e se concentrar no trabalho administrativo, pesquisa ou ensino à medida que envelhecem”.

Para o médico Roberto Debski, a relevância desses dados deve ser avaliada sobre outros vieses. Um é o de terem sido avaliados apenas pacientes do sistema Medicare.

Segundo ele, médicos com mais de 50 anos têm mais experiência e prática, mas, “dependendo da idade, podem apresentar prejuízo em sua destreza, acuidade visual e cognição”. Outra variável, indica ele, é que os médicos que têm mais idade podem selecionar cirurgias mais ou menos simples.

“Todos esses fatores podem alterar a avaliação”, destaca o médico, acrescentando que outras pesquisas com o mesmo tema indicaram resultados opostos.

Melhor com a idade?

Debski, que também é psicólogo, afirma que, em diversas áreas de atuação, as pessoas com mais idade que se mantêm ativas adquirem mais experiência e prática, aprimoram a habilidade e conquistam melhores resultados com o passar do tempo. Desde que, reforça, consigam manter condições necessárias para o desempenho da atividade, como acuidade visual, destreza e cognição.

“Profissionais que utilizam mais o intelecto do que o físico, como a área de ensino e pesquisa, podem manter alto desempenho até idade mais avançada”, sinaliza.

Por outro lado, “atividades que exigem alto desempenho físico tendem a ter resultados melhores somente até certa idade, declinando posteriormente com o envelhecimento”. É o caso de esportes de alto rendimento, cujo ápice de resultados ocorre geralmente até a terceira ou quarta década de vida.

No entanto, todas as áreas têm sua evolução limitada pelo próprio tempo, segundo ele. “Chega-se a uma determinada idade em que os limites físicos podem impor também limites na prática e nos resultados, e estas variáveis dependem de diversos fatores individuais além da profissão em si”, finaliza.

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