Há anos, o termo educação continuada é presença constante em qualquer conversa sobre desenvolvimento profissional. Aulas a distância, atualizações, graduações, MBAs e outras pós-graduações lato sensu, mestrado, doutorado... Nesse mar de ofertas para escolher o curso certo, afogar-se ao tentar abraçar muitas ao mesmo tempo é um perigo, dizem consultores.

“É como uma prateleira, em que a pessoa coloca tudo no carrinho”, compara Rebeca Toyama, especialista em desenvolvimento humano. E, antes de decidir o que vai passar pelo caixa, é preciso ver o que falta na despensa. “O profissional tem de fazer uma autoanálise, sem subestimar sua experiência, entender o caminho que deseja trilhar e, só então escolher.”

A dúvida não pode, no entanto, ser um empecilho para voltar aos bancos escolares. “O investimento pessoal em saúde e educação nunca se perde”, assinala Daniel Paiva, responsável pelas áreas de tecnologia e energia da consultoria de recrutamento e seleção de executivos Havik. “Muito do que se estudou nas décadas de 70 e 80 já se perdeu: a base é válida, mas não está atualizada.”

Confira, a seguir, o que cada tipo pode oferecer e escolha o curso certo para você.

Curta duração

Presenciais ou a distância, há uma infinidade de opções, que vão desde gastronomia e idiomas até liderança e meditação. Daniel os chama de pílulas de conhecimento e avalia que são o primeiro passo, mesmo para quem pensa em uma graduação ou uma pós após os 50 anos de idade. “Eles funcionam como uma espécie de degustação, para que o profissional tenha contato com a área que deseja.” Também é uma forma de atualização, para aprender novas terminologias e conhecer ferramentas.

O Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, por exemplo, oferece gratuitamente aulas de inglês e informática para quem precisa aprender um idioma estrangeiro ou se atualizar sobre as novas tecnologias. Há ainda conteúdo em saúde e bem-estar. Basta fazer cadastro no portal para ter acesso.

Sites como Coursera e Edx reúnem cursos gratuitos de diversas áreas do conhecimento. Daniel explica que plataformas internacionais são uma forma de ter contato com alunos de todas as idades e variados países, num ambiente de troca intercultural e intergeracional.

Para além do mundo virtual, há ainda cursos presenciais em escolas e universidades. Nesses casos, antes de bater o martelo, vale conversar com quem já concluiu a formação para saber se o investimento compensa.

Graduação

Os consultores rejeitam um novo curso superior como forma de atualização, mas indicam se o profissional tem interesse em mudar de área de atuação. Serão de dois anos, no caso de tecnológicos, e quatro ou cinco, no caso dos tradicionais, até obter o diploma.

Nesses casos, olhar o reconhecimento da instituição de ensino na área de formação é importante. “Muitas empresas colocam como critério de seleção formados em universidades de primeira linha”, destaca Daniel. “Selos de referência ainda têm peso”, completa Rebeca.


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Aqui cabe atenção: uma faculdade de primeira linha em administração pode não ser em engenharia, por exemplo. Rankings universitários e colocação no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia o rendimento dos concluintes da graduação, podem ser referências na tomada de decisão.

Lato sensu

Aqui entram os cursos de duração mínima de 360 horas, não computado “o tempo de estudo individual ou em grupo, sem assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, para elaboração de monografia ou trabalho de conclusão de curso”, segundo o MEC (Ministério da Educação). Estão abertos a profissionais que concluíram curso superior e oferece certificado – e não diploma – aos concluintes.

É a opção para ganhar competências específicas, para conquistar conhecimento e galgar uma promoção, ou mesmo para mudar de área. Como é voltada para quem está no mercado de trabalho ou buscando recolocação, muitas vezes é oferecida em turnos alternativos, como o noturno, ou aos fins de semana.

Os MBAs, do inglês Master in Business Administration, queridinhos de empresários, executivos e gestores, se enquadram nos cursos lato sensu. Daniel diz que são ótimos para networking, desde que o profissional esteja aberto a interagir com pessoas entre os 25 e os 40 anos de idade.

Há instituições de ensino que colocam limite mínimo de 40 anos de idade para inscrição, para selecionar apenas quem tem trajetória de mercado. “Senão, as discussões ficam muito teóricas em um curso que é prático”, diz Rebeca.

Stricto sensu

Se pesquisa e academia estão nos planos, é fundamental considerar mestrado e doutorado. No primeiro caso, serão necessários, em média, dois anos de estudos intensos e elaboração de dissertação. No segundo, são quatro anos e redação de uma tese.

Para quem está no mercado corporativo, é preciso considerar o tempo alto de dedicação que a carga de leitura e o trabalho de conclusão vão exigir. “As empresas querem mais generalistas do que especialistas, mas um diploma de mestrado e doutorado, dependendo da área, pode fazer o candidato se sobressair em um processo seletivo.”

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