A máxima “amigos, amigos, negócios à parte” parece estar caindo por terra, pelo menos no que diz respeito à amizade no trabalho. Um estudo da Universidade Rutgers, de Nova Jersey (EUA), revela sua influência na produtividade.

Foram entrevistados 168 trabalhadores de uma empresa que os estimula a se conhecer por meio de “job rotation”, uma espécie de rotatividade de funções. Eles tiveram de listar dez colegas que os ajudam a fazer uma tarefa ou a vencer um desafio. A lista de perguntas incluiu ainda questões sobre cansaço e exaustão e ambiente corporativo. Os gestores contribuíram com uma avaliação de desempenho dos funcionários.

A equipe de pesquisadores chegou à conclusão que a amizade no trabalho aumenta de forma significativa a produtividade e influencia no aparecimento do burnout (quadro de esgotamento físico e mental intenso). Em parte, porque, no dia a dia, eles buscam conselhos de quem é mais próximo, sem medo de serem taxados de maus empregados. Em parte, porque trocam informações, que nem sempre estão oficialmente disponíveis. Por fim, porque os trabalhadores que têm laços relatam estar de bom humor com mais frequência.

“No momento em que a pessoa sabe que tem vínculos no ambiente de trabalho, colegas com que ela pode criar conexões, ela se sente mais feliz, entregando-se mais por confiar nos profissionais que estão ali e construindo um ambiente de confiança”, diz a especialista em desenvolvimento humano Susanne Andrade.

Ela relata atender líderes de empresas que se sentem sozinhos. “Chega um ponto que não têm mais com quem conversar, porque guardam muitas informações e têm medo de fazer amizades, aumentando ainda mais a pressão.”

 “Não precisamos ter um melhor amigo no trabalho, mas precisamos conhecer mais o ser humano que fica por trás do crachá”

E estabelecer uma amizade no trabalho pode ser mais fácil do que parece: “Com um simples sorriso, que já gera empatia na hora do almoço, do café”, exemplifica. A dica de Susanne é procurar não falar só de trabalho, mas também das questões pessoais, como time preferido, locais que gostaria de visitar ou um bom restaurante para o qual tenha ido. Isso, diz ela, cria conexões.


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Até a carreira – não o dia a dia no trabalho, prazos e projetos – é ponto de aproximação. “É legal puxar um assunto sobre a próxima etapa da sua carreira, falar dos seus planos e até pegar dicas com pessoas que já tenham chegado na etapa que você quer alcançar.”

A especialista, que é autora de "O Segredo do Sucesso É Ser Humano" e de "O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil" (Editora Gente), avalia que as empresas deveriam ter políticas de integração. “Não precisamos ter um melhor amigo no trabalho, mas precisamos conhecer mais o ser humano que fica por trás do crachá. Empresas com um ambiente saudável só trazem benefícios.”

Tudo tem um porém

O problema é quando a pessoa não tem maturidade suficiente para separar o vínculo no ambiente de trabalho. “Se existe uma amizade muito grande entre o líder e o colaborador de uma equipe, por exemplo, e surge uma oportunidade de promoção, o líder tem que escolher quem será promovido por questões de trabalho e não de amizade. É preciso ter um equilíbrio.”

O psicólogo e médico Roberto Debski acrescenta: “Uma relação de amizade que envolva colegas de trabalho acrescenta um delicado componente a essa equação, pois não se pode deixar a amizade interferir na relação profissional, com favorecimentos ou tratamento desigual entre aqueles que são amigos para os outros que são somente colegas”. Ele recomenda que amigos que trabalhem juntos mantenham seu relacionamento dentro da empresa seguindo um comportamento profissional, “apesar e além da amizade”.

“As amizades e relações afetivas acontecem entre profissionais na maioria das empresas e, para que isto não crie um ambiente de conflito ou problemas profissionais, é necessário que todos mantenham uma postura adequada, comportamento ético e respeitoso enquanto estiverem convivendo dentro do ambiente organizacional. Quando saírem de lá, podem viver suas relações afetivas como quiserem, sem patrulhamento dos colegas do trabalho.”

Nos casos de desentendimento, diz Susanne, o correto é sair do escritório e não misturar a discussão interna com a vida pessoal, continuar como se nada tivesse acontecido. “Aqui no Brasil, é comum que as pessoas não saibam separar isso.”

Regras de conduta

A seguir, o psicólogo dá cinco dicas para manter a amizade e o ambiente de trabalho saudável:

  1. Manter um comportamento profissional enquanto estiverem dentro da empresa;
  2. Não favorecer amigos ou beneficiá-los de maneira diferente do que faria com outro trabalhador com quem não tem amizade;
  3. Não cobrar seu amigo de maneira diferente do que faria com outro colega no trabalho;
  4. Não comentar em demasia sobre a amizade que têm e o que fazem fora do ambiente corporativo, exceto em situações especiais e com colegas que sejam mais próximos;
  5. Não levar para a empresa problemas que existam no campo da amizade.

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