Nenhum segmento tem crescido tanto nos últimos anos quanto o de tecnologia. De acordo com estudo divulgado no Fórum Econômico Mundial deste ano, oito marcas da área estão entre as dez mais valiosas do mundo, acumulando juntas quase US$ 1 trilhão. E, enquanto hipertrofiam ano a ano, com seus jovens executivos dominando o imaginário popular, o jeito de se trabalhar se transforma em uma velocidade inédita – não só no modo como trabalhamos, mas também nas competências necessárias para fazê-lo.

Estima-se que as soluções tecnológicas, que já extinguiram empresas gigantes (alguém ainda se lembra das locadoras de vídeo?), vão tirar 7 milhões de empregos. Os mais afetados? Pessoas de meia-idade, condicionadas ao jeito antigo de trabalhar.


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À primeira vista, na contramão desse mundo, que vê o poder migrar cada vez mais rápido para as mãos dos mais jovens, com sua multidão de millenials recém-saídos da academia (alguns, nem isso), ansiosos por descobrirem o gadget (dispositivos eletrônicos) ou a ideia que gerará a próxima disrupção, a população mundial está envelhecendo e vivendo cada vez mais. Como resolver essa equação que parece fadada a jogar a próxima geração de idosos no ostracismo?

Para Chip Conley, 58 anos, a resposta é simples: aproveitar o que cada um tem de melhor. “Acredito que a colaboração intergeracional, uma vez que que temos cinco gerações trabalhando juntas pela primeira vez na história, ajudará todos a ficarmos mais inteligentes”.

Academia do idoso

Chip Conley, 58 anos, idealizador da Academia do Idoso Moderno; Crédito: Lisa Keating

Para dizê-lo, o norte-americano leva em conta o seu histórico recente. Após uma trajetória de mais de duas décadas de sucesso no ramo hoteleiro, onde criou o conceito de hotel-boutique, faturando centenas de milhões de dólares, ele foi convidado a integrar o time do Airbnb, startup que abalou as estruturas do setor que o fez milionário.

“À medida que envelhecemos, nossa inteligência emocional cresce, o que significa que podemos criar melhores equipes colaborativas e oferecer orientação a pessoas mais jovens” 

“Tive a sorte de perceber que um novo período da vida – o período do ‘Idoso Moderno’ – existe muito antes de nos tornarmos ‘idosos’. Aprendi isso quando entrei na Airbnb aos 52 anos, onde tinha o dobro da idade da média dos funcionários e estava ajudando os fundadores millenials a fazer a companhia crescer”, resume.

E como ajudou. De 2013 a 2017, período em que foi diretor de Hospitalidade e Estratégia e mentor do celebrado fundador Brian Chesky, ele viu o valor de mercado da startup explodir de US$ 10 bilhões para incríveis US$ 31 bilhões.

“Muitas startups e empresas de tecnologia estão cheias de jovens com ideias digitais brilhantes, mas não importa se você está na indústria B2B [empresas que vendem para empresas], B2C [empresas que vendem para consumidores] ou A2Z, o negócio é realmente H2H. Humano para humano. À medida que envelhecemos, nossa inteligência emocional cresce, o que significa que podemos criar melhores equipes colaborativas e oferecer orientação a pessoas mais jovens”.

Mas não foi apenas ele que ensinou durante a sua passagem pelo Airbnb. Pelo contrário. “Quando entrei, não sabia muito sobre meu iPhone nem tinha experiência em uma empresa de tecnologia. Mas escolhi ser curioso e aberto a aprender e fazer boas perguntas e isso me ajudou a adaptar meu cérebro”.

Academia do Idoso Moderno: o valor da experiência  

Tal adaptação o preparou para a missão à qual se dedicou a partir de 2018, quando lançou o livro Wisdom @ Work: reforçar o valor da experiência em um mundo que parece cada vez mais focado nas qualidades técnicas e intelectuais da juventude.

“Eu acredito que pode ocorrer uma transferência de conhecimento entre a inteligência emocional e a inteligência digital. Os ‘cabeças-cinzas’ podem oferecer insights sobre a autoconsciência e a percepção de outras pessoas, de modo que os ‘cabeças-verdes’ possam desenvolver um ‘reconhecimento de padrões’ sobre os seres humanos. Já os mais jovens podem oferecer treinamento digital. Ambos estão em posições privilegiadas para essa transferência de conhecimento. A sabedoria pode fluir nas duas direções, do velho para o jovem, e vice-versa”.

Desse raciocínio surgiu a Modern Elder Academy (Academia do Idoso Moderno, em tradução livre), um hotel-spa construído no meio de um paraíso mexicano, em Baja California Sur, autointitulado “primeira escola de sabedoria da meia-idade do mundo”, para onde as pessoas de 35 a 75 anos de idade vão para reimaginar a próxima etapa de sua vida.

Academia do idoso

“Se, como eu, você tem 58 anos, e é provável que viva até os 98 anos de idade, estará na metade da vida adulta. Por isso é importante experimentar coisas novas. Por exemplo, comecei recentemente a aprender a surfar e a falar espanhol, algo que muitas pessoas pensam que só pode ser feito quando você é mais jovem”, conta Conley.

Para tal, baseando-se nas ideias apresentadas por ele em seu livro, a Academia do Idoso Moderno oferece programas de estudo que contam com meditação, ioga e uma variedade de cursos e workshops de temas como “inteligência corporal”, “liderando bem de dentro”, “a criação do idoso moderno” e “100% você: escuta para liderança”. Tudo para ajudar os alunos a lidar bem com as mudanças e fazer as perguntas corretas sobre a própria carreira, descobrindo “que sua sabedoria e expertise são únicos”.

As novas ferramentas também não ficam de fora. “A inteligência digital é provavelmente a habilidade mais importante no local de trabalho hoje, dada a nossa confiança na tecnologia. Oferecemos aos nossos alunos alguma fluência em várias aplicações e ferramentas tecnológicas”, diz.

Curso na academia do idoso é para poucos

Ao melhor estilo da revolucionária rede de hotéis criada por seu fundador, a Academia do Idoso Moderno está cercada por uma área à beira-mar com mais de dois hectares que, segundo o site da escola, pretende passar a impressão de que o hóspede “está hospedado na luxuosa casa de praia de um amigo rico”. O que, como se é de esperar, está longe de ser barato.

Para uma confortável estadia de uma semana, com três refeições diárias, o afortunado aluno precisará desembolsar de US$ 3.500 (se topar dividir quarto) a US$ 7.000 (caso queira a suíte exclusiva). E será necessário pagar 50% do valor antecipadamente. A menos que você consiga uma das bolsas (integrais ou de metade do preço total) oferecidas por Conley.

“Algumas pessoas me chamam de ‘perennial millennial’ (millenial perene, em tradução livre), o que acho que significa que estou constantemente curioso e aprendendo algo novo. Eu defino isso como um idoso moderno, que é tão curioso quanto é sábio. Então, eu acho que aprender a vida inteira é o futuro para todos nós”, finaliza.

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