Muitos avanços tecnológicos são desenvolvidos com o intuito de tornar melhor a vida das pessoas, especialmente daquelas com necessidades específicas. Crianças e mais velhos, por exemplo, enquadram-se nessa categoria, se considerarmos a idade como fator de análise. Com relação a quem tem mais de 50 anos de idade, a preocupação dos cientistas é crescente, na medida em que se trata de uma parcela da população que tende a crescer numericamente. Assim, surgem itens como airbags para os quadris e tênis com sensores que avisam familiares ou amigos de uma eventual queda de quem os calça. Conheça, a seguir, cinco novas tecnologias que ajudam a ter qualidade de vida na maturidade.

  1. Tênis com sinal de alerta para a queda

Ninguém quer ficar parado, e se movimentar é, de fato, uma boa pedida para viver mais e melhor. Para quem vive para lá e para cá, uma startup francesa criou um par de tênis com alarmes que avisarão familiares, amigos ou algum serviço médico se o usuário sofrer uma queda. O E-vone – esse é o nome do calçado – é dotado de uma série de aparatos na sola: GPS, sistema de pressão, acelerômetro – instrumento que mede aceleração e detecta vibrações – e giroscópio – usa a força da gravidade para saber a posição de um corpo no espaço. Todos esses sensores acionam o sistema de alarmes assim que a pessoa coloca os tênis. O E-vone dispensa qualquer dispositivo móvel associado, pois é capaz, por si só, de processar e transmitir as informações, uma vez que também possui um chip GSM, semelhante aos dos celulares, e antenas LoRa para comunicação sem fio. Esses tênis inteligentes foram lançados na maior feira de tecnologia do mundo, a CES, em Las Vegas, nos EUA, em sua edição 2018. Os preços dos modelos variam entre US$ 100 (R$ 402) e US$ 150 (R$ 604), além de uma taxa mensal de US$ 20 (R$ 80,5) para a monitoração dos alarmes.

qualidade de vida na maturidade Empresa investiu em diversos modelos de tênis; crédito: Divulgação

  1. Airbags para os quadris

Fraturas nos quadris podem se tornar um problema mais sério do que se pode pensar à primeira vista. Além dos danos aos ossos e de provocarem dores crônicas, também são portas de entrada para infecções e doenças cardiovasculares. Para evitar consequências indesejáveis em uma eventual queda, uma empresa da França especializada em airbags para aeronaves e também para atividades como hipismo, motociclismo e prática de esqui, resolveu desenvolver modelos dessas bolsas de ar para ser usados na cintura. Para chegar ao formato final do Hip’Safe, o airbag de proteção à pelve das pessoas de idade mais avançada, foram necessários dez anos de estudos. O aparato funciona da seguinte maneira: um sistema eletrônico implementado no cinto do equipamento analisa continuamente os movimentos do usuário. Quando a iminente queda é detectada, dois airbags são acionados em 0,8 segundo, protegendo a bacia na hora do impacto. O cinto é leve e vendido em cinco diferentes tamanhos.  A bateria do Hip’Safe dura até sete dias, e a capa que recobre o dispositivo pode ser higienizada na máquina de lavar. O produto custa € 649 (R$ 3.022).

qualidade de vida na maturidade Sistema eletrônico do equipamento analisa continuamente os movimentos do usuário; crédito: Divulgação

 


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  1. Scooter para a longevidade

A scooter, ou motoneta, é um veículo propício para deslocamentos nas cidades, mas não é todo mundo que se sente à vontade, ou confiante, para pilotar uma. Com o intuito de aumentar a segurança dos pilotos mais velhos, o estúdio britânico de design PriestmanGoode, a pedido do Museu do Design de Londres, criou a Scooter for Life, ou scooter para a vida, uma motoneta com adaptações que favorecem a estabilidade do condutor – e ainda fazem do veículo um prático carrinho de compras. O protótipo tem duas rodas maiores na parte dianteira e uma menor na de trás – que gira em 360° para facilitar as manobras – e só se movimenta quando é desfreado. Na frente, há uma cesta para armazenar mercadorias. Toda a estrutura, por sinal, pode ser compactada no modo carrinho de supermercado, com alças e manoplas que exigem esforço mínimo para ser manuseadas. A Scooter for Life também é adaptável para funcionar à base de energia elétrica e conta com um assento opcional para quem tem mais dificuldade de locomoção. O veículo foi desenhado com base em sessões de pesquisa com pessoas mais velhas e a partir das necessidades elencadas por elas – poder ser estacionado dentro de casa, ser carregado no transporte público e entrar em lojas, por exemplo. Ainda não há informações sobre produção e preços.

qualidade de vida na maturidade Scooter dá mais estabilidade ao condutor e funciona com energia elétrica; crédito: Divulgação

 

  1. Robô “coach”

Conceitos como o de inteligência artificial (IA) parecem frios demais para você? Então precisa conhecer o ElliQ, um robô projetado especialmente para pessoas que dificilmente associariam a palavra tecnologia a acolhimento e afeto. O invento do estúdio Fuseproject, com a colaboração de uma equipe da empresa de tecnologia Intuition Robotics, pretende dar outros tipos de conotação ao termo robótica por meio de uma série de recursos – a começar pelo design, que faz com que ele se pareça mais com um atrativo objeto de mesa do que com uma máquina. Esse companheiro, em primeiro lugar, funciona como uma espécie de “coach” do usuário, fazendo-se valer de sua IA para propor atividades e acompanhar os resultados de sua realização. Assim, ajuda a pessoa a conectar-se com familiares pela internet, enviando a eles mensagens de texto e imagens, e também fornece conteúdo para aprendizagem sobre assuntos que lhe interessem. O ElliQ opera ainda como equipamento para ouvir música e audiolivros, assistir a vídeos e compartilhar notícias, além de estabelecer ligação com um eventual cuidador a distância. Esse projeto contra a solidão na maturidade foi encomendado pelo Museu do Design de Londres. É possível se cadastrar na lista de espera pelo equipamento em https://elliq.com/.

qualidade de vida na maturidade Equipamento usa inteligência artificial para propor atividades; crédito: Divulgação

 

  1. Mesa de convívio

Nem tudo o que é novo se traduz em placas, visores, recursos wireless ou inteligência artificial. Às vezes, o avanço requer apenas um novo jeito de olhar, com a capacidade demasiadamente humana que nos é característica – sem máquinas ou grandes aparatos futuristas. Dessa maneira, foi nas próprias dependências do Museu do Design de Londres que se instalou um espaço de jardim, com uma mesa que propunha convívio e aproximação. De um lado, um voluntário com mais de 70 anos; do outro, um frequentador do museu, que podia inclusive usar folhas de papel espalhadas sobre o tampo para fazer perguntas ao indivíduo mais velho. Trata-se de um invento que qualquer um de nós pode fazer em sua própria casa, sem qualquer grande conhecimento sobre tecnologia. Porém, talvez essa seja a invenção de maior poder transformador entre todas – e a que mais profundamente nos sensibilize, quebrando paradigmas e proporcionando uma nova visão sobre a longevidade.

qualidade de vida na maturidade Mesa encomendada pelo Museu do Design de Londres propõe aproximação; crédito: Divulgação

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