Era uma sexta à noite, no fim do ano passado, quando o advogado Cassio Faeddo, 55 anos, recebeu uma “mensagem estranha” de um cliente. No texto, a pessoa dizia que faria o depósito, como solicitado. Só havia um detalhe: ele não havia pedido dinheiro. E foi dessa forma que o profissional descobriu que um dos números do escritório estava na lista de clonagem de WhatsApp.

Assim como ele, pelo menos outras 5.000 pessoas foram vítimas do golpe em todo o Brasil, segundo estimativa da Célula de Inteligência Cibernética do Departamento da Polícia Civil do Ceará, feita em dezembro. Todas com uma abordagem semelhante – o número é clonado, e os criminosos enviam para a lista de contato da vítima uma solicitação urgente de ajuda financeira.

Há quem entre em contato antes com o suposto autor da mensagem, por outro número, para confirmar a informação, como fez o cliente do advogado ao receber o texto. Mas muitas pessoas, sem saber que se trata de um golpe, buscam ajudar o parente ou o amigo o mais rapidamente possível – e perdem parte de suas economias.

Desconfiando que pudesse ser um “caso de pirataria”, Faeddo telefonou para a operadora. “Falei com cinco atendentes para que um deles entendesse o que estava acontecendo e pedi para suspender a conta”, lembra o advogado.

Na sequência, buscou um contato no próprio WhatsApp e enviou um e-mail para a empresa relatando o ocorrido. Lá também pediu que fosse feita a suspensão.


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No caso do advogado, a responsabilidade pela violação na conta é da operadora. O número foi transferido para outro aparelho, sem a autorização do titular da linha. Para isso, é preciso a apresentação de documento de identidade.

Faeddo foi a uma loja da companhia telefônica na manhã seguinte, comprou outro chip por R$ 10 e migrou o número para o aparelho de origem. Decidiu não acionar judicialmente a operadora, por julgar que seria uma grande demora para um pequeno retorno.

Ele diz, no entanto, que o consumidor pode ser lesado de diversas formas a partir da clonagem de WhatsApp. “É imprevisível. No susto, a pessoa pode até ter uma síncope”, avalia.

Segundo ele, nos casos de clonagem, é possível acionar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, entrar com ação na Justiça pleiteando danos morais e materiais e registrar queixa na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), após relatar o ocorrido à operadora. A Polícia Civil de cada Estado também deve ser notificada.

Como prevenir a clonagem de WhatsApp

O WhatsApp conta com um recurso para garantir mais segurança à conta: a verificação em duas etapas. O usuário deve escolher um PIN de seis dígitos, que será solicitado periodicamente ou em qualquer tentativa de verificação do número de telefone.

Para ativar, é preciso abrir o aplicativo, ir até Configurações, clicar em Conta, depois em Verificação em Duas Etapas e, na sequência, em Ativar. É oferecida a opção de inserir endereço de e-mail, que será utilizado caso o PIN seja esquecido.

O WhatsApp alerta que é preciso ter cuidado ao receber um e-mail para desativar a verificação em duas etapas sem tê-lo solicitado. A recomendação é não clicar no link, já que outra pessoa pode estar tentando registrar o número de telefone.

Como evitar o golpe 

Outra medida de segurança é manter pessoas próximas cientes desse tipo de golpe e ter atenção ao receber mensagem solicitando dinheiro. Caso uma pessoa próxima envie um texto com pedido de valores monetários, a orientação é contatá-la de outras formas – por telefone ou pessoalmente, mas sem recorrer ao WhatsApp – e confirmar a demanda.

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