A genética tem muito menos influência na expectativa de vida do que os cientistas previram anteriormente. Não supera os 10%, mostram resultados de uma pesquisa publicada em novembro no periódico científico Genetics com base na árvore genealógica de 400 milhões de pessoas. E, se a descoberta impressiona, quem está por trás do estudo também provoca, ao menos, curiosidade: a Calico Labs, uma empresa ligada à gigante de tecnologia Google.

“Estamos enfrentando o envelhecimento, um dos maiores mistérios da vida” é a apresentação no site da companhia. E continua: “A Calico é uma empresa de pesquisa e desenvolvimento, cuja missão é aproveitar tecnologias avançadas para aumentar nossa compreensão da biologia que controla a longevidade. Usaremos esse conhecimento para criar intervenções que permitam às pessoas levarem vidas mais longas e saudáveis”.

Para cumprir essa tarefa hercúlea, a empresa reuniu um time de cientistas de diversas áreas: biologia, envelhecimento, medicina, genética, desenvolvimento de medicamentos e tecnologia, claro. Também tem firmado parcerias com instituições acadêmicas e empresas de biotecnologia.

Esse grupo de pesos pesados – que inclui, segundo estimativas, 100 funcionários, na região de São Francisco (EUA) – tem o desafio de gerar informação sobre longevidade. E é daí que surgem descobertas como a do começo deste texto, sobre o impacto da genética na expectativa de vida.


O que é a Calico?

A Calico é exatamente o que o Google pretendia, disse o diretor científico da Calico, David Botstein, em uma entrevista ao “MIT Technology Review”, site do MIT que traz informações sobre tecnologia. Conseguiu reunir as melhores pessoas, tecnologia e recursos para investigar questões fundamentais.


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"Eles nos deram uma boa quantia em dinheiro e querem que façamos algo sobre o fato de que sabemos tão pouco sobre o envelhecimento", disse o executivo, sobre o montante que chega à casa do bilhão de dólares. “É um problema difícil, uma necessidade não atendida.”


Mais tempo

Mesmo com valores que surpreendem, um time com muita expertise e condições propícias, os pesquisadores e executivos da Calico sabem que pesquisa científica leva tempo. Segundo Botstein, no melhor dos cenários, será possível entregar algo palpável em dez anos.

Em parte, disse ele ao MIT Technology Review, é por isso que a companhia tem declinado pedidos de entrevista. “Não haverá nada a dizer por um longo tempo, exceto por algumas coisas científicas incrementais. Esse é o problema”, considerou o executivo.

Apesar de criada em 2013, pouco se sabe da empresa, que não respondeu às solicitações da reportagem do Instituto de Longevidade. As informações sobre pesquisas, metas de médio e longo prazos e direcionamento da companhia são disponibilizadas a conta-gotas – mas o suficiente para que se tornem alvo de publicações como a americana “Time”, que estampou a questão “Pode o Google solucionar a morte?” na capa.


Áreas de estudo

Áreas específicas estão sob o guarda-chuva das pesquisas em longevidade e doenças graves relacionadas à idade conduzidas pela equipe da Calico ou em colaboração com outras instituições: oncologia, neurodegeneração, inflamação crônica e disfunção metabólica são as mais proeminentes.

Mas a Calico não esconde o interesse em doenças raras como oportunidade para estudar a biologia do envelhecimento.

Sabe-se ainda que a empresa mantém um biotério com ratos-toupeira pelados, um roedor encontrado na África para estudo. Por quê? Essa espécie vive 30 anos, enquanto um rato, por exemplo, morre em cerca de três meses.


Papel do Google

A Calico nasceu oficialmente em 2013, em um anúncio da gigante de tecnologia. Dois anos mais tarde, passou a pertencer à Alphabet Inc., um conglomerado de empresas que inclui Google, Google Capital, Google Ventures, Google X e Nest Labs. Na ocasião, alegou-se que era preciso deixar o Google se dedicar apenas à sua área de expertise.

Mas não é apenas a mão do Google que conduz a Calico Labs. À frente da companhia está Arthur Levinson, presidente da empresa de biotecnologia Genentech de 1995 a 2009 e hoje presidente do conselho da Apple.

O que esperar dessa combinação? O presidente do Google, Larry Page, deixou claro quando anunciou a criação da Calico. “Estamos empolgados em combater o envelhecimento e a doença. Essas questões afetam a todos nós, desde a diminuição da mobilidade e agilidade mental que vem com a idade até doenças que ameaçam a vida e que causam terríveis danos físicos e emocionais a indivíduos e famílias”.

E complementa: “E enquanto esta é claramente uma aposta de longo prazo, acreditamos que podemos fazer um bom progresso dentro de prazos razoáveis com as metas certas e as pessoas certas”.


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