Por Cláudia Lopes Carvalho 

A longevidade em pessoas com Síndrome de Prader-Willi é um assunto recente e pouco discutido, principalmente no Brasil. O processo de envelhecimento ocorre de maneira precoce e a pessoa pode apresentar maiores chances de desenvolver doenças associadas ao processo senil. Os primeiros sinais começam a aparecer por volta dos 40 anos de idade e são provocados por alterações endócrinas, além do uso de medicações controladas desde a infância. As principais características são mudanças no comportamento e humor, além de prejuízos cognitivos, comunicativos e perdas no desempenho funcional.

Diante das necessidades de atenção e cuidados, é importante a adoção de algumas medidas como: reconhecimento precoce dos sinais sugestivos de envelhecimento, monitoramento do perfil funcional longitudinal, acompanhamento das áreas da vida em que ocorrem os maiores declínios funcionais, mensuração do impacto de doenças pré-existentes, aumento do suporte ao paciente e apoio aos cuidadores e familiares.

É necessário também o acompanhamento constante das condições de saúde do paciente, com o objetivo da identificação precoce de doenças que possam agravar os prejuízos funcionais. Assim, a equipe médica poderá direcionar o tratamento de acordo com a necessidade de cada pessoa.

A avaliação detalhada das condições clínicas, o planejamento de vida e a intervenção precoce devem ser realizados antes da idade cronológica convencional, que é em torno dos 60 anos. Pessoas que envelhecem com Síndrome de Prader-Willi necessitam de atenção e cuidados diferenciados se comparados aos idosos sem a doença.

Atualmente, segundo estudos, é crescente o número de pessoas com Síndrome de Prader-Willi com mais de 60 anos. Na literatura especializada em envelhecimento e deficiência intelectual encontram-se vários casos descritos de homens e mulheres nessas condições, o que reflete mudanças na pirâmide etária, quebra de paradigmas e aponta um novo cenário propício à promoção da saúde e da qualidade de vida dessas pessoas. 

 Considerar os aspectos acima descritos pode corroborar para a diminuição do impacto dos danos causados pelo envelhecimento precoce, contribuir para o aumento da longevidade e fomentar a importância da promoção da qualidade dos anos vividos.


*Cláudia Lopes Carvalho é graduada em Fonoaudiologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Tem MBA em Gestão Estratégica da Saúde, especialização em fonoaudiologia clínica com ênfase em Neurolinguística pela Universidade de São Paulo – USP; especialização em Reabilitação Neuropsicológica/Cognitiva pelo Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas – FMUSP; aprimoramento em Gerontologia pelo Hospital do Servidor de São Paulo. Tem experiência também na área de Fonoaudiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Deficiência Intelectual e Envelhecimento Humano; Reabilitação Neuropsicológica/Cognitiva; Reabilitação da Comunicação e da Linguagem no adulto e no idoso. Atua como fonoaudióloga no Serviço de Envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO desde 2011.

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