O conceito atual de habilidades sociais engloba, além das características verbais e não-verbais das interações humanas, os elementos cognitivos de percepção e de processamento de informações. A pessoa socialmente adaptada deve ter não apenas conhecimento sobre a resposta adequada a cada situação, mas também sobre como essa conduta deve ou não ser repetida em outras ocasiões.

Para haver interação social é necessário um repertório de comportamentos que chamamos de habilidades sociais, que fornecem base para estabelecer vínculos. A aquisição dessas bases tem início no núcleo familiar, onde os pais ou cuidadores tornam-se referência. Dentro dessa percepção, salienta-se que se os pais apresentarem bom repertório de habilidades sociais, seus filhos contam com maior possibilidade de desenvolver boa interação social.

Contudo, quando se fala em deficiência intelectual, deve-se destacar que essas pessoas apresentam limitações importantes quanto aos aspectos funcionais, que acabam interferindo em áreas como a comunicação, relações sociais/interpessoais, uso de recursos da comunidade e independência, além de outras habilidades. A partir dessas dificuldades e limitações da pessoa com deficiência é importante que os pais e/ou cuidadores ofereçam respaldo diferenciado na transmissão da aprendizagem social.


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O destaque em relação às habilidades sociais se emprega pelo pressuposto de que é a partir delas que conseguimos construir interações e vínculos importantes para o desenvolvimento de sentimentos, atitudes, desejos, opiniões, direitos do indivíduo de modo adequado à situação e a disposição para resolver ou minimizar problemas futuros.

Dentro desse panorama, é importante destacar que além das habilidades de vida diária (treino de ir ao toalete, vestir-se ou alimentar-se, manejo de dinheiro e atividades domésticas), a pessoa com deficiência também seja orientada em programas dirigidos aos processos de interações sociais para promover encontros entre as pessoas. Além disso, avaliar as relações dos pais ou cuidadores com os filhos se mostra a maneira mais eficiente para expandir o desempenho interpessoal desses indivíduos.

A adaptação desses comportamentos e a melhor adequação ao meio social proporcionam evoluções significativas na autonomia da pessoa com deficiência intelectual e as consequências podem oferecer margem para um desenvolvimento humano com mais reserva cognitiva.

Deficiência intelectual

O conceito de reserva cognitiva se refere à capacidade do cérebro para tolerar lesões cerebrais, ou seja, é a habilidade do cérebro adulto para lidar com os efeitos de processos neurodegenerativos.

Ressalta-se que, por meio da reserva cognitiva, possibilitam-se melhores perspectivas para evolução profissional dos indivíduos e respaldo pessoal para decisões em sua vida cotidiana, como também para decisões em longo prazo, viagens ou passeios, cursos e a ampliação de redes sociais que vão além de seus familiares, incluindo os relacionamentos afetivos.

Tais vivências fazem parte do envelhecimento também da pessoa com deficiência intelectual. Nesta fase, é crucial que as redes de interação pessoal mantenham-se com qualidade para oferecerem ao indivíduo com deficiência suporte tanto social quanto psicológico para que essas pessoas não dependam somente de seus familiares.

A partir desse apoio, suporte e fortalecimento, as pessoas em processo de envelhecimento constroem repertório comportamental, psicológico e social para lidar, principalmente, com as perdas e lutos que são situações importantes nessa fase da vida.


Karyny Nascimento Ferro é graduada em Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo. Tem Aprimoramento/Especialização em Psicologia Hospitalar pela Universidade de São Paulo – USP; especialização em Neuropsicologia e formação em Reabilitação Cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Tem experiência também na área de Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Deficiência Intelectual e Envelhecimento Humano; Reabilitação Neuropsicológica/Cognitiva. Atua como Psicóloga no Serviço de Envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO desde 2018.

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