“Acaba logo, 2018!” e “esse ano passou voando!”. As duas frases são contraditórias entre si, mas reforçam um fato: apesar de o tique-taque das horas ter a mesma velocidade para todo mundo, as pessoas têm diferentes percepções sobre o tempo. Ou seja, o ser humano pode percebê-lo de forma objetiva, mas a experiência é subjetiva – e é por isso que anos, meses, dias e fins de semana mais longos ou mais curtos dependem de cada indivíduo.

Do que depende essa noção maior ou menor de tempo? Das emoções e das expectativas de cada um, responde a psicóloga Maria Castanheira. “Momentos felizes ou tristes podem parecer passar mais rápida ou lentamente”, corrobora Luiz Victorino, professor de psicologia e doutorando em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB).

A também professora de psicologia e doutoranda da UnB Ligia Abreu Gomes Cruz acrescenta que características individuais, cultura e ambiente também interferem. Locais urbanos induziriam a pensar que o tempo passa mais rapidamente, enquanto ambientes de natureza provocariam o efeito oposto.

Confira, a seguir, algumas dicas para aproveitar melhor o tempo – e, quem sabe, tornar seus fins de semana mais longos.

1. Fuja da rotina

Ao fazer algo diferente, você força sua atenção e sua memória para elementos novos, dilatando sua percepção de tempo. Com o passar da idade, é natural uma queda nas funções cognitivas. Então, busque atividades que “reativem” o cérebro, como ler, fazer palavras cruzadas, conhecer lugares e pessoas, aprender e transmitir conhecimentos e praticar atividades físicas que gerem satisfação.


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“Uma das piores coisas que podemos fazer é repetir as mesmas rotinas, pois nosso cérebro tenta automatizar tudo para consumir menos energia. Temos que trabalhá-lo como se fosse um músculo e colocá-lo sempre para funcionar”, orienta Luiz, reforçando que variar a programação melhora não apenas a percepção do tempo, mas também ajuda a retardar o processo de envelhecimento.  

2. Viva hoje

Nos dias atuais, as pessoas são solicitadas a fazer várias atividades ao mesmo tempo. “Isso as impossibilita absorver detalhes de cada situação e prestar atenção nas próprias sensações e sentimentos”, sinaliza Maria.

Na avaliação da psicóloga, o mais importante é viver integralmente o tempo de que dispõe, seja fazendo coisas novas, seja olhando de maneira diferente para as que já faz. A dica é colocar-se no presente, sem se amargurar com aquilo que não realizou, visando outras possibilidades para alcançar seus objetivos.

3. Planeje seu ‘eu’

A estrutura da sociedade pós-moderna – superindustrializada, fluida e dinâmica – torna o amanhã incerto e flexível, dificultando pensar em longo prazo, segundo Ligia. Ela diz que a ausência de perspectiva de futuro gera frustração no indivíduo, que tende a achar que suas ações presentes não são suficientes e, assim, se afasta da tarefa de planejar seu ideal de médio e longo prazos. Quem leva a culpa? O tempo (ou a falta dele).

“Na impossibilidade de visualizar o futuro, a pessoa se prende ao presente – e ele não dá conta de tudo”, esclarece a docente. Imagine que você queira emagrecer, mas só consegue dar uma corridinha no domingo. O resultado não será imediato, porque perder peso é um projeto de longo prazo. “Se você entende que a corrida dominical é uma pequena parte para atingir um ideal futuro, sua percepção de tempo muda. Em vez se apegar aos 30 minutos, pense que repetirá isso por 50 domingos”, completa.

4. Encontre um propósito

Estudos mostram que pessoas em busca de objetivos que lhes tragam satisfação tendem a ver o tempo passar de forma mais lenta e prazerosa. Ligia aconselha a desenvolver uma noção muito clara do ideal de vida e prestar atenção às oportunidades. Não quer dizer que a pessoa precise ser rígida, a ponto de descartar tudo o que não tem a ver com seus objetivos, mas que também não seja tão flexível, perdendo o foco e, claro, o tempo.

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