Ela começa discreta, na região mais inferior da coluna vertebral, pouco acima das nádegas, na altura da cintura. Vai aumentando progressivamente e agravando com a mobilidade da região, levando à contratura muscular. Às vezes some e retorna depois de algum tempo; às vezes desencadeia uma crise. A dor na lombar é mais comum do que se imagina.

Depois da cefaleia, ela é a segunda maior causa de consultas a especialistas.

Segundo Joel Augusto Teixeira, neurocirurgião responsável pela Clínica da Dor do Hospital Cema, de “60 a 70% da população vai apresentar lombalgia ao longo da vida”. O médico acupunturista Vicente Ruiz diz que esse número chega a 90% e “é uma preocupação importante de saúde pública”.

“A persistência dos sintomas passa a ser um fator extremamente limitante sob o ponto de vista social, afetivo ou profissional, gerando grandes distúrbios secundários, como os de ordem emocional”, pondera Ruiz.

Cadastre-se aqui e tenha acesso a descontos em medicamentos

 

Causas da dor na lombar

As causas são muitas: artrite das articulações entre as vértebras; doença dos discos intervertebrais; hérnia de disco; inflamação da bacia; dor de músculos, bursas e tendões da musculatura lombar; ou renal, entre outras. “Há também outras mais graves, como fratura, infecção ou tumor na coluna”, lista Teixeira.

Vários fatores de risco contribuem para o aparecimento da dor na lombar, dos genéticos aos antropológicos, diz o acupunturista. “A sociedade moderna largou o trabalho pesado pelo trabalho repetitivo e em posição inadequada”, justifica. Em outras palavras, a má postura é a principal causa da lombalgia.

Ela também pode ser consequência de outras doenças, como a obesidade; do sedentarismo ou do exagero em aulas de musculação. E até mesmo de estados depressivos. Com o passar dos anos, segundo Teixeira, “há maior prevalência da lombalgia, pois aumenta também a incidência de doenças degenerativas da coluna e a osteoartrose”.

Tratamentos da dor na região lombar

O tratamento depende da causa, e exames como raio-X, tomografia e ressonância magnética muitas vezes são necessários para fechar o diagnóstico. “A maioria começa com analgésicos e anti-inflamatórios, repouso e eventualmente calor local”, explica o neurologista. “Fisioterapia e acupuntura podem ser indicadas de acordo com a causa e a severidade.”

Na acupuntura, afirma Ruiz, “os resultados são muito parecidos aos dos tratamentos alopáticos, no sentido do alívio da dor, com a vantagem de não utilizar drogas que geralmente provocam efeitos colaterais”. É recomendada para pacientes alérgicos a analgésicos e anti-inflamatórios, bem como aos com problemas hepáticos ou renais, quando estas drogas, muitas vezes, são totalmente contraindicadas”.

Apesar de parecer doloroso, o tratamento com agulhas “geralmente não é, sendo que, em alguns casos, a dor da picada é rápida e de moderada intensidade, bem diferente da dor de uma aplicação de medição intramuscular”, compara Ruiz. Os pontos são escolhidos conforme cada caso e também em função da posição que o paciente consegue ficar durante a sessão.

Os dois especialistas, no entanto, são unânimes ao afirmar: se a dor na lombar for persistente, procure um médico para afastar doenças graves e receber um tratamento adequado. Analgésicos e anti-inflamatórios, se tomados a médio e longo prazo, têm riscos.

“Os principais são complicações gástricas e intestinais, como gastrites e colites. Um número de pacientes, o qual não é pequeno, desenvolve insuficiência hepática e/ou renal. Em outro número menor, temos casos de intoxicação e/ou desenvolvimento de algum tipo de alergia e até choque anafilático pelo uso indiscriminado”, alerta Ruiz.

Leia também: Uma dor jamais deve ser considerada normal, diz especialista

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: