Assim como seus músculos e sua pele, seus olhos também passam por envelhecimento. Esse processo inclui o cristalino, uma lente ocular localizada atrás da íris. Com o tempo, ele pode perder a transparência. E aí surge a responsável por um dos principais casos de cegueira reversíveis no mundo: a catarata.

Trata-se de um processo natural, segundo a oftalmologista Camila Dellatorre, do Hospital INC. “Na catarata senil, o cristalino vai sofrendo multiplicação e compactação, indo de transparente a opaco”, explica a médica. “Todos, com o envelhecimento, estão propensos a desenvolvê-la.”

“Não há o que possamos fazer para evitar”, reforça Ana Paula Canto, oftalmologista da Clínica Canto. E aí chegam os sintomas: sensação de visão embaçada, alteração contínua da refração (grau dos óculos), maior sensibilidade à luz, espalhamento dos reflexos ao redor das luzes e percepção que as cores estão desbotadas.


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Como reduzir o risco de ter catarata

Mas existem fatores que contribuem para o desenvolvimento do problema, segundo o oftalmologista Victor Bastos Navarro da Cruz Filho, especialista em catarata do Hospital do Olho de Rio Preto (Horp). Conheça, a seguir, alguns deles.

1. Uso de corticoides

“O principal medicamento que está relacionado ao desenvolvimento da catarata é o corticoide, tanto o injetável, quanto o de uso por comprimido ou até mesmo o utilizado via nasal para tratamento de rinite alérgica”, alerta Ana Paula.

2. Tabagismo

O cigarro está relacionado a uma série de doenças, desde câncer até infarto. Nessa lista está também a catarata.

3. Consumo de álcool

Assim como o cigarro, a ingestão excessiva de álcool também pode provocar o aparecimento da catarata.

4. Ausência de óculos de sol e chapéu

Ainda que não haja comprovação de que lentes com proteção UV ou chapéus contribuam para prevenir ou retardar o aparecimento da doença, os médicos recomendam usá-los, já que a radiação UV está ligada ao desenvolvimento da catarata.

No caso dos óculos, é preciso ter cautela na compra. “Sem certificação [de proteção contra os raios UV], é melhor nem usar, pois podem tirar os mecanismos de proteção naturais do organismo”, orienta Camila.

5. Descontrole de doenças

Pacientes diabéticos que têm a doença descompensada, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver a doença.

6. Uveítes (inflamação na úvea do olho) e traumas

“Podem ser causas de catarata tanto as uveítes infecciosas, quanto as de origem imunológica. Traumas contusos ou perfurantes também podem ser causas de catarata, assim como choques elétricos”, lista Ana Paula. O recomendado é manter visitas regulares ao oftalmologista e buscar tratamento. 

Sem comprovação

Alguns estudos mostram uma relação da vitamina C com a proteção no desenvolvimento da catarata senil. “O maior consumo de certas vitaminas, como a C e carotenoides, foi associado a uma diminuição significativa do risco de catarata relacionada à idade em estudos de corte, mas as evidências em estudos randomizados são menos claras e não confirmatórias”, afirma Ana Paula. Portanto, complementa ela, ainda não é possível afirmar que retardem ou previnam o surgimento do problema.

Tratamento

A cirurgia – manual ou a laser – é a forma de tratar a catarata. Na operação, são feitas a retirada dessa lente opaca e a substituição por uma lente intraocular artificial. “Não existem colírios ou exercícios oculares que curem a catarata”, ressalta Ana Paula.

O tipo de lente intraocular que será implantado varia conforme o quadro. “Mas, na maioria dos casos, a pessoa não precisa mais de óculos”, diz Camila, acrescentando que isso exclui a presbiopia, que continuará a demandar lentes.

Pós-operatório

A recuperação exige que o paciente fique de 20 a 30 dias sem fazer esforço e sem abaixar a cabeça. “Será preciso usar colírios, ainda que a incisão seja pequena, para inflamação e para prevenir infecção”, finaliza Camila.


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