Solidão é um problema que atinge pessoas de qualquer idade, mas que afeta em especial os mais velhos, por diferentes motivações – principalmente, pelo isolamento social. Estudos diversos mostram que 1 em cada 3 pessoas em países ocidentais sente-se sozinha com frequência.

A situação é tão crítica que o Reino Unido instituiu em janeiro deste ano um ministério focado nesse "drama moderno". O cargo de "Minister for Loneliness" (Ministro para a Solidão, na tradução livre) vem sendo ocupado por Tracey Crouch, que assumiu a pasta com o objetivo de criar ações para amenizar esse sentimento que afeta pelo menos 9 milhões de pessoas, grande parte com idade avançada, naquele pedaço da Europa.

O problema não é exclusividade deles. Pesquisa divulgada em outubro de 2017, realizada em 10 capitais brasileiras pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seccional São Paulo (SBGG/SP), em parceria com a Bayer, revelou que o maior medo dos brasileiros com mais de 60 anos de idade é a solidão.

Por que tanta preocupação? A resposta está diretamente ligada ao maior risco de doença cardíaca, diabetes e câncer, só para começar. "Ao se deparar com a falta de alguém para falar de seus sentimentos, do seu cotidiano, pode ocorrer o embotamento afetivo, ficando o idoso à deriva com seus medos e anseios", pondera a psicóloga Samantha Sittart, idealizadora do projeto Desafios da Terceira Idade, no Rio Grande do Sul.

Não é só o Reino Unido que tem se movimentado para combater o que a primeira-ministra britânica Theresa May descreveu como “a triste realidade da vida moderna”, quando divulgou a novidade governamental. Outras iniciativas também trabalham para combater e evitar a solidão entre os mais velhos.

Na Galícia, norte da Espanha, o até pouco tempo desativado convento de San Francisco de Betanzos foi disponibilizado para abrigar pessoas "que estão ou se sentem sozinhas". No projeto, batizado de Família Aberta (http://www.familiaaberta.org/), os participantes passam o dia juntos, fazem todas as refeições, compartilham a lavanderia e dividem os gastos, entre outras atividades. E, mais importante, fazem companhia uns aos outros dentro de um espaço de autogestão.

É também da Espanha o projeto Adopta un Abuelo (https://www.adoptaunabuelo.org/), que começou em Madrid e já foi implantado em outras cidades. A ideia é que as pessoas adotem uma pessoa que vive em asilos, com visitas frequentes e companhia para os mais velhos que não têm parentes.

Na Inglaterra, o ONG Equal Arts colocou em prática o projeto HenPower (https://www.equalarts.org.uk/our-work/henpower) (literalmente, "poder da galinha"), que leva aves para casas de repouso para que sejam tratadas como bichos de estimação e alegrar o dia do pessoal que vive em cerca de 20 instituições.

No México, o projeto Vida Alegre (http://www.vidaalegre.org/), comandado pela ativista transexual Samantha Flores, está buscando recursos para criar uma casa e receber a comunidade LGBT, sem família e que se sente sozinha. Ali, os atendidos poderão compartilhar seu dia a dia, dentro de uma comunidade não mais solitária, assistida em todas suas necessidades.

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Por aqui, em Porto Alegre, o projeto Desafios da Terceira Idade (https://www.samanthapsicologa.com.br/desafios-da-terceira-idade), idealizado pela psicóloga Samantha Sittart, dá voz aos sentimentos e prepara as pessoas a encararem a terceira idade como uma dádiva, trabalhando os aspectos psicológicos que afloram nessa fase da vida, incluindo aí a prevenção do sentimento de solidão.

Já o projeto História Viva Ouvir e Contar (http://historiaviva.org.br/site/projetos/historia-viva-ouvir-e-contar), do Instituto História Viva, em Curitiba, aproxima crianças e idosos através da contação de histórias. Os mais velhos relatam suas histórias para um grupo de ouvintes, que as transformam em contos de fadas e, posteriormente, são contadas para crianças em hospitais ou casas-lares. Os pequenos são convidados a fazer desenhos, poesias ou músicas a partir do que ouviram e o resultado é entregue ao autor da história, fazendo-o se sentir valorizado.

A iniciativa privada também está, cada vez mais, oferecendo opções para quem se sente sozinho. Além da tradicional acolhida oferecida por lares e casas de longa permanência, muitos espaços têm oferecidos “day use” (ou “day care”) para que as pessoas possam frequentar suas dependências ou mesmo se hospedar, como se estivessem em um hotel. É o caso do Sollar Ville Garaude (http://solarville.com.br/), do residencial sênior Terça da Serra (http://tercadaserra.com.br/) e da Vila Ipê (http://vilaipe.com.br/), todos com programação especial para quem pretende usufruir das instalações e atividades numa única ocasião.

Tudo isso sem contar as iniciativas "pessoais". São vários os grupos de amigos que têm se organizado e preparado estrutura para viverem juntos, no que chamam de “cohousing” (ou “coliving”), experiência baseada na economia colaborativa entre as pessoas que vivem juntas. As "empreendedoras 6.0", cuja história já foi contada aqui (https://institutomongeralaegon.org/casa-e-familia/empreendedoras-6-0-criam-modelo-de-moradia-contra-a-solidao-na-velhice), são bons exemplos.

Está se sentindo só? Faça atividades que ofereçam companhia

A solidão não precisa ser a única parceira de quem passou dos 60 anos de idade. Bem ao contrário, há muitas alternativas e oportunidades que oferecem companhia.

As psicólogas Ellen Moraes Senra, Samantha Sittart (do "Desafios da Terceira Idade") e Franciele Schmitz (da "Home Angels Blumenau") dão algumas ideias:

  1. Faça atividades físicas. Pode ser hidroginástica, dança de salão, pilates… As aulas estão sempre cheias de gente animada e com os mesmos objetivos que os seus.
  2. Crie hábitos saudáveis, como andar a pé até a padaria ou ao mercadinho na esquina. É sempre uma ótima chance para conversar com os vizinhos.
  3. Ofereça ajuda. Se a família não te visitar com frequência, sugira passar um ou dois dias por semana na casa dos filhos, ajudando a cuidar dos netos.
  4. Resgate um hobby antigo ou descubra um novo, como tocar violão ou cantar no coral. Dê preferência para atividades em turmas.
  5. Frequente grupos de artesanato e leitura semanalmente.
  6. Faça viagens em grupo. Muitas operadoras disponibilizam pacotes exclusivos para pessoas mais velhas.
  7. Aposte em terapia. Conversar sobre os sentimentos com profissionais ajuda bastante.
  8. Recorra à tecnologia. Use redes sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp para conversar com a família e os amigos distantes. As chamadas de vídeo, que dispensam digitação, têm cada vez melhor qualidade.
  9. Faça voluntariado. Você se ajuda, ajuda a outras pessoas e pode até descobrir uma nova atividade que lhe desperte prazer.
  10. Espere sempre o melhor. Pensamentos e atitudes positivas geram o sentimento de aceitação, necessário para viver bem essa fase da vida.

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