Quer viver 85,8 anos? Então faça suas malas e mude-se para a Espanha. Ela desbancou o Japão e será o país com maior expectativa de vida em 2040, segundo estudo da Universidade de Washington, que analisou a longevidade em 195 países, incluindo o Brasil.

Diabetes, hipertensão, obesidade e consumo de álcool e tabaco são os maiores riscos à saúde, de acordo com o Instituto de Medições e Avaliação de Saúde (IHME), que fez as previsões.

Se as tendências atuais se mantiverem, as projeções indicam que, daqui a 22 anos, 59 países devem atender ou exceder uma expectativa de vida de 80 anos, e a população ao redor do mundo vai viver, em média, mais 4,4 anos.


RANKING DA LONGEVIDADE 

1. Espanha (85,8 anos)

2. Japão (85,7 anos)

3. Cingapura (85,4 anos)

4. Suíça (85,2 anos)

5. Portugal (84,5 anos)

6. Itália (84,5 anos)

7. Israel (84,4 anos)

8. França (84,3 anos)

9. Luxemburgo (84,1 anos)

10. Austrália (84,1 anos)


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O maior retrocesso em um país rico será registrado pelos Estados Unidos, com uma queda de 43º para 64º lugar, explicada por um aumento na expectativa de vida de apenas 1,1 ano, para 79,8 anos. Já a China subirá de 68º para 39º lugar (81,9 anos).

Bolívia, Brasil, Panamá e República Dominicana, diz o estudo, “tiveram um dos maiores ganhos previstos em longevidade na América Latina e no Caribe, cada um aumentando a expectativa de vida média em pelo menos três anos até 2040”.


Os piores cenários

Longe do cenário positivo, a longevidade pode diminuir em quase metade dos países, com apenas 57 registrando aumento de um ano ou mais. A maior queda em números mundiais foi encontrada na Palestina, que saiu do 114° para o 152° lugar.

O estudo revela o contínuo abismo na expectativa de vida entre os países com melhor e pior classificação. Espera-se que na nação com menor índice, Lesoto, na África Austral, a população viva apenas 57,3 anos em 2040, seguido da República Centro-Africana, com 58,4 anos, do Zimbábue, com 61,3 anos, e da Somália, com 63,6 anos. A equipe do IHME alerta que a maior incidência de casos de HIV/Aids poderia diminuir ainda mais esses números.

Publicado no periódico científico “Lancet”, o estudo analisou dados do projeto 2016 Burden of Diseases, para gerar previsões até 2040. Os fatores que devem causar a maioria das mortes prematuras, além do consumo excessivo de álcool e tabaco, são a obesidade, a hipertensão e a diabetes.

“Progressos significativos ou estagnação dependem de quão bem ou mal os sistemas de saúde abordam os principais condutores de saúde", disse à CNN Kyle Foreman, diretor de ciência de dados do IHME e principal autor do estudo. “O futuro da saúde mundial não é pré-ordenado, e há uma ampla gama de trajetórias plausíveis."


O exemplo da Espanha

A Espanha é um dos vários países europeus a oferecer cuidados de saúde financiados por impostos, com o sistema de saúde classificado como o sétimo melhor do mundo pela Organização Mundial de Saúde.

Além disso, o Ministério da Saúde da Espanha custeou o estudo Predimed, a maior investigação sobre os benefícios da dieta mediterrânea, conhecida por fornecer proteção cardiovascular e melhorar o funcionamento cerebral. “O padrão alimentar pode desempenhar um papel fundamental”, afirmou Christopher Murray, da Universidade de Washington, ao jornal britânico “The Guardian”.

Fabio Campos Leonel, geriatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ressalta que, quando o assunto é envelhecimento, é preciso pensar em qualidade de vida. “A expectativa de vida tem muita relação com saúde – mas não só isso!”

“Quando pensamos na Espanha, referência em políticas públicas sustentáveis, educação e saúde, temos que levar em conta, também, a alimentação, o clima, o estilo de vida. Precisamos parar de pensar somente no aspecto financeiro e nas doenças. Estilo de vida, comida, bebida, artes, suporte social, relacionamentos... a Espanha nos mostrará, em breve, o que realmente importa.”


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