Durante dois dias, gestores públicos e representantes de empresas e instituições públicas e privadas com interesse pelo tema da Longevidade participaram do workshop “Longevidade nos Municípios: desafios para as políticas públicas”. O evento, promovido pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, aconteceu nos dias 17 e 18 de julho, na sede da Universidade Corporativa Mongeral Aegon, com o objetivo de apresentar e debater as práticas que estão sendo adotadas pelas prefeituras de cidades avaliadas no Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL). A ferramenta, desenvolvida pelo Instituto de Longevidade em parceria com a Fundação Getulio Vargas, serve para mensurar o bem-estar dos idosos nas cidades brasileiras.

A realização do workshop foi parte de um conjunto de ações para lançamento do projeto Gestão Pública para Longevidade (GPL), que tem como objetivo desenvolver e oferecer um treinamento a gestores públicos municipais para que as cidades estejam preparadas para os desafios de uma população cada vez mais longeva.


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“A ideia foi criar uma rede de troca e aprendizado, compartilhando conhecimentos e boas práticas para gestão e atração de investimentos”, explicou o gerente institucional do Instituto de Longevidade, Antônio Leitão. “Pela qualidade dos debates e das apresentações a que presenciamos, tenho certeza que nosso objetivo foi plenamente atingido”, comemorou Leitão.

Para a coordenadora de Políticas para o Idoso da Prefeitura de Santos (SP), Ana Bianca Ciarlini, o evento se traduziu em uma oportunidade para a troca de conhecimento na parte científica e de informações entre governos.

Entre as cidades grandes, Santos foi a que obteve melhor colocação no IDL. Para Ana Bianca, a conquista se deu porque existe uma preocupação constante da administração em tornar a cidade um lugar melhor para moradores e visitantes.

“Temos uma política de atenção integral à pessoa idosa, com serviços e ações que são instalados em várias das nossas secretarias, o que possibilita um atendimento muito maior para a comunidade”, explica. De acordo com a coordenadora, as ações não se limitam às áreas internas dos prédios do governo, mas ultrapassaram essas fronteiras, acontecendo também em áreas públicas. “Por sermos uma cidade plana, termos uma orla, a gente propicia também essas atividades na praia, como o surfe, as próprias aulas de ginástica, ornamento, técnicas que desenvolvem o bem-estar e a qualidade de vida. Mas ainda há muito trabalho para ser feito”, garante.

Também participou do evento o coordenador do curso de graduação em Administração Pública da FGV-SP, Fernando Abrucio. Formado em ciência política, Abrucio finalizou sua palestra apontando três mecanismos capazes de potencializar mudanças nas políticas públicas.

"Se você não sabe em que lugar está, você não pode produzir mudanças"

“Eu acho que as mudanças nas políticas públicas demoram mais do que a gente gostaria. Elas são geralmente incrementais. Mas há mecanismos que podem acelerá-las. O primeiro é Liderança, gente que naquela área produz conhecimentos, boas experiências e seja capaz de convencer mais pessoas, disseminar aquelas soluções”, afirmou o professor. Para ele, o Brasil só foi capaz de derrotar a inflação com o Plano Real e atacar a extrema pobreza com o Bolsa Família devido a lideranças que levaram a essa tomada de decisão.

“Segundo, você tem que ter um projeto, o que significa ter um diagnóstico, um prognóstico articulado. Se você não sabe em que lugar está, você não pode produzir mudanças. Então tem que ter um bom diagnóstico e a capacidade de dizer, a partir daquele diagnóstico, que medidas tomar. Precisa também comunicar aquele diagnóstico”, declarou. “E terceiro, a capacidade de institucionalizar as mudanças. Transformar, não só em leis, mas em práticas”. Segundo Abrucio, só é possível acelerar a velocidade das mudanças se houver atuação no campo da política.

Para a pesquisadora da PUC-Rio Vera Damázio, qualquer ação voltada para a melhoria de vida das pessoas, e mais especificamente para a população com mais de 50 anos, com foco no aumento da expectativa de vida, é completamente crucial e inadiável.

“Como todos sabem, a população está envelhecendo rápido e acho que as áreas ainda não se deram conta disso. Esse movimento do Instituto de Longevidade é urgente”, declarou. Na opinião da especialista, é preciso conhecer a fundo a população com mais de 50 anos e entender suas necessidades. “Temos que ir a campo, entender quem é essa pessoa que a gente quer que viva muito e com qualidade”, pontuou.

O próximo passo será a realização do Curso de Gestão Pública para Longevidade, em novembro deste ano. Até 100 gestores públicos de municípios avaliados no IDL 2017 serão capacitados  para usar o diagnóstico gerado pelo IDL na criação de melhores práticas e políticas voltadas para a população idosa em cidades. Também será apresentada uma metodologia de gestão de processos que suporta a criação, o desenvolvimento, o acompanhamento e o monitoramento de projetos. “A ideia é que, ao receber esse conteúdo, os participantes trabalhem para aprimorar os pontos críticos do bem-estar para longevidade identificados pelo IDL em seu município”, afirmou Leitão.

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