Imagine o som de um compasso enquanto está de pé, em frente a uma cadeira. Com a baqueta da mão direita, bata no encosto. Depois com a esquerda. Novamente com a direita. Continue os movimentos e comece a fazer o formato de um quadrado com a ponta do pé direito. Tudo sempre coordenado com o ritmo das batidas. 

Esse é apenas um dos exercícios que 18 pessoas com mais de 60 anos de idade fizeram no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, em uma tarde ensolarada de agosto. A aula: bateroterapia, uma técnica desenvolvida pelo brasileiro Gus Conde, que combina bateria, fisioterapia e terapia. A sessão é a terceira de um curso de um mês, com duas aulas semanais de duas horas de duração cada uma.   

Aula de bateroterapia no Sesc Bom Retiro, em São Paulo; crédito: Ormuzd Alves 

Difícil? É, sim. E, quando os alunos estão quase conseguindo acompanhar os movimentos, Gus troca a ordem das batidas ou muda o exercício para trabalhar a memória, o equilíbrio e a consciência corporal. “A gente não consegue chegar lá, mas está ótimo. Estou adorando”, conta a aposentada Maria Gabriela Rodrigues Lameira, 75 anos. 

“Seu comparativo é você” 

Gus explica: “Alguns exercícios são justamente para ver quem está mais rápido – ler a turma e saber que tenho que mudar”. Segundo ele, se esperar muito em uma mesma dinâmica “um senta, outro fica desmotivado”. Ou, pior, começa a comparar o desempenho com o do colega – o que é proibido na aula. “Seu comparativo é você”, repete o professor. 

A bateroterapia foi desenvolvida por ele quando morava nos Estados Unidos. Disposto a ajudar um senhor que queria aprender bateria, mas que não tinha rotatividade no corpo e alongamento nos membros, Gus criou uma série de exercícios que focam a memória muscular.  

E aprimorou a técnica com a ajuda da Universidade de Los Angeles. Em 2011, de volta ao Brasil, contou também com o apoio da equipe de fisioterapeutas da Unimed. “A bateroterapia é 100% brasileira, embora tenha surgido nos Estados Unidos”, diz ele, “e pode ser praticada por todos os públicos, incluindo crianças e pessoas mais velhas”.  

bateroterapia Exercícios de bateroterapia envolvem baquetas e bexigas; crédito: Ormuzd Alves

Aliada a movimentos de fisioterapia, a bateroterapia busca a melhora de foco, concentração, equilíbrio, agilidade física e mental, coordenação motora, memória e postura. E tudo isso em poucas aulas, assegura Gus. “Os resultados são melhores quando a prática é frequente – de uma a duas vezes por semana é o suficiente. Entre quatro e cinco semanas, a pessoa consegue ver resultados notáveis”, assinala o professor.  

“Animei para continuar porque os exercícios me deixaram mais disposta” 

Mas há quem, como a aposentada Ninfa Lopes, 67 anos, tenha sentido os benefícios já na terceira aula. “A bateroterapia é maravilhosa, em todos os aspectos: coordenação, alongamento, memória. A gente sentiu muita diferença”, relata. 

“Animei para continuar porque os exercícios me deixaram mais disposta”, afirma a aposentada Vera Santos, 68 anos. “Equilibrar ainda é difícil, mas a memória está melhor”, assinala a dona de casa Maria de Fátima Félix, 70 anos. 

“Há melhora em pequenas coisas do dia a dia, que muitos podem não ver como uma grande conquista, mas que são relevantes para quem consegue”, afirma Gus, acrescentando que essas vitórias vão desde conseguir pegar objetos que estão sobre a geladeira sem o auxílio de um banquinho até memorizar mais facilmente números de telefone. 

As aulas começam com um bate-papo, em que os participantes relatam os desafios das “lições de casa” deixadas por Gus. Há quem tenha derrubado parte do arroz que estava na panela ao tentar trocar a mão direita pela esquerda. E quem relate que foi mais simples lembrar três reportagens do noticiário. 

Único homem da turma do Sesc Bom Retiro, o aposentado Hugo Sepulveda, 73 anos, diz que chega “meio constrangido à aula”. De fato, ao chegar, ocupou um espaço no canto da sala. Depois, já estava enturmado para os exercícios. “Gosto demais. Está melhorando a coordenação e o equilíbrio”, destaca. 

bateroterapia Alunas na aula de bateroterapia no Sesc Bom Retiro, em São Paulo; crédito: Ormuzd Alves

Se ele – como parte da turma – entra quieto, deixa a sala de outra maneira. Os 18 alunos riem, relatam suas dificuldades na aula com bom humor e se despedem. “Até a próxima aula.” 

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