Já passamos a contar com uma expectativa de vida mais longa. Porém, é preciso se preparar para isso. E, aqui, não falamos apenas da saúde. A questão passa também pelo bolso. E, para assegurar um futuro sem sobressaltos no orçamento, os especialistas dão dicas para trilhar o caminho da longevidade financeira, que é a capacidade de uma pessoa dispor de recursos financeiros por todo o seu ciclo de vida, garantindo um padrão de conforto material definido por ela mesma. E isso com base em quatro pilares: ganhar mais, gastar bem, poupar certo e investir melhor.

Por sinal, planejamento é a palavra-chave para desfrutar de uma aposentadoria financeiramente tranquila. “As pessoas precisam entender que, se querem manter um padrão de gastos relativamente constante e confortável ao longo do tempo, precisam sacrificar o consumo presente para conseguir consumir no futuro”, afirma Juliana Inhasz, professora e coordenadora da graduação em economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).


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Trocando em miúdos, o que a especialista recomenda, mesmo, é poupar. Saber o quanto guardar é uma conta mais complicada. Ela vai depender dos rendimentos presentes e do percentual deles que pode ser economizado sem comprometer a qualidade de vida no tempo presente.

Comece o quanto antes a poupar

No entanto, independentemente da renda, é possível afirmar que o melhor é começar o pé-de-meia da longevidade financeira o quanto antes. “O problema é que grande parte das pessoas se esquecem de que o período da juventude em que elas vão crescer profissionalmente passa muito rápido”, ressalta Juliana. “Tem gente que acha melhor esperar os 30 anos para fazer uma poupança e, quando pisca, já chegou aos 40 ou aos 50. Aí já não dá mais tempo para constituir uma reserva tão bacana para a aposentadoria. Quanto mais perto dela a pessoa começar a poupar, maior será o seu sacrifício para conseguir juntar a quantia necessária.”

Renan Pieri, professor de economia da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), corrobora essa análise. “É necessário desenvolver uma mentalidade poupadora sobretudo na fase mais produtiva da vida”, diz Pieri. “O ciclo de renda do indivíduo é ascendente até atingir determinado status em um período mais maduro, o que acontece em geral dos 35 aos 50 anos de idade”, calcula. O indicado é já começar a poupar antes dessa faixa etária.

Longevidade financeira: como escolher os investimentos

Outra variável importante dessa equação é como aplicar o dinheiro. “Em tese, esses recursos não devem ficar na poupança, porque, além de ser um investimento que paga muito pouco, o dinheiro pode ser acessado em um curto prazo e fica disponível para o trabalhador sem muitos entraves”, orienta Juliana. “Assim, à menor necessidade, ele vai lá e saca o saldo que seria para a aposentadoria. Quem não tem muito controle financeiro deve manter o dinheiro longe dessa facilidade de resgate.” 

Pieri menciona como boa alternativa de investimento os próprios planos de previdência privada, justamente por obrigarem o indivíduo a ficar com o recurso guardado por bastante tempo. “Há uma série de penalidades se ele é resgatado antes do previsto”, diz. “Mas essa opção não tem um rendimento tão bom. O melhor é diversificar os investimentos, mantendo boa parte em renda fixa, nos títulos de dívida pública, mas reservar uma quota para renda variável ou outros. Contar apenas com a previdência do governo é muito difícil.”

As próprias empresas, frisa Juliana, oferecem planos de aposentadoria privada estabelecidos em conjunto com os funcionários – e eles costumam ser vantajosos. “Em geral, as companhias aportam um montante em favor do empregado nesses programas, o que acaba proporcionando a ele retornos maiores que os de mercado.”

Minimize os riscos

Mas atenção: ao escolher um tipo de aplicação para a longevidade financeira, é preciso dosar bem o seu nível de risco. “Dinheiro de aposentadoria não precisa render uma fortuna”, avalia Juliana Inhasz. “Não é para ser colocado em investimentos muito arriscados, porque a ideia é mais a de garantir o futuro e fazer uma manutenção do patrimônio. É melhor buscar, assim, alternativas mais seguras.” 

longevidade financeira

Crédito: Lovelyday12/Shutterstock

E ainda, se possível, recomenda-se estabelecer uma margem de fundos para imprevistos durante a fase mais madura da vida. “Esse provisionamento extra é importante para o surgimento de coisas inesperadas, que vão além das despesas cotidianas. Se elas acontecerem, será melhor estar preparado.”

Planeje a carreira

Mais um ponto destacado pelos especialistas diz respeito aos objetivos traçados para a própria carreira profissional. “A pessoa precisa saber se, a partir do momento em que se aposentará, realmente vai querer sair do mercado ou não”, explica Juliana. “Quem tem o objetivo de continuar a trabalhar precisa colocar isso no cálculo, já que não terá de contar apenas com a aposentadoria. Mas, nesse caso, será necessário pensar em sua produtividade futura”, diz.

O que, como bem lembra Renan Pieri, envolve a preocupação com a atualização constante das competências profissionais. “Acabou aquele tempo de a pessoa concluir um ciclo de aprendizado e estar preparada para o mercado até o final de sua carreira”, reforça. “Com o avanço tecnológico cada vez mais frequente, é necessário aprender continuamente novas técnicas e o uso de novas ferramentas para se manter ativo na profissão.”

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