A melhor herança material que alguém pode deixar para os filhos é a independência financeira. É esse objetivo que estimula a pessoa a poupar com a disciplina necessária e fazer as melhores escolhas para garantir o futuro.

“O planejamento financeiro é um processo de consciência e empoderamento pessoal. Sabendo qual é o objetivo, fica fácil analisar como e se é mesmo plausível acumular certo nível de patrimônio que garanta essa meta e saber as ações a serem tomadas hoje para atingi-la”, afirma Caco Santos, planejador financeiro da GFAI.

Veja a seguir quais são os 5 principais passos neste sentido:

Passo 1: Diagnóstico

Comece colocando a situação atual na ponta do lápis, detalhando renda, patrimônio, despesas e dívidas. “É importante entender como a pessoa chegou até aqui, se tem dívidas e o quanto precisa colocar ordem na casa”, completa a educadora financeira Anna Paz.

É preciso também ter a exata noção dos hábitos diários de consumo. Isso é feito anotando-se, por alguns meses, cada despesa realmente realizada. “Ninguém dá valor às pequenas quantias gastas, mas, às vezes, um recurso enorme está sendo direcionado à padaria e você nem percebe. A pessoa apreende que não está usando o dinheiro como gostaria quando vê que queima R$ 600 em açaí todo mês”, revela consultora Ana Luiza Marinho, da Oficina de Finanças.

Passo 2: Onde estou hoje?

“Se houver dívidas, vale dar um passo atrás e olhar de modo diferente sobre as contas. “Venda o carro, que gera custos, para ter conforto lá na frente”, sugere Ana Luiza. “E use a criatividade. Veja se não há coisas que podem ser vendidas na casa para gerar ganhos ou se dá para fazer um trabalho extra”, aconselha.

Tudo inicia de quanto a pessoa já tem. É daí que se calcula quanto precisará para chegar até lá. Alguém que quer viver 30 anos com R$ 20 mil por mês (R$ 240 mil ao ano) tem de gerar um patrimônio de R$ 10 milhões em investimentos rentáveis”, exemplifica Santos.

Passo 3: Onde quero chegar?

Para o planejador financeiro, é fundamental definir qual padrão de vida que se pretende ter a partir de certa idade. Seja lá qual for esse parâmetro, de mil ou de milhões, o indivíduo vai ter de aprender a viver com menos do que ganha hoje e investir o restante, até chegar ao patrimônio desejado, lembra Anna, sempre pensando em dividir os recursos adicionais em três partes iguais ou a critério de suas metas e seus hábitos: aposentadoria, emergências e conforto.


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Apesar de o benefício do INSS não trazer total independência, pode ser um bom complemento e pagar o seguro saúde ou outras despesas. Por isso não precisa ser descartado. Santos lembra que o sistema tem ainda uma série de coberturas, como por invalidez ou por doença grave, que, nas regras atuais, lhe garante ser “o melhor seguro que se consegue ter”.

Para Anna, planos de previdência privada de seguradoras fora dos bancos também podem ser considerados, sobretudo se oferecerem taxas de carregamento menores. Santos completa: “As seguradoras aprenderam a trabalhar com investimentos mais rentáveis e estão oferecendo planos melhores, com boas gestões, que alavancam os recursos, e o benefício da tributação regressiva do Imposto de Renda”.

Passo 4: Quanto vai custar? 

Tanto para quem está endividado quanto para quem já conquistou equilíbrio financeiro, às vezes é difícil enxergar as melhores escolhas. É preciso alguém de fora para descobrir o que está oculto nas suas contas, provocar questionamentos e romper paradigmas. 

“Embora com despesas já modestas e sem muitos gastos extras, um cliente de 77 anos e dinheiro que duraria três anos tinha um apartamento próprio no qual vivia há 50 anos. Ele admitiu que o imóvel já era grande demais para ele e que ‘dava trabalho’, mas respondeu com um ‘não se via morando em outro lugar’ à indagação sobre trocar por um menor”, exemplifica Santos.

“Provoquei mais: como seria vender e morar de aluguel, visto que ele poderia não se adaptar ao novo apartamento próprio, não gostar do porteiro, dos vizinhos, da rua. Mas o que o convenceu foi o argumento de herança, pois não queria briga entre os filhos. Com essa opção, era só dividir o dinheiro, sem litígios. Com o que investiu, já gerou rendimentos e ganhou liberdade e tranquilidade.”

“Tem que desapegar, mas é libertador pensar fora da caixinha e ver um patrimônio investido rendendo mais”, opina Ana Luiza. Segundo ela, a questão é aprender a diferença entre patrimônio ativo (que gera dinheiro) e passivo (gera custos). “Há inúmeras possibilidades de investimento.”

Crédito: Lovelyday12/Shutterstock

Para atingir objetivos ambiciosos, é preciso sair da zona de conforto. Normalmente, diz Santos, cortes em despesas são essenciais e acontecem naqueles gastos que já foram importantes em algum momento da vida e hoje não fazem sentido. “A decisão tem de ser consciente. Pode ser interessante renegociar com a operadora da TV a cabo ou cancelar o contrato, se a internet passou a ser mais necessária”, afirma.

Ele recomenda ainda fazer anualmente a análise criteriosa dos gastos, para repensar pequenos e grandes itens, como a casa na praia ou o título de clube. “É sempre bom se questionar. Um cliente que se mudou do Rio para São Paulo mantinha o título de um clube de golfe que não usava mais. Quando abriu mãos de pagar os R$ 800 por mês, sobrou dinheiro para outras coisas”, diz.

Passo 5: Viver de renda 

A regra geral dos consultores de investir 10% do que se ganha é um ótimo começo. Mas há quem sugira guardar um terço da renda. “Penso que é melhor customizar isso. Cada um tem uma resposta e terá de fazer as suas escolhas”, define Santos.  

Segundo Ana Luiza, esse é o passo que faz a mágica acontecer: “Muita gente não se dá conta de que pequenas quantias poupadas geram grandes reservas. Separar um valor para investir de forma disciplinada, mês a mês, no longo prazo, muda a vida da pessoa. Ela desperta para o poder de criar sua própria independência financeira, põe metas e vive mais feliz, sem depender do INSS”.

De acordo com ela, o que vale é mudar hábitos e agir. “Perto dos 50 anos de idade, uma cliente vendeu o apartamento para quitar parte das dívidas, cortou itens do orçamento e foi gerar renda extra. Conseguiu criar reserva para se aposentar aos 55 anos. Por isso que digo: comece poupando R$ 50 e valorize esse pouquinho para, lá no futuro, apreciar o grande.”

Seja qual for a metodologia de planejamento financeiro aplicada pelo consultor, o importante é entender o caminho e se sentir bem. O método 6G (Gerar, Gastar, Guardar, Ganhar, Gerir, Gratidão), seguido por Ana Luiza, adota uma etapa adicional, que é cultivar a gratidão com as conquistas como agente potencializador da prosperidade. Esse sentimento teria o poder de evitar compras por impulso, além de valorizar ainda mais a trajetória de independência financeira da pessoa.

Independência financeira: quanto custa uma consultoria?

Os valores podem variar muito. Depende se o atendimento é presencial ou on-line, do número de sessões demandadas e de sua duração. A sessão inicial pode custar de R$ 170 a R$ 250. É possível ainda contratar pacotes de sessões. O de 5 sessões com Anna Paz, por exemplo, sai por R$ 780 (parceláveis em três vezes).

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