Quando você ouve o termo personal trainer, provavelmente pensa naquele profissional que ajuda a pessoa a praticar exercícios adequadamente para chegar a uma melhor condição física, certo? Pois saiba que o orçamento também precisa estar em boa forma para acompanhar a saúde do corpo na longevidade. Assim, muita gente tem buscado uma espécie de treinador para o bolso, que ajude a cuidar do bem-estar financeiro pessoal ou da família. Então, vamos falar do personal trainer das finanças pessoais.

Por sinal, o economista e consultor financeiro Fernando Blanco, que também é professor de administração de crédito para MBAs na FIA (Fundação Instituto de Administração), considera bem pertinente a analogia entre o serviço que presta e o trabalho realizado por um personal trainer de exercícios físicos.


Só quem participa do grupo de Whatsapp do Instituto de Longevidade recebe os melhores conteúdos informativos. Clique aqui e faça parte!


“Tanto um como o outro ensinam para seu cliente algumas técnicas, no caso do personal financeiro ligadas a poupar e investir, como também impõem a ele disciplina”, afirma. “Nesse segundo quesito, enquanto o personal de ginástica insiste para que a pessoa complete dez flexões sem desistir no meio do caminho, o das finanças pessoais ‘sua’ para enquadrar o indivíduo em determinado gasto mensal de R$ 2.000 em vez de R$ 5.000, por exemplo”, diz.

E a atuação profissional de um consultor financeiro vai muito além dos números agrupados em gráficos e planilhas. “Defendo uma abordagem mais humanista nesse processo”, considera. “A condução do trabalho não pode ser de forma técnica e fria. Sou muito de conversa, porque o planejamento das finanças pessoais está muito ligado a comportamentos e hábitos.”

Diagnóstico das finanças pessoais para o tratamento adequado

Assim, fazendo uma comparação com o metiê de outro campo profissional – o do psicólogo –, é possível dizer que cada caso é um caso. E é exatamente por isso que uma das fases mais importantes desse “tratamento” é a do diagnóstico, conforme elucida a planejadora financeira pessoal Claudia De Rosa Peano, da empresa de planejamento financeiro Gfai.

finanças pessoais

Crédito: Thitikan chuachan/Shutterstock 

“Assim como o personal trainer faz um treino inicial de avaliação da pessoa, para entender seu nível de aptidão física, o profissional de planejamento financeiro faz um diagnóstico de seu cliente”, afirma. “Nesse diagnóstico, que é comportamental, vamos entender tanto a sua situação presente em relação às finanças como também seu histórico nesse sentido, sua trajetória no que diz respeito ao dinheiro, se possui na vida um perfil de poupador ou de endividado. Finanças não é um tema de exatas, é algo que depende muito do comportamento e do modelo de decisão da pessoa.”

Objetivos e expectativas

Outro ponto inicial muito importante, segundo a planejadora financeira, é entender a expectativa do cliente em relação ao planejamento. “Saber o que o angustia no que diz respeito ao dinheiro e quais os seus objetivos, dependendo do ciclo de vida. Uma pessoa muito jovem pode querer juntar dinheiro para comprar uma moradia, ou fazer um intercâmbio, e alguém mais velho já visa fazer coisas para a família constituída”, menciona.

“E também é necessário dimensionar essas metas em relação ao prazo, seja ele médio ou longo, o que inclui uma reflexão sobre o que essa pessoa espera para a sua longevidade financeira”, diz. “Se ela quer um dia parar de trabalhar e viver do que acumulou, por exemplo. Ou se é uma família jovem que já tem filhos, mas não acumulou patrimônio – pode ser o caso de recomendar a ela um seguro de vida. Alguém na faixa dos 70 anos, por sua vez, precisa pensar quanto de seu patrimônio vai querer deixar para herdeiros e o quanto vai gastar em vida.”

Conhecimentos técnicos

A partir de toda essa análise, que requer “habilidade no entendimento das pessoas”, segundo Claudia, o personal das finanças pessoais irá, então, lançar mão de seus conhecimentos técnicos. “E esses são muito necessários, claro”, diz. “São conhecimentos de fluxo de caixa, de investimentos, de seguros, de sucessório, de tributário.”

Assim, para a hora de contratar um consultor ou planejador financeiro, a dica da especialista é analisar a sua formação, bem como checar quantas pessoas ou famílias já atendeu. “Também é preciso haver empatia do cliente com ele”, ressalta Blanco. Afinal, da mesma maneira como acontece com o psicólogo, trata-se de uma relação de confiança.

Claudia lembra ainda que existe uma Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, a Planejar, que pode ser referência na contratação de um profissional. “E há no Brasil uma certificação internacional, a Certified Financial Planner, que sinaliza a qualificação do planejador”, afirma.

Formas de atendimento, prazos e custos

Em termos de organização do fluxo do trabalho do personal trainer de finanças pessoais, o formato é bastante variado. O atendimento pode ser semanal ou mensal e envolver contatos telefônicos ou a distância, além dos encontros pessoais.

A forma de cobrança também varia. “Tem planejador que cobra por hora, outros preferem estipular um preço fixo por determinado escopo de trabalho”, especifica Claudia. “O custo desse trabalho em geral varia entre R$ 3.000 e R$ 12 mil por ano, dependendo da complexidade do planejamento, da quantidade de objetivos e de cenários que o cliente quer projetar para o futuro.”

Voltando às comparações, será que podemos estipular um tempo para que o “paciente” do personal financeiro obtenha “alta” do “tratamento”? Claudia sinaliza como costumeiro um período de trabalho de 12 meses, necessários para conseguir implementar o planejamento. “É o mesmo que acontece quando você vai a uma nutricionista e ela te dá um plano nutricional que requer acompanhamento e implementação por meio de um projeto de ações que é mensurado mês a mês”, define.

O acompanhamento inclui técnicas de engajamento com o propósito da disciplina financeira e da contenção de despesas e de dívidas. O consultor pondera que, normalmente, sua missão é a de “transformar devedores em investidores”, uma vez que o primeiro perfil é muito mais comum que o segundo entre os brasileiros. “Avalio que em três meses já é possível mudar hábitos e reduzir o endividamento”, afirma.

Dependência

De qualquer forma, Blanco considera que não dá para ficar dependente por muito tempo de um planejador financeiro. “Claro que é possível continuar com uma manutenção esporádica, caso de uma conversa de uma hora por mês, via telefone mesmo”, sugere.

Ou eventualmente buscar de novo o “consultório” se houver mudanças muito bruscas na vida financeira. “E pode ser bom também, caso isso aconteça, mudar de personal para dar uma arejada”, diz. “Para renovar a motivação e não chegar naquele momento em que o paciente começa a enrolar o psicólogo”, elucida, fazendo outra analogia.

Aliás, como pudemos perceber, a atuação do personal das finanças pessoais vai mesmo muito além da de um simples consultor orçamentário.


Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: