Considerando a atual taxa de juros no Brasil, no momento da aposentadoria uma pessoa precisaria ter acumulado cerca de 200 vezes a renda mensal desejada caso queira garantir sua longevidade financeira, calcula o professor e consultor financeiro Mauro Calil. “Óbvio que isso só se constrói ao longo dos anos”, pontua.

“Para tal, dos 18 aos 68 anos de idade, temos um horizonte de 180 meses de acumulação de recursos”, explica. Isso porque, para poupar certo, a cada ano, idealmente, deveremos reservar ao menos 3,6 salários mensais. Com isso, aos 20 anos de idade, a pessoa já deve ter juntado 7,2 salários; aos 30 anos,43,2 salários; aos 40, 79,2; aos 50, 115,2; aos 60, 151,2; e aos 68 anos, 180 salários. A diferença para o valor final será conseguida pelos juros das aplicações financeiras.


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Nessa jornada, todo esforço para guardar ficou agora mais difícil por conta da taxa de juros em baixa. De acordo com o consultor, o ideal era poupar 10%, mas, com esta nova realidade econômica, é preciso investir 30% dos ganhos mensais. E por mais tempo – segundo ele, até os 68 anos.

Para quem já está com mais de 40 e até 50 anos de idade e ainda não começou, a boa notícia é que “nunca é tarde”, afirma a coach financeira Edna Cassiano: “A diferença, neste caso, é que [a pessoa] terá de ser muito cirúrgica em seu orçamento e investir o máximo possível da sua renda”.

Desde o primeiro salário

A ideia é contar com o longo prazo para ganhar mais. “Mesmo que a pessoa tenha pouco dinheiro no começo da vida, o período em que ficar investido terá um papel muito relevante no quanto ele se tornará. Quanto mais tempo pela frente a pessoa tem, mais se beneficiará dos juros ganhos nas aplicações, os famosos ‘juros sobre juros”, comenta a coach.

Por isso que as economias devem começar logo no primeiro salário. “Aos 15 anos, um menor aprendiz já pode poupar a partir de R$ 30”, ressalta.

Por essa mesma lógica, afirma, também na faixa de 20 a 30 anos de idade, quando costuma-se estar solteiro e vivendo com os pais, é uma hora boa para investir mais.

“Mesmo já vivendo sozinho, o jovem pode gerir sua renda de forma a destinar um bom percentual às aplicações.” Para a coach, no entanto, o melhor investimento nessa fase é em si mesmo: “O conhecimento favorece aumento de renda”.

Inteligência e gestão do tempo para a longevidade financeira

Numa segunda fase, que vai dos 30 aos 45 anos, em geral a atenção está concentrada na ascensão da carreira e no sustento da família. “Esta é a hora de manter a organização financeira, ser até mais cuidadoso com isso, e de adquirir mais inteligência na gestão do tempo”, para continuar fiel à construção da longevidade financeira”, diz.

De maneira geral, aponta a coach, dos 45 aos 55 anos, a consciência em relação ao futuro é mais profunda, e o foco está em chegar aos 60 anos com segurança e qualidade de vida. De novo sem filhos para criar, “é hora de voltar a turbinar os investimentos”, sugere.

Edna lembra que cada fase da vida financeira traz desafios bastante distintos e ensejam uma gestão diferenciada do dinheiro. “Por isso é inegociável ter um orçamento pessoal que atribua percentuais da sua renda para cada segmento”, diz.

“Gastar tudo com os desejos imediatos é o maior problema de muita gente. A pessoa pensa que não investe porque não sobra dinheiro e não sobra porque ela consome sem propósito, gasta mal, não aprendeu a gerenciar a ansiedade de ter o que se deseja agora e nem a pensar de verdade no futuro”, completa.

Ganhar mais para atingir a longevidade financeira

Caso queira manter na maturidade o mesmo padrão de consumo, afirma o consultor, é importante ganhar mais. “Ganhos extras podem e devem acelerar o processo”, atesta. “Pense em gerar mais de uma fonte de renda, várias de preferência, capriche nos aportes e escolha bem os ativos.”

De acordo com a coach, todo aumento possível da renda deve corresponder no mínimo proporcionalmente à elevação dos aportes em investimentos. “O ideal é elevar a renda e os aportes, mantendo o padrão de vida um ou dois níveis abaixo. Se a pessoa ganha R$ 1.000 reais, investe R$ 100; se passa a ganhar R$ 1.300, investe R$ 130”, explica.

“Se você recebe R$ 1.000 e o salário subiu a R$ 1.600, pode também acrescentar no seu orçamento R$ 200 para ter um pouco mais de conforto e investir os R$ 400, por exemplo, para comprar um carro daqui a 36 meses, além de manter o valor que já investia todo mês”, sugere Edna.

Carteira certa

Ainda que cada um tenha seus sonhos e objetivos, é possível estabelecer uma linha mestra para a carteira ideal de investimentos: 65% de renda fixa (títulos públicos e opções como LCI, LCA e alguns CDBs); 30% em ações; 15% em fundos imobiliários; para proteção, mais 6% em dólar e 4% em ouro.

longevidade financeira

Crédito: Tendo/Shutterstock 

“O Tesouro Direto já foi um queridinho; hoje tem pouca serventia no processo de aposentadoria. Novos investimentos deverão surgir. Por isso, a cada ano, reveja seu plano, verifique o que pode ser melhorado e o que precisa ser mudado”, recomenda Calil.

“O investidor pode ainda fazer de seu fundo de emergência um caixa para aproveitar ofertas de ocasião na Bolsa, por exemplo, ou para a aquisição de algum bem que planeja comprar à vista”, aconselha Edna.

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