Ninguém gosta de estar endividado. Para muitos, essa é uma situação de perder o sono. Para outros, no entanto, é uma condição que se torna tão rotineira que nem afeta muito o humor no dia a dia. Mas cuidado: independentemente de como se lida com o problema, ele pode virar uma bola de neve e acabar soterrando de vez o orçamento familiar.


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Assim, se as dívidas em si têm diferentes perfis – em termos de prazo e de taxa de juros, por exemplo –, o mesmo se pode dizer dos endividados. Quando lançam mão de recursos como os do empréstimo consignado, do cartão de crédito ou do temido cheque especial, esses tomadores têm motivações que variam desde a vontade de empreender um negócio próprio até uma satisfação mais imediata de consumo.

O endividado empreendedor

Por sinal, a busca de capital para montar uma empresa tem se tornado um padrão ainda mais comum nestes tempos em que a oferta de emprego tem escasseado, conforme destaca George Sales, professor de finanças do mestrado profissional da Faculdade Fipecafi.

“Muitas vezes, a pessoa desempregada toma empréstimos sem ter uma noção mais clara sobre o negócio que vai abrir, e isso em vários aspectos”, alerta. “Nem sempre conhece bem o mercado no qual vai empreender, tampouco considera que vai precisar de capital de giro para operar. E o retorno do investimento é demorado, sem contar particularidades como o fato de os fornecedores em geral serem pagos à vista, enquanto os clientes costumam parcelar as compras.”

Negócios à parte, podemos dizer que a grande tentação do endividado diz mesmo respeito ao desejo de consumir. “É muito difícil a gente colocar a culpa pela dívida na crise”, avalia Joelson Sampaio, doutor em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo e professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EESP). “Há uma questão de perfil, de características que levam as pessoas a se endividarem mais ou menos”, afirma.

O endividado gastão

Um dos tipos de endividado é aquele que não consegue trabalhar com suas restrições de renda. Assim, sempre quer gastar mais do que ganha. “Ele então acaba comprando coisas desnecessárias, mas que são desejos dele”, diz Sampaio. Essa certa inconsequência em busca da satisfação consumista define esse indivíduo como uma espécie de hedonista, que não se preocupa muito com as consequências futuras de seus excessos presentes.

O endividado desinformado

Outro perfil de tomador de crédito revela o desconhecimento de como funcionam os juros e as condições impostas pelas instituições financeiras para conceder os empréstimos. “Ele não tem muita ideia do perigo que é se endividar”, alerta Sampaio.

Para piorar a situação nesses casos, os contratos redigidos pelos bancos para a concessão de recursos em geral não são claros nem para quem está acostumado com termos financeiros técnicos – quanto mais para os leigos no tema.

“Não existe o interesse de tornar essa linguagem mais popular para que o cliente a entenda”, frisa o professor Sales. “A dificuldade de ler esses contratos é absurda, parece que foram escritos em outra língua.”

O endividado desorganizado

Quem não é muito organizado com as finanças pessoais ou familiares também acaba caindo na armadilha de não enxergar o tamanho da desgraça que pode se abater sobre seu orçamento.

Dessa maneira, termina por se perder no comprometimento da renda com débitos diversos – quase que uma “carteira de endividamento” –, uma vez que não têm um controle adequado sobre o fluxo de capital que entra e o que sai de suas contas.

O endividado ‘Poliana’

Há ainda os otimistas, em uma linha mais “Poliana” de encarar as dívidas. “Acreditam que tudo vai dar certo e, depois, acabam não conseguindo sair do lugar”, diz Sampaio. Afinal, os débitos não se resolvem sozinhos: é necessário definir alguma estratégia para saná-los. E eles de fato podem virar uma avalanche.

Divã financeiro

Independentemente do perfil do endividado, o primeiro passo para se desvencilhar do vermelho das contas é justamente o da autoanálise: entender as características pessoais de comportamento e personalidade que levaram à tomada de crédito.

“A partir daí, é necessário identificar meios de economizar ou de reduzir o consumo, mesmo que seja adiando alguns sonhos”, orienta o professor da FGV-EESP. “O segundo passo, então, é trabalhar nas causas. E se planejar para gastar. Se o desejo é o de ter um carro novo, por exemplo, não seria o caso de guardar dinheiro e depois de um tempo comprar o veículo à vista? Esse é o caminho mais sustentável.”

Se as dívidas estão mais ligadas à restrição de renda, a saída é apertar mais o cinto, com muito planejamento e organização. “Pesquisar mais os preços, mudar o perfil de consumo para minimizar a exposição às dívidas”, sintetiza Sampaio.

E, com relação aos débitos já estabelecidos, não há muito jeito a não ser partir para a negociação com os bancos em busca de melhores condições de prazos e de taxas.

Muitas vezes, pode ser uma boa tática tomar um empréstimo de pessoa física para cobrir o rombo do cheque especial, por exemplo – leia mais sobre tipos de crédito como o consignado.

Por fim, um lembrete do professor da FGV-EESP: “Uma dívida pode ser saudável inclusive para a realização de sonhos, mas ela precisa ser usada com muita racionalidade; esse é o segredo”.

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