Com a pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas perderam parte da renda. Mais do que isso, milhares ficaram sem trabalho. A consequência foi um desajuste no saldo bancário – o que entra de dinheiro é menor do que o que sai em prestações, mensalidades escolares e outros boletos que chegam mensalmente. Mas é possível negociar contas de qualquer área. Basta conhecer algumas dicas. 


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A seguir, Luciana Ikedo, assessora de investimentos e sócia-fundadora do escritório Ikedo Investimentos, e Emanuel Pessoa, advogado especialista em negociação, contratos, inovação e internacionalização de empresas e consultor em política econômica internacional, orientam sobre as melhores estratégias para buscar melhores condições de pagamento. 

Preparação 

Antes de marcar qualquer reunião para renegociar contas, é preciso organizar as dívidas. Luciana Ikedo dá o passo a passo: 

1. Fazer um levantamento do total de dívidas de curto e médio prazos (cheque especial, parcelamento do cartão de crédito, crédito pessoal parcelado); 

2. Colocar no papel a receita (se tiver sofrido redução de salário ou perdido clientes, considerar os novos valores) e as despesas para os próximos meses; 

3. Buscar um parcelamento que não ultrapasse 30% da renda total. 

Essa preparação independe da instituição com que a pessoa precisa negociar: ela vale para todas.  

“Deve-se estudar, principalmente, o objeto da negociação, entender os interesses envolvidos, analisar a personalidade do outro lado e tomar cuidado com suas emoções”, indica o advogado. 

Prioridade 

“Procure priorizar sempre o pagamento das dívidas mais caras e de curto e médio prazos, como utilização do limite do cheque especial, parcelamento do cartão de crédito e crédito pessoal parcelado”, recomenda a sócia-fundadora da Ikedo Investimentos.  

Facilidade 

Para Luciana, muitas vezes é mais fácil negociar com as instituições financeiras e com os locadores dos imóveis comerciais. “Algumas escolas possuem seguro desemprego no contrato, e é bom observar isso na hora de negociar, se for esse o caso.” 

Nos financiamentos imobiliários vigentes, também existe a possibilidade de postergação das parcelas, que inicialmente eram de dois meses e passaram para seis meses. “Neste caso, é bom ter atenção também às taxas de juros cobradas pelas instituições”, diz, orientando a verificar se, no fim, a dívida não ficará ainda mais cara. E é preciso se preparar para que, “no fim dessa negociação, o valor mensal das parcelas volte a fazer parte do orçamento”. 

E conclui: “É importante destacar também que algumas modalidades de financiamentos e empréstimos, como financiamento imobiliário ou empréstimo consignado, permitem a portabilidade da dívida, o que pode ser muito atrativo neste momento de juros baixos”. 

 para Emanuel, as instituições financeiras “oferecem péssimas condições em uma renegociação”. “Isso muda apenas quando elas já estão há muito tempo sem receber, ocasião em que o devedor consegue grandes descontos; geralmente, porém, com alguma restrição naquela instituição financeira”.  

Segundo ele, costuma ser menos difícil tratar com a empresa que estiver com maior problema de fluxo de caixa. “Isso torna mais imperativo receber alguma coisa de forma imediata.” 

Relacionamento 

Os principais fatores a se considerar ao negociar contas são os interesses e o relacionamento, de acordo com o advogado. “Se a parte que busca a negociação não contemplar os interesses do outro lado, dificilmente vai obter uma solução extrajudicial.” 

Preservar a relação é outro ponto destacado por ele. “A relação econômica tende a se repetir, seguindo no longo prazo.” 

Negociar conta: acordo de vontades 

“Os melhores resultados ocorrem quando os negociadores procuram satisfazer os interesses da outra parte e atentam para as emoções envolvidas. Para isso, é preciso ouvir mais do que falar, fazer perguntas abertas e demonstrar interesse genuíno no que o outro lado deseja”, orienta Emanuel.  

Para o advogado, ultimatos, imposições, pedidos absurdos, não se colocar no lugar do outro e buscar "ganhar sozinho" são péssimos para a negociação. “Empatia ajuda muito a entender o que o outro lado quer ou aceita”, indica ele. 

Emanuel explica que, em contratos particulares, é possível negociar livremente, bastando um acordo de vontades. “Só cabe pedido judicial de revisão quando uma situação verdadeiramente imprevisível, como a pandemia, afeta o equilíbrio econômico-financeiro do contrato”, esclarece. Assim, complementa ele, “o maior incentivo para a negociação amistosa é que o credor pode se ver forçado a condições mais duras do que obteria se seguisse pela via amigável”.  

Nova dívida 

Algumas vezes, vale a pena tomar um empréstimo para pagar uma dívida mais cara, como a de cartão de crédito, que tem juros médios de 300% ao ano. É recomendado não recorrer à instituição financeira sem que seja feita essa avaliação prévia do valor necessário para a resolução do problema e também do valor da parcela. 

É preciso avaliar se esse compromisso de pagamento mensal cabe no orçamento. “O despreparo pode prejudicar muito o processo de solicitação e negociação, por isso, é importante ter tudo na ponta do lápis”, diz Luciana. 

“O que costuma dar resultado é dominar o novo fluxo financeiro, conhecendo bem as receitas e despesas, e solicitar um valor adequado à necessidade de equalização das dívidas, nem excedente e nem insuficiente”, orienta Luciana. Outro ponto, segundo ela, são as garantias: quanto mais fortes forem, menor o risco para a instituição financeira e, consequentemente, mais fácil será a aprovação da proposta e com menor custo para o cliente. 


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