Minha avó costumava dizer: "Desde que filho pari, nunca mais a barriga enchi". Já naquela época, era sabido que os filhos custariam uma boa fatia do orçamento mensal familiar e que parte desse montante deveria ser guardada em uma poupança. O objetivo, tanto no passado como nos dias atuais, é garantir a longevidade financeira dos pequenos, caso algum dia os pais ou responsáveis venham a faltar.

Mas de quanto estamos falando? Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (INVENT) mostrou que, se considerarmos o período que vai do nascimento até os 23 anos de idade, um único filho pode representar um custo de até dois milhões de reais. Ficou assustado? Calma, não se desespere ainda.

De acordo com o professor e coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, o valor pode variar muito de família para família por vários fatores. "Vai depender da realidade de cada um, se seu filho vai estudar numa escola pública ou particular, se ganhou uma bolsa de estudos, se você vai investir em outros cursos profissionalizantes aqui ou no exterior", enumera o professor.


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Para Teixeira, o importante é que as famílias desenvolvam o hábito de poupar sempre. "Tem que se tornar uma rotina de todos os meses, no dia tal, você guardar um valor X, não importa quanto. Isso tem que ser regra".

O valor a ser guardado vai variar de acordo com  a realidade de cada família. "Não acho que deva ser um percentual fixo do salário, 1% ou 5%, por exemplo. Se você tem dois ou três filhos, isso vai acabar representando uma fatia grande do seu orçamento que talvez você não possa abrir mão", adverte Teixeira. "Comece por um valor que você possa abrir mão todos os meses".

Ele lembra que haverá períodos em que a "grana" estará mais curta. A solução, nesse caso, é guardar um pouco menos e procurar compensar assim que a situação melhorar.

Quando devo começar a poupar?

Especialistas ensinam que o ideal é começar a poupar no momento em que surge a ideia de se ter um filho, o que só se consegue com muita disciplina e determinação.

Para Teixeira, nunca é tarde para começar a fazer uma reserva financeira para os filhos. "Se puder começar antes do nascimento, seria o ideal. Senão, comece a partir do nascimento", explica o professor. Ele pontua que os primeiros meses serão os mais difíceis, principalmente quando se trata do primeiro filho, porque as pessoas ainda não sabem quais gastos virão pela frente e como isso vai impactar no orçamento da família. "Mas assim que possível, vá aumentando o valor, sem que isso comprometa a renda familiar".

Quando insistimos por um percentual, o professor cedeu: 20%. "Seria o ideal se todos conseguíssemos guardar 20% dos nossos ganhos líquidos como uma reserva financeira para o caso de uma emergência. Mas esse é um valor alto. Se não conseguir, escolha um valor mais baixo dentro das suas possibilidades, mas nunca deixe de guardar", sugeriu.

E qual o momento de repassar esse valor aos filhos?

Teixeira explica que a resposta a essa pergunta também vai depender do planejamento de cada pessoa. "Se você guardou dinheiro para o caso de uma emergência e essa emergência nunca aconteceu, continue a guardá-lo com você", orienta o coordenador.

"Mais pra frente, quando você já estiver aposentado e com uma situação mais confortável, você poderá dar esse dinheiro ao seu filho para que ele faça uma viagem, adquira algum bem ou faça uma viagem por exemplo. É você quem vai saber o momento ideal de presenteá-lo com essa poupança".

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