Chegou a pandemia e você começou a pensar em como economizar dinheiro? Pois saiba que não está só: muita gente teve de usar o que tinha de economias para sobreviver nesse período. Mas saiba que é possível economizar, e muito, com algumas adaptações simples no dia a dia. 

Confira, a seguir, as dicas de três especialistas – o sócio-diretor da Méthode Consultoria Empresarial e professor de finanças da ESPM, Adriano Gomes; o administrador de empresas e planejador financeiro Felipe Barbosa; e o economista Gustavo Carvalho, investidor em startups e consultor de finanças para micro e pequenas empresas – para cortar gastos.  

Veja 11 dicas de como economizar dinheiro   

1. Registrar os gastos 

Possivelmente, você já ouviu que é preciso manter o controle das despesas. Sabe por que isso é importante? Porque só se pode controlar algo a partir de dados organizados. “É nítido como o hábito de apontar, acompanhar e, posteriormente, controlar os gastos pode se tornar não uma atitude chata ou mesquinha e sim ser estimulante. Afinal, nada mais gratificante que perceber o resultado efetivo do bom emprego do dinheiro para a conquista de sonhos de vida, projeto de negócios ou na tranquilidade da vida cotidiana”, avalia o professor de finanças da ESPM. 

Dica: use um caderno, uma planilha ou mesmo apps para anotar e monitorar seus gastos. 

2. Identificar as contas 

O ideal é dividir os gastos por categorias e definir se são: 1) fixos, que dificilmente poderão ser alterados; 2) variáveis, que são hábitos de consumo e mais fáceis de serem ajustados. Aluguel, internet e água entram em moradia, por exemplo. Lazer engloba restaurante e drive-in. “Com essas informações em mãos, é possível fazer uma análise por onde está escorrendo mais dinheiro e o que prejudica sua chegada nos seus objetivos e metas financeiras, como uma viagem ou a casa própria”, assinala o planejador financeiro.  

Dica: catalogue tudo e evite a categoria “outros”, que pode camuflar dados de consumo. 

3. Envolver a família 

Gomes recomenda uma reunião com todas as pessoas da casa para expor a situação e discutir soluções. Em uma primeira rodada, é preciso verificar se os gastos se encaixam na renda da família. “Normalmente, não são”, adianta ele. Na segunda, vale entrar em detalhes de como adequar renda e como economizar dinheiro. 

Segundo o especialista, é fundamental escrever não somente o que será cortado. Sobretudo, acrescenta, recomenda-se deixar registrado quando iniciar e quem será o responsável por cada uma das ações”. 

Dica: converse sobre dinheiro com as crianças desde pequenas, para que não seja um tabu mais tarde. 

4. Manter o acompanhamento 

Deixar de controlar as despesas é um grande risco. O planejador financeiro explica o porquê em uma analogia: “Gastos são como cabelo. Você corta e, em seguida, ele começa a crescer novamente”. A solução, segundo ele, é fazer mensalmente uma reunião de acompanhamento para evitar que os encontros sejam feitos apenas em momentos mais complicados. 

Dica: escolha um horário todos os dias para anotar os gastos e, assim, fazer com que isso se torne um hábito. 

5. Evitar decisões precipitadas 

Imagine que a pessoa faça uma compra por impulso, sem refletir sobre as consequências e sem discutir com a família. Em muitos casos, segundo Gomes, para não piorar as relações dentro de casa, ela assume a dívida sozinha. Mas é exatamente isso o que vai fazer com que o clima se deteriore e as relações sofram um abalo. “A base de todo planejamento financeiro é a transparência e evidenciação dos gastos.” 

Dica: se possível, deixe uma compra “tentadora” e que não estava nos planos para o dia seguinte. Muitas vezes, você vai perceber que o que queria não era tão importante assim.  

6. Identificar supérfluos 

Em geral, gastos pequenos e recorrentes, como assinaturas de combos de tv e internet e tarifa de cartão de crédito, passam despercebidos. Mas, quando são somados, trazem um grande impacto na conta. A diferença fica ainda maior se os recursos forem colocados em alguma aplicação, que renda juros ao final de um período, segundo Barbosa. “O ideal é negociar esses gastos e reduzi-los ou eliminá-los”, diz ele, para que essas despesas não atrapalhem o propósito de realizar sonhos maiores. 

Dica: dê uma boa olhada nos pacotes de TV, internet e celular: sempre é possível trocar de plano para economizar.  

7. Mapear gastos ocultos 

Essas despesas “escondidas” fazem parte do dia a dia e, muitas vezes, são pagas com o troco de algo que você comprou e não estão na planilha que fez. Quer um exemplo? O cafezinho ou a barra de chocolate que coloca na sacola quando vai ao mercado. “São pequenos gastos, que, somados no final do mês, muitas vezes são maiores que as contas de água e luz da residência”, compara o economista.  

Dica: tente listar lanchinhos, cafés, doces e outras gostosuras do dia a dia para descobrir quanto elas custam no fim de um mês e de um ano. 

8. Reunir dados de cartões 

Para Barbosa, o “dinheiro de plástico” é uma ótima ferramenta para ter uma visão geral do que acontece na sua vida financeira e saber onde está o gargalo. “A maioria das pessoas tem mais de um cartão de crédito e paga contas de formas distintas, por transferência, dinheiro ou com os próprios cartões. É interessante compilar esses dados numa única base para, assim, tomar as melhores decisões.”  

Dica: que tal usar apenas um cartão de crédito e, de preferência, que não cobre anuidade? Há diversas opções no mercado. 

9. Fazer lista de compras 

Supermercados, em geral, “são ótimos para estourar os limites de orçamento mensal”, avalia Carvalho. Ele explica que as redes realizam estudos para apresentar os produtos de forma a induzir o consumo, “a levar algo que não estava precisando”. “Ir ao mercado com listas, sabendo dos preços históricos do que irá comprar ajuda muito a economizar, e muitas vezes substituir itens que estejam com valores acima do que eram usualmente.” “Isso não quer dizer que você não pode se dar algumas pequenas recompensas”, acrescenta Barbosa. Desde que você tenha tudo sob controle. 

Dica: evite fazer compras de alimentos quando estiver com fome, porque isso aumenta o volume de gastos com supérfluos no supermercado. 

10. Ter cuidado com o cartão de crédito 

Quando bem utilizado, o cartão é um aliado. “Acontece que muitas pessoas utilizam esse crédito, que nada mais é que um empréstimo, de forma equivocada. As parcelas começam a tomar conta da fatura e somado aos outros gastos do mês, vira uma bola de neve, que a pessoa não consegue pagar e acaba arcando com juros estratosféricos”, esclarece o planejador financeiro. Se esse é seu caso, use somente a função débito e acompanhe diariamente o saldo em conta corrente, até que gerir o orçamento se torne um hábito. 

Dica: verifique a possibilidade de ter desconto em pagamentos feitos à vista – pode ser uma forma de economizar e evitar o cartão de crédito. 

11. Começar a poupar  

Quando for elaborar o orçamento, faça os cálculos para aplicar o dinheiro que você economizou. A conta, de acordo com Barbosa, deve ser a seguinte: sua renda - o quanto você vai investir = seus gastos. Assim, você terá um recurso para ser usado em tempos difíceis e, com o tempo, poderá fazer outra reserva: desta vez, para realizar seus sonhos de médio e longo prazos, como a compra de um imóvel ou o planejamento de aposentadoria. 

“É muito importante criar a cultura de poupar. Pode começar com pouco, e ir aumentando aos poucos até chegar a 10% ou 20% da renda mensal. Além de ajudar a viver com menos do que você ganha, ajudará na cultura de controle de gastos”, ensina Carvalho. 

Dica: liste suas metas e estabeleça um plano para atingi-las. Estar mais perto da realização dos sonhos é um incentivo para continuar a poupar. 

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