Fechar o mês no vermelho é ruim. Mas também pode ser uma oportunidade para organizar as finanças. E aí, não há segredo: a orientação é evitar o consumismo e controlar o que se gasta.

Consumir de forma racional pode parecer simples, mas não é o hábito da maioria dos brasileiros. Prova disso são os números de um estudo do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, feito em outubro de 2018, que mostra que apenas 31% dos cidadãos brasileiros podem ser classificados como consumidores conscientes.

"Passados alguns meses, as pesquisas evidenciam que a situação não é das mais inspiradoras”, afirma Luciano Martinez, professor da USP e especialista em gerenciamento de projetos, citando um levantamento realizado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio). Divulgado em julho deste ano, ele revela que 64,1% das famílias se declararam endividadas.


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Para reverter o quadro, é necessária uma transformação comportamental, que deve começar dentro de casa. "A saúde financeira é a que rege todas as áreas da nossa vida. Ao promover mudanças na forma como você lida com dinheiro, vai sentir e perceber a prosperidade nos seus dias", diz Shírley Freitas, consultora financeira e integrante do grupo Integral Woman.

A seguir, Luciano Martinez e Shírley Freitas, assim como Romanni Souza, professor de hipnose e coaching, criador da hipnose transformacional e fundador do Instituto Romanni; e a terapeuta e coach financeira Aline Soaper dão dicas para evitar o consumismo e fazer cortes de gastos no dia a dia.

Como evitar o consumismo

1. Anote tudo

É importante ter disciplina, organização e registrar não só quanto entra de dinheiro mês a mês, mas também todos os gastos, sem esquecer de nada. Isso vale, inclusive, para as contas pequenas, do dia a dia. É desta maneira que vai identificar para onde o dinheiro está indo. Além do mais, o ato de anotar também faz refletir sobre seus hábitos de consumo.

2. Organize grupos de despesas

Categorize o que você gasta. Por exemplo, numa planilha, classifique o que foi despendido com transporte, alimentação, energia elétrica, lazer, telefonia, aluguel e assim por diante. Desta forma, fica mais fácil identificar com o que está gastando mais e em que áreas pode tentar economizar.

3. Defina e avalie metas

Ao criar categorias, faça um balanço dos gastos e defina valores para cada grupo. Mantenha a lista com as metas à vista e tenha disciplina para não estourar o orçamento. Para se organizar, você pode prever gastos semanais e ajustá-los, se houver necessidade. Defina um dia da semana para avaliar o resultado da anterior. Compare quanto gastou com a meta estabelecida para cada grupo de despesa. Assim, é mais fácil controlar orçamento, antes de fechar o mês. Se estourou numa semana, na outra pode adotar medidas para se manter dentro da previsão mensal.

4. Identifique os sabotadores

É importante reconhecer locais e situações que estimulam o consumismo e fazem você gastar mais. Assim, você começa a quebrar padrões subconscientes. Por exemplo, se identificar gastos exagerados com a compra de sapatos, trace uma meta para deixar de fazer pesquisas relacionadas ao assunto na internet e evite frequentar as lojas em que faz os maiores gastos. Com o tempo, o hábito compulsivo tende a diminuir com a reprogramação de hábitos.

5. Renegocie valores

Descubra quais são os maiores vilões dos seus gastos, como supermercado, personal trainer e roupas. Crie um plano para reduzi-los. Pode ser negociar com o fornecedor do serviço um preço mais baixo, comprar produtos com valor menor e adaptar a rotina para ir menos vezes ao comércio.

6. Questione-se

Antes de comprar algo, responda algumas perguntas:

  • Preciso disso?
  • Por que eu não deveria comprar?
  • Qual será a relevância dessa compra na minha vida daqui a um ano?
  • Tenho total certeza de que vou utilizar isso e que valerá a pena?
  • O que de melhor pode acontecer se eu não comprar agora?

Tais questionamentos devem fazer parte do dia a dia, já que, muitas vezes, as aquisições acontecem por impulso, sem necessidade alguma. Deixe para comprar em outro momento, depois de maturar as respostas. Se o produto for realmente relevante, você pode voltar e comprá-lo, tornando sua decisão mais racional e menos impulsiva.

7. Mude hábitos

Substitua comportamentos "sabotadores" por outros mais assertivos, que despertem sentimento equivalente. Ou seja, se você se sente reconhecido ao comprar algo de valor, pense em qual outra situação experimenta o mesmo sentimento. Depois, substitua a visita às lojas pelo que traz a mesma sensação, como um café com amigos, uma visita aos pais, um passeio com os filhos e uma aula de jump na academia.

8. Guarde parte do dinheiro

Faça um orçamento de forma a sobrar, pelo menos, 10% do que você ganha. Essa parcela do dinheiro deve ser investida, para formar uma reserva financeira e não precisar recorrer a empréstimos.

9. Pense nos seus sonhos

Ao se habituar a poupar nos pequenos detalhes, você estará, consequentemente, economizando para realizar outros sonhos. Escreva quais são eles em uma folha, com o máximo de detalhes: Quanto custa? Quanto tempo para realizá-lo? Quanto vai economizar por mês? Vale até acrescentar imagens como motivação. Deixe essa listinha em local que possa ver todos os dias, como na porta da geladeira.

10. Planeje sempre!

O planejamento deve vir antes de qualquer ação, seja para um simples encontro com pessoas queridas, seja para uma viagem ou mesmo a compra de novas roupas. Se for encontrar amigos, pesquise local, preços e se há comanda individual, por exemplo. Se for viajar, siga o mesmo processo: lembre-se que estar em três pessoas pode ser bem mais econômico, dividindo quartos, refeições e deslocamentos. Quanto às roupas, procure comprar somente o necessário e peças-curingas, além de adquirir itens fora da estação.

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