Cinquenta e seis por cento dos brasileiros dizem ficar estressados todo mês, pelo menos, com o planejamento financeiro de longo prazo para a aposentadoria. O dado foi divulgado pela Pesquisa de Preparo para a Aposentadoria de 2019, lançada em julho de 2020 pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

O número é muito superior à média mundial de 41%, como aponta o estudo, e preocupa especialistas. Para Hirbis Girolli, especialista em finanças pessoais da MAG Investimentos, uma das soluções para evitar este e outros tipos de problemas está em construir reservas financeiras. Elas “servem como prevenção para evitar importunos no trabalho, nas relações afetivas e na vida familiar”.

Ele continua: “em muitos casos, as dificuldades relacionadas às finanças podem ser origens de divórcios, brigas, baixa produtividade no trabalho, demissão, depressão, transtorno de ansiedade, entre outros”.

Por outro lado, quando estamos protegidos financeiramente, através de reservas financeiras, criamos melhores condições para um bem-estar duradouro e até para um aumento da expectativa de vida produtiva. “Reservas financeiras não são a chave para a felicidade. Mas, sem elas, tudo fica muito mais difícil”, explica.

Quem deve fazer um planejamento financeiro?

“Todos, até mesmo aposentados do setor público que, em tese, seriam os mais protegidos”, recomenda. O motivo está relacionado aos imprevistos e incidentes que todos nós podemos passar, como perder a fonte de renda.

Para quem trabalha por conta própria, ter reservas financeiras deve ser prioridade absoluta. Girolli lembra que muitos “artistas e jogadores de futebol de sucesso, por exemplo, passam por sérios problemas justamente por não terem planejamento financeiro e reservas”.

A pesquisa mostra que apenas 35% dos trabalhadores do mundo têm um plano B para o caso de serem incapazes de continuar a trabalhar antes de chegarem à idade planejada de aposentadoria.

O que de ser levado em conta?

Considere a sua renda líquida mensal recorrente. Ou seja, sua renda bruta subtraída dos impostos e descontos. “Se ela vem de uma atividade cuja receita varia, torne sua renda pessoal fixa, definindo uma ‘retirada fixa’ do seu trabalho como autônomo ou freelancer”, orienta.

E não desanime ou desista nos primeiros meses. Girolli compara a formação de uma reserva com os passos de um bebê que ainda não sabe andar. A evolução é demorada e exige dedicação constante.

Aplicando o "Método das 4 bases"

O especialista sugere usar o "Método das 4 bases", que deu origem ao conceito de Longevidade Financeira. A proposta é destinar 20% às reservas financeiras e outros 5% aos seguros. “Existem perdas e imprevistos que não esperam sua reserva estar formada”, defende.

Apesar do percentual alto, que pode ser doloroso para muitos no início, Girolli sugere insistência, tal qual a criança, que vai cair algumas vezes, mas que terá um resultado compensador.

Para construir reservas financeiras é preciso mudar hábitos 

A Pesquisa de Preparo para Aposentadoria mostra que pouco mais de um terço (34%) das pessoas no Brasil são poupadores habituais. O número é muito menor do que a média mundial de 39%. Uma das conclusões do estudo diz que “de forma animadora, 22% dos que não estão economizando pretendem fazê-lo”.

Ao contrário do que muitos acreditam, o primeiro objetivo não é construir uma reserva de emergência com um montante equivalente ao triplo ou mais do valor dos seus gastos.

“O primeiro projeto é você ter apenas um único mês de salário líquido guardado, de modo que suas despesas do mês sejam cobertas por essa reserva e não pelo salário que você acabou de receber”, explica.

Isto equivale a ter 80% de sua renda líquida mensal guardada. Quando atingimos essa meta, voltamos a falar sobre prevenir problemas. Para Girolli, “o efeito psicológico de você não ficar desesperado esperando o salário cair na conta todos os meses é gigantesco e vai além do que somos capazes de perceber num primeiro momento. Tem a ver, inclusive, com uma reprogramação de hábitos”.

Alguns especialistas americanos chamam isso de “age your money”, algo como “envelheça o seu dinheiro”. Hirbis, porém, prefere chamar de independência financeira em relação ao ciclo salarial ou técnica do salário adiantado.

Seguindo a metodologia, se você conseguir poupar 20% de sua renda líquida disponível, terá o equivalente a 80% em quatro meses.

Passo a passo para ter um planejamento financeiro 

1) Durante 4 meses se coloque em ‘distanciamento social’, para tentar se manter o mais longe possível dos gastos não essenciais;

2) Ao receber seu salário, antes de fazer qualquer gasto, separe os 20% da reserva;

3) Para os 80% que sobram, destine 5% aos seguros (casa, vida, saúde e acidentes). Para o restante, restabeleça prioridades de acordo com os princípios da pirâmide de Maslow (despesas de manutenção, satisfação e realização).


O que aconteceria se sua família precisasse de apoio financeiro e você não estivesse por perto? Contrate um seguro de acidentes pessoais e deixe essa preocupação de lado. Simule aqui.


Mas o que fazer se você não mora sozinho e precisa fazer isso para toda a unidade familiar? O especialista responde: “se cada pessoa paga a suas despesas e algumas da casa são rateadas, adapte abordagem similar à individual”.

Longevidade financeira 

De acordo com as conclusões da pesquisa, muitos trabalhadores estão cientes de que viverão mais e suas expectativas são bastante realistas. Globalmente, os trabalhadores esperam viver até os 80 anos (mediana).

O aumento da longevidade proporciona às pessoas a oportunidade de ressignificar ideias e aderir a novos comportamentos. Girolli conclui que, nesse cenário, “poupar 20% da renda líquida será o ‘novo normal’ para aqueles que querem evitar os males da falta de reserva financeira”.

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