O Instituto de Longevidade Mongeral Aegon publicou, em julho deste ano, a 7ª edição da Pesquisa Aegon de Preparo para a Aposentadoria, com o tema O Novo Pacto Social: um modelo para a aposentadoria no século 21.

Desenvolvido em parceria com o Aegon Center for Longevity and Retirement e o Transamerica Center for Retirement Studies, o estudo tem o objetivo de examinar as inseguranças da aposentadoria num momento da história em que as Megatendências estão mudando a forma como as pessoas vivem, trabalham, envelhecem e se aposentam.

De acordo Leandro Palmeira, responsável pela pesquisa no país, apesar de o Brasil ocupar o terceiro lugar entre os 15 países participantes, posição alcançada devido a fatores como compreensão financeira e consciência sobre o ato de poupar, a pesquisa aponta para a necessidade de mais ações concretas de planejamento.


Clique aqui para acessar a Pesquisa Aegon de Preparo para a Aposentadoria na íntegra.


O portal de notícias do Instituto de Longevidade foi conversar com Leandro Palmeira para entender melhor sobre a pesquisa. Leia abaixo a entrevista na íntegra.

Instituto de Longevidade: De acordo com a Pesquisa de Aposentadoria, lançada recentemente no país pelo Instituto de Longevidade, quais são as maiores tendências quando o assunto é planejamento de aposentadoria no Brasil?

Leandro Palmeira: Nosso mundo está mudando rapidamente em meio a tendências como globalização, inovação, avanços em ciência e tecnologia. Muitas destas são tão impactantes que podem ser consideradas ‘Megatendências’. As mudanças provocadas pelas Megatendências estão moldando os arranjos sociais: como as pessoas conduzem suas vidas, planejam o futuro e, em última análise, se preparam para a aposentadoria. Mais da metade, 54% das pessoas no Brasil dizem que as reduções nos benefícios de aposentadoria do governo estão impactando seus planos de aposentadoria. Nenhuma outra tendência, em nenhum outro país pesquisado, é considerada mais importante. De fato, este fenômeno aqui é plenamente compreensível: nos últimos anos, a sociedade brasileira vem debatendo propostas de reforma da previdência pública.

Instituto de Longevidade: O que falta no planejamento dos trabalhadores brasileiros?

Leandro Palmeira: O papel que o indivíduo desempenha no preparo para a aposentadoria está aumentando gradualmente. No entanto, é preciso tornar-se exponencial. Intensões precisam se transformar em ações mais rapidamente. Apenas 21% dos trabalhadores brasileiros têm um plano formal de aposentadoria. Isto significa que é preciso materializar intensões de poupança e planejamento em formas concretas de acúmulo de recursos para o futuro, além de planos emergenciais e alternativos, caso haja interrupções ou mudanças não esperadas na trajetória de vida das pessoas.

No Brasil, dois em cada cinco trabalhadores, aproximadamente 39%, estão economizando para a aposentadoria de forma recorrente, exatamente em linha com a média global.

Instituto de Longevidade: Qual a diferença entre os trabalhadores brasileiros e os de outros países quando o assunto é planejar a aposentadoria?

Leandro Palmeira: A principal diferença é o nosso sentimento de maior preparo. Desde que se juntou à pesquisa, o Brasil consistentemente apareceu entre os três maiores pontuadores quando se trata do preparo para a aposentadoria. Ao longo dos anos, nossas pesquisas constataram, consistentemente, que poupar regularmente é o melhor caminho para o preparo para a aposentadoria. No Brasil, dois em cada cinco trabalhadores, aproximadamente 39%, estão economizando para a aposentadoria de forma recorrente, exatamente em linha com a média global. Embora esta não seja uma notícia ruim, não podemos comemorar. Nosso generoso sistema de Seguridade Social, combinado com a percepção do brasileiro de se identificar como pertencente a um país jovem, com uma atitude confiante, de que tudo vai dar certo no final, ajudam a explicar por que os trabalhadores se sentem tão otimistas sobre a sua aposentadoria, enquanto ao mesmo tempo levanta dúvidas sobre a sustentabilidade deste nível de otimismo.


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Instituto de Longevidade: As empresas brasileiras oferecem algum programa de pré ou pós aposentadoria?

Leandro Palmeira: Embora crescente, o mercado de previdência privada no Brasil ainda apresenta um espaço modesto no mercado de trabalho formal. Soluções previdenciárias oferecidas aos empregados são mais comuns em grandes empresas e multinacionais. Há, de fato, um rápido crescimento no mercado dos planos de previdência ‘instituídos’.

Instituto de Longevidade: Como esses programas são percebidos pelos empregados?

Leandro Palmeira: A inscrição automática, que é um recurso do plano no qual os funcionários são automaticamente inscritos e só precisam agir se preferirem não economizar, é bem vista por aqui. A pesquisa constatou que 58% dos trabalhadores dizem achar esta ideia atraente.

Dinheiro e saúde estão no topo da lista de preocupações relacionadas à aposentadoria no Brasil. Poder pagar por um plano de saúde durante a aposentadoria é um ponto de grande incerteza.

Instituto de Longevidade: Quão bem você diria que os boomers e a Geração X estão se preparando para a aposentadoria?

Leandro Palmeira: Dinheiro e saúde estão no topo da lista de preocupações relacionadas à aposentadoria no Brasil. Poder pagar por um plano de saúde durante a aposentadoria é um ponto de grande incerteza. Apenas 12% das pessoas no Brasil estão muito ou extremamente confiantes de que seus planos de saúde serão acessíveis na aposentadoria. Os Millennials do Brasil são mais confiantes do que os Baby Boomers, 14% contra 9%, respectivamente. Os trabalhadores mais jovens, ao calcular os custos de vida esperados durante a aposentadoria, precisam considerar o fato de que, com a idade, a saúde pode ser mais difícil de lidar do que eles vislumbram.


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Instituto de Longevidade: Que análise podemos fazer do resultado da pesquisa?

Leandro Palmeira: O conceito de preparo para a aposentadoria está mudando rapidamente, em todo o mundo. Os trabalhadores de hoje encontram-se em um ambiente muito diferente daquele de seus pais. Em muitos países, o Pacto Social tradicional para a aposentadoria, descrito no relatório deste ano, está desmoronando. A maior expectativa de vida significa que as antigas certezas de uma pensão generosa do governo estão desaparecendo. Há necessidade de uma redistribuição da responsabilidade sobre a forma de como as pessoas financiam e se preparam, assegurando que as ferramentas, recursos e infraestrutura necessárias sejam fornecidas. É preciso honrar os princípios da sustentabilidade e da solidariedade, fornecendo redes de segurança adequadas que permitam às pessoas envelhecer com dignidade, evitar dificuldades financeiras na velhice e garantir que os vulneráveis não sejam deixados para trás.

Instituto de Longevidade: O que o governo está fazendo para ajudar essas pessoas e o que poderia fazer a mais?

Leandro Palmeira: A palavra-chave é Educação. A falta de educação financeira generalizada é alarmante. Abordar isso deve ser uma prioridade para os formuladores de políticas, educadores, provedores de benefícios de aposentadoria e outros. É nosso papel instar o governo a cumprir esta que é uma de suas funções principais: educar. A pressão sobre o pacto social existente significa que cada vez mais responsabilidade está caindo nas mãos dos indivíduos e se distanciando dos especialistas. Fazer um plano para a aposentadoria significa navegar por muitos conceitos financeiros diferentes. Em um mundo no qual espera-se que os trabalhadores exerçam mais opções sobre o quanto eles poupam para a aposentadoria, e como essas economias são investidas, é imperativo aumentar a educação financeira entre adultos e fornecer mais educação desde cedo, de forma a possibilitar às crianças a aquisição dessas habilidades de maneira natural.

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