Tirar uma licença – não remunerada – de suas atividades profissionais pelo período de um ano para se dedicar exclusivamente a um projeto pessoal. Já pensou nisso?

Cada vez mais pessoas em todo o mundo estão se sentindo insatisfeitas com o rumo que a vida pessoal e profissional tomou ao longo da trajetória e resolvem tirar períodos sabáticos. Ao contrário das férias, usadas exclusivamente para descanso e lazer, o período sabático é concedido pelas empresas aos funcionários justamente para que ele tenha a oportunidade de pôr em prática algum projeto particular, realizar um curso ou uma vivência em outras culturas, que certamente o ajudarão a potencializar algumas qualidades essenciais para o trabalho.

Algumas pessoas aproveitam o período de crise e desemprego para se dedicar aos estudos, e então viajam a outros países para melhorar seu domínio sobre línguas estrangeiras. Outras pedem licença nas empresas onde trabalham, esperando poder contar com a compreensão dos chefes que, aos poucos, vem aumentando.


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Por norma, para tirar um ano sabático é necessário que o funcionário apresente um projeto para a empresa onde trabalha, mostrando todo o seu planejamento de ações e metas para aquele período. É preciso mapear de forma clara e objetiva os benefícios que o ano sabático trará ao funcionário e, consequentemente, à empresa. Por vezes, os benefícios são tão promissores para ambas as partes que as próprias empresas financiam projetos sabáticos dos funcionários, parcial ou integralmente. Também acontece de o funcionário tirar um ano sabático e continuar recebendo seus salários normalmente.

Os motivos variam muito de acordo com a fase de vida da pessoa. “Os mais jovens buscam ficar fluentes no idioma, se preparar para o mercado de trabalho, ter mais segurança e fazer escolhas mais conscientes em sua trajetória profissional”, explica Andrea Arakaki, diretora geral da EF Education First no Brasil. Já para um público adulto, os motivos de tirar um ano sabático são outros. “Há aqueles que não conseguiram aprender inglês pelos métodos tradicionais e sabem que é importante ter um segundo idioma e por isso querem investir em uma imersão de longa duração. Há também aqueles que desejam redirecionar a carreira e aproveitam a experiência no exterior para fazer essa mudança. E há aqueles que buscam a realização do sonho de viver um tempo no exterior e que tiveram que adiar por diferentes motivos”, revela a executiva.

“Percebemos que a estabilização da vida financeira e a diminuição das responsabilidades com a criação dos filhos faz com que o público com mais de 50 anos passe a investir mais nesse sonho”

Andrea conta que as faixa etárias predominantes são de 18 e 22 anos e de 30 e 35. Porém, desde 2015, a empresa tem notado um aumento progressivo do público com mais de 50 anos que opta por tirar um ano sabático. Em 2017, o crescimento foi de 8% com relação ao ano anterior, mas a expectativa é de que esse número continue a crescer nos próximos anos. “Percebemos que a estabilização da vida financeira e a diminuição das responsabilidades com a criação dos filhos faz com que o público com mais de 50 anos passe a investir mais nesse sonho”, avalia.

Um estudo realizado pela Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association) com 466 representantes de empresas identificou que, entre os anos de 2015 e 2017, houve um aumento de 30% na procura de intercâmbios por pessoas com idades entre 30 e 60 anos. Os destinos eram os mais diversos, mas a preferência dos entrevistados era por cursos de idiomas. Programas que oferecem a possibilidade de trabalho temporário também subiram no ranking dos mais procurados, da quarta colocação em 2015 para a segunda em 2017.

Segundo Andrea, os destinos mais procurados na EF são New York, San Diego, Chicago, Londres e Oxford. Já para o público com mais de 50 anos, um dos preferidos é Vancouver, seguido por Roma e Madrid.

“Oferecemos programas de 6 meses a 1 ano, para aprender um idioma no exterior, mas há também programas mais específicos, voltados para aprender inglês em diferentes áreas de atuação profissional e também um programa voltado para preparar o aluno para ser admitido em uma universidade, pós-graduação ou MBA no exterior”, acrescenta.

Os valores variam de acordo com o destino. “O valor inicial para 6 meses é 10.490 USD para Malta e o mesmo programa em Vancouver sai por 11.490 USD. Ambos incluindo curso de idioma geral, acomodação em casa de família em quarto duplo com café da manhã e jantar, durante todo o período do curso”, informa a executiva.

Quatro dicas para você se preparar para tirar um ano sabático:

  1. Tenha em mente um objetivo claro

Saiba exatamente o que você deseja fazer e em que pretende investir. Entenda os motivos da sua escolha e avalie bem para não ter arrependimentos. Com essas informações bem definidas, será possível desenvolver um cronograma mais preciso e um orçamento necessário.

  1. Monte o seu pacote com antecedência

A passeio ou a trabalho, não importa o motivo. Se a intenção for sair do país, você precisa definir um roteiro de viagem com todos os destinos, cursos que deseja realizar, locais de hospedagem e formas de locomoção. Faça contato com consulados para saber a respeito de vistos (agências de viagem também poderão auxiliar nesse processo).

  1. Huston, we have a problem!

Como você passará um bom tempo longe de casa, é importante contar com o apoio de familiares ou amigos para resolver problemas que poderão surgir durante esse período. Dados pessoais ou bancários e senhas deverão ser compartilhados com pessoas da sua máxima confiança. Lembre-se que pagamentos podem ser programados, o que dará um maior controle.

  1. Organize-se financeiramente

Você precisará de uma boa quantia para se manter durante esse período. Isso sem falar nos gastos com viagens, passagens, acomodações, alimentação, documentação, seguros, taxas de cursos, imprevistos etc. Vender um apartamento ou um carro será de grande valia para levantar uma boa quantia num curto tempo. Procure se informar sobre o seu FGTS e a possibilidade de sacá-lo.

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