O ditado já diz: quem canta seus males espanta. Esse provérbio é sábio. E, invertendo um pouco a ordem dos fatores sem alterar o produto final, podemos afirmar que as canções em geral trazem coisas boas. Por sinal, são os especialistas que elegem a musicoterapia como um caminho para a longevidade saudável.

E sem distinção: todos os gêneros sonoros são bem-vindos nessa pauta. “Cada pessoa tem uma resposta diferente ao estímulo musical”, explica Rafael Ludovico Moreira, musicoterapeuta e mestre em gerontologia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Isso significa que um indivíduo pode se sentir bem ouvindo heavy metal, enquanto outro se irritaria durante uma audição de música clássica. “Tem gente que relaxa com sons de água, já eu sinto vontade de fazer xixi com eles”, cita o musicoterapeuta.


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A razão disso é simples: a relação com o som é mesmo muito íntima – e está diretamente ligada ao histórico de vida de cada um. “O estímulo musical é sinestésico”, afirma Moreira. “Alguém que tenha uma avó que entoava determinada canção irá se lembrar dela e do gosto do bolinho de chuva que ela fazia ao ouvir a melodia”, desenvolve.

“A pessoa vivencia essas memórias em vez de apenas evocá-las”, compara. “A música é muito intuitiva, projetiva. Provoca sensações, mais do que quando vemos uma fotografia, por exemplo.”

Musicoterapia: elixir para memória, cognição e coordenação motora

Essa capacidade de associação emotiva com fatos e lembranças a partir do som está totalmente ligada ao seu potencial terapêutico. “A música trabalha vários estímulos, inclusive o dos tecidos musculares por meio da vibração, e a própria memória”, destaca o especialista.

“Também promove a socialização. E, junto com a dança e o ritmo, favorece ainda a coordenação motora. Pense, por exemplo, nos níveis de atenção e vigilância necessários para conduzir aquela brincadeira do ‘Escravos de Jó’ [jogo infantil de cantiga de roda].”

A musicoterapeuta Daiane Pazzini Marques, idealizadora do projeto Colheita da Maturidade – que oferece atividades de estimulação cognitiva para os 50+ –, também vê a música como grande aliada na recuperação da memória. “Além de ser utilizada para expressar emoções e sentimentos, ela resgata a identidade do idoso, que entra em contato com canções que marcaram sua vida e recorda momentos significantes.”

Aliás, Daiane também frisa o papel dos estímulos musicais no fortalecimento da autoestima e dos vínculos sociais. “Através do prazer de fazer, criar e compartilhar música, seja ouvindo, cantando, dançando ou tocando um instrumento, o idoso tem consciência do quanto ele ainda é capaz de produzir e experimentar, melhorando sua qualidade de vida de uma forma geral”, sintetiza.

Música como terapia contra Alzheimer, Parkinson e depressão

Mais especificamente no que diz respeito a determinadas patologias, Daiane ressalta que “a musicoterapia é utilizada na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e depressão”.

Mas, nesses casos, ela se refere à atuação especializada do musicoterapeuta, justamente por não haver uma “receita pronta” de “remédio musical” para cada paciente. “O profissional avalia qual o tipo de música que beneficia cada pessoa de acordo com o seu histórico sonoro. Uma mesma canção pode causar efeitos diversos em indivíduos diferentes, sendo eles positivos ou negativos”, reitera.

As particularidades variam também em relação a onde e como escutar um som. “Não existe uma forma ideal”, afirma Daiane. “O bem-estar que ela causa vai da preferência de cada um. Assim, alguns têm o hábito de ouvir música enquanto realizam alguma atividade ou fazem exercícios, ou como um recurso para motivar seu dia a dia”, diz. “Outras pessoas utilizam a música para relaxamento, meditação ou um momento de conexão interior, reduzindo o estresse e a ansiedade.”

Mesmo quem tem deficiência auditiva pode se beneficiar da musicoterapia, conforme salienta Moreira. “Os sons também ressoam e vibram”, diz. “Usamos tambores, surdos e caixas que destacam os graves.”

Então, podemos dizer que a música como terapia e segredo para a longevidade saudável já é de fato bola cantada. E que a voz do velho ditado está em perfeita harmonia com as convicções atuais.

Serviço

Rafael Ludovico Moreira, musicoterapeuta: rafael_terapia@hotmail.com; 0/xx/11/99739-3773

Projeto Colheita da Maturidade: https://colheitadamaturidade.blogspot.com/

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