Muito provavelmente você já ouviu falar que os homens vivem menos do que as mulheres. Para sermos mais exatos, a expectativa de vida deles é 5,8 anos menor do que a delas, de acordo com o relatório Masculinidade e Saúde na Região das Américas, divulgado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde). Alguns aspectos influenciam esse número alarmante e o que eles têm em comum é estarem relacionados à masculinidade tóxica.


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Ainda mesmo antes dos 10 anos de idade, muito meninos já ouviram frases como “homem não chora” e “se voltar chorando para casa por que arrumou confusão na rua, vai apanhar”. Para as meninas, existem outros discursos tão podadores quanto. O caso em questão, no entanto, aponta para como comportamentos ditos masculinos costumam levar à violência, que por sua vez podem levar à morte.

Trazendo luz à reflexão, o Instituto de Longevidade Mongeral Aegon entrevistou a professora de sociologia da Universidade Federal de Goiás, do núcleo de pesquisa em gênero e sexualidade, Eliane Gonçalves.

Para começar, Eliane introduz a influência da nossa educação quanto aos comportamentos que reproduzimos. “Eles [os meninos] vão sendo empurrados para uma socialização que os distanciam muito do mundo feminino, das mulheres e meninas”.

De forma estrutural, tendemos a repetir os mesmos hábitos comportamentais, como achar que rosa é cor de menina e azul de menino. É possível que uma menina use azul, mas quase inaceitável um menino usar rosa.

Masculino x feminino

“Os meninos vão sendo educados para serem aquilo que não representa o mundo das mulheres. Ser homem é não espelhar aquilo que é o feminino. Então é por oposição. A gente vai aprendendo que homens e mulheres são como opostos”, explica a socióloga.

Associamos emoções ditas frágeis às meninas, como chorar, se importar e cuidar do outro. Enquanto eles são ensinados desde novos a reprimir tais sentimentos. Eliane corrobora: “todas as emoções são básicas e humanas. Elas não são nem das mulheres e nem dos homens em particular. Esse corte que é feito na socialização... não é do biológico, não está enraizado em nenhuma natureza biológica ou psicológica”.

A partir dos estímulos que damos a eles enquanto indivíduos dentro da sociedade, vamos reforçando essas atitudes. Eliane comenta que “o menino aprende com a separação do feminino que ele precisa se portar de um modo viril. O que significa uma postura muito mais violenta. Ele vai aprendendo que precisa modelar uma série de atitudes que façam com que seja visto como um homem forte, poderoso, astuto etc.”.

Por que homens vivem menos?

De acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o que impacta a sobrevivência do homem precocemente são causas externas, sobretudo acidentes e violência. Além disso, eles ainda dão menos atenção a cuidados com a saúde e prevenção, se comparados com as mulheres.

Além da importância de debater essas questões a fim de criar consciência, é necessário prevenir acidentes. Para homens com mais de 60 anos, os riscos podem estar dentro de suas próprias casas. Pensando nisso, a MAG Seguros criou o Master Acidentes Domiciliares, que oferece serviços de assistência ao lar para evitar imprevistos.

Entre muitos aspectos que devem ser considerados, a masculinidade tóxica ou violenta, como a especialista prefere chamar, abrange grande parte das causas. Para serem incluídos na performance masculina e mais facilmente aceitos na sociedade, os meninos adotam tais características. Se tornam menos afetuosos e mais agressivos.

Levam a agressividade para suas relações pessoais, amorosas, profissionais e nas questões cotidianas, como no trânsito. A obrigação de cumprir a masculinidade estereotipada - como não demonstrar medo, se mostrar forte e ser capaz de encarar situações adversas física e emocionalmente – os colocam em riscos.

Nas redes sociais existem diversas páginas que falam sobre o tema de forma cômica. No perfil “homens vivem menos”, no Twitter, os administradores postam vídeos de homens se arriscando em aventuras com alta probabilidade de acidentes. Para descrever a conta, os criadores usam a frase “se a morte eh certa, nois morre do melhor jeito parsero” (sic). E ainda pedem aos seguidores que mandem sugestões de vídeos para serem repostados.

Homens representam 76% dos suicidas do Brasil

O dado extraído do relatório da OMS aponta que 76% dos suicidas brasileiros são do sexo masculino. Quem comenta um dos motivos que o levou a tentar tirar a própria vida é Jonny Benjamin, que ganhou destaque na imprensa com uma campanha para encontrar o homem que o salvou do suicídio que tentou cometer em Londres.

Em seu depoimento, Benjamin diz que “a sociedade parece gostar de dizer aos homens como devem agir... Fomos aconselhados a ‘sair, ganhar dinheiro, voltar para casa e cuidar das crianças. Os homens devem ser homens’. O próprio dicionário traz, como sinônimos de másculo, ou masculino, palavras como força, vigor e intrepidez”.

“Mas quando eu estava doente, com dificuldade de lidar com a vida, foi justamente o medo de não poder atender a essas expectativas que me levou a pensar no suicídio”, completa Jonny.

Rompendo a masculinidade tóxica 

A socióloga explica que “o mesmo ‘veneno’ irá produzir a cura quando essas relações forem quebradas e os homens puderem experimentar relações baseadas em uma outra forma de solidariedade”.

Isto porque, segundo Eliane, “os homens se protegem em grupo de fraternidade, que é muito mais forte e enraizada do que a experiência de amizade das mulheres. Existem raízes violentas de suas relações fraternas. A fraternidade masculina está muito ligada a omissão da violência e proteção dessas atitudes”.

Na contramão da estrutura da masculinidade tóxica, alguns homens estão tentando romper ou minimizar estes comportamentos, mudando também os seus efeitos para o indivíduo e sociedade.

Em entrevista para a revista GQ, Amanda Sadi, YouTube Activation Lead para o Google, mostra que “hoje, homens são 40% da audiência de cuidados infantis no YouTube, e a gente vê que 88% deles afirmam que ser um bom pai é participar ativamente do dia a dia dos filhos”.

Outro dado que contribui para a quebra do estereótipo masculino é o aumento de 44% na busca por beleza masculina no Google. “A gente vê que os conteúdos não são voltados só para o público LGBT”, analisa Amanda.

O papel da educação 

Viralizou na internet o caso de um pai alemão que começou a usar saias, pois seu filho de cinco anos, que gosta de usar vestidos, estava sendo ridicularizado no jardim de infância. Segundo o próprio pai, Niels Pickert, essa foi uma maneira de oferecer apoio ao filho.

“Eu sou um daqueles pais que tentam criar seus filhos de maneira igual. Eu não sou um daqueles pais acadêmicos que divagam sobre a igualdade de gênero durante os seus estudos e, depois, assim que a criança está em casa, se volta para o seu papel convencional: ele está se realizando na carreira profissional enquanto sua mulher cuida do resto”, defendeu Pickert em entrevista para Gawker.com.

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