A vida é assim: a gente nasce, cresce, fica maduro, envelhece e morre. Mas será que esses processos se dão da mesma forma para todas as pessoas? Um estudo publicado na revista Nature Medicine sugere que o processo de envelhecimento humano pode ser dividido em quatro categorias. De acordo com os responsáveis pela pesquisa, a descoberta pode ajudar médicos a personalizarem tratamentos e recomendações de estilos de vida para os seus pacientes.

Cento e seis voluntários com idade entre 29 e 75 anos e saúde em perfeito estado participaram do experimento. Durante dois anos, os cientistas recolheram várias amostras de sangue, substâncias inflamatórias, micróbios, material genético, proteínas e subprodutos de processos metabólicos dos participantes em busca de alterações moleculares. O objetivo era entender como as medições levantadas se relacionavam com o envelhecimento.


Só quem participa do grupo de Whatsapp do Instituto de Longevidade recebe os melhores conteúdos informativos. Clique aqui e faça parte!


Os cientistas levantaram cerca de 600 marcadores de envelhecimento, alguns novos e outros já conhecidos, capazes de revelar a idade biológica de cada parte do corpo por meio de sua capacidade funcional. Também foram identificados padrões moleculares distintos de envelhecimento em pessoas com resistência à insulina em comparação a pessoas sem a mesma resistência.

A partir desses dados, os pesquisadores chegaram a quatro tipos de envelhecimento, ou “ageotypes”: imunológico, renal, hepático e metabólico. Com essas definições, será possível saber se alguém está mais propenso a, em algum momento, sofrer de diabetes, câncer ou doenças coronárias, por exemplo.

Resultados inconclusivos

Nos voluntários que apresentaram o envelhecimento imunológico, os cientistas perceberam uma maior quantidade de indicadores de inflamações com o passar dos anos. Já os que tinham envelhecimento metabólico acumulavam mais açúcar no sangue. O time também descobriu que as concentrações de diversos micróbios podem mudar com o avanço da idade, mas ainda não se sabe como isso pode afetar a saúde.

Outro ponto de inconclusão foi como identificar ao certo se uma pessoa se encaixa em um ageotype ou em outro, e se um mesmo indivíduo pode se enquadrar em mais de um perfil. Com relação aos marcadores, os cientistas explicam que alguns ainda não foram totalmente compreendidos, e não descartam a hipótese de haver outras classificações.

A ideia dos responsáveis pelo estudo é continuar acompanhando o grupo por mais alguns anos para verificar eventuais mudanças nos tipos de envelhecimento de cada um.

tipos de envelhecimento

Foto: Diego Cervo / Shutterstock

Em um comunicado, o coautor da pesquisa Michael Snyder disse: "Se [estudássemos] mil pessoas, tenho certeza que encontraríamos outros marcadores de envelhecimento cardíaco e essa categoria seria melhor definida".            

Snyder, que também é professor de genética da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, contou ao site Live Science que outros estudos já tentaram identificar marcadores de envelhecimento a partir de dados sobre grandes populações, comparando informações de pessoas jovens com pessoas idosas. De acordo com o pesquisador, o problema é que o tipo de abordagem utilizado considerou apenas um momento específico no tempo, por isso não foi possível mostrar como alguém pode mudar com o passar dos anos.

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: