Com o distanciamento social e a reclusão provocados pela pandemia da Covid-19, muito tem se falado sobre suplementação de vitamina D em idosos. Mas você sabe de fato de que forma esse nutriente está relacionado à imunidade e com a exposição à luz solar? 

O Instituto de Longevidade Mongeral Aegon foi em busca dessas respostas em entrevista com o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Dr. Durval Ribas-Filho. Ele explicou a diferença da vitamina D ativa e inativa, por que idosos têm maior deficiência de vitamina D e qual a melhor estratégia para fazer a suplementação. Confira abaixo!

Suplementação de vitamina D em idosos

Instituto de Longevidade Mongeral Aegon - De que forma o sistema imunológico está associado aos nutrientes?

Dr. Durbal Ribas-Filho - Nossa função imunológica é dividida em função inata e adquirida. A imunidade inata é constituída de barreiras físicas e mecanismos de defesa através de secreções, músculos, ácido gástrico e outras respostas gerais que a gente chama de complementos não específicos. Esse tipo de imunidade vai nos defender a partir do momento em que ele identifica algo estranho no nosso organismo, constituindo essa barreira em poucos minutos ou horas. O outro é o sistema adquirido ou adaptativo. Esse sim é altamente específico, identifica o patógeno e através de moléculas vai nos defender, o que demora dias.

suplementação de vitamina D em idosos

Durval Ribas-Filho, presidente da Abran. Crédito: Divulgação

A velocidade da resposta vai depender dos requisitos que eu tenho para uma boa função imunológica e é aí que entra a parte nutricional, os macro e micro nutrientes. Se um indivíduo tem uma dieta restrita, se for sedentário, obeso, tiver stress, for tabagista e um poder aquisitivo baixo, ele vai ter um impacto nutricional que vai comprometer a função imunológica, aumentando o risco de infecção, inclusive do novo coronavírus. Dentre os micro nutrientes, citamos a vitamina B12, ácido fólico, zinco, ferro, cobre, selênio, vitamina C, vitamina A, E, B6, e evidentemente a vitamina D.

ILMA - No caso específico da vitamina D, como ela impacta na imunidade dos idosos? 

DRF - Estudos mostram que baixas concentrações de vitamina D aumentam a produção de ocitocinas pró-inflamatórias, que são células que favorecem a inflamação. Então, a vitamina D em boa concentração aumenta a reposta imunológica. Muitas células imunes têm receptores de vitamina D. É como se fosse uma porta com fechadura. Sendo a vitamina D uma chave para essa fechadura, ela pode fechar a porta para infecções, aumentando a capacidade fagocitária, ou seja, é como se ela engolisse a célula estranha de vírus, bactérias ou fungos, protegendo o organismo.

ILMA – E de que forma podemos ter mais vitamina D no organismo? 

DRF - A vitamina D pode ser adquirida em até 20% por meio da alimentação e 80% é pela luz solar. Ela está no nosso tecido subcutâneo na forma inativa e quando recebe a luz solar é que essa forma inativa se transforma em ativa, vai para o fígado e rins, transformando em calcitriol, que é a forma da vitamina D que precisamos.

Neste sentido, uma pessoa obesa terá mais dificuldade de penetração dos raios solares no tecido subcutâneo. Já os idosos têm menor quantidade de tecido subcutâneo, o que também leva a essa deficiência de vitamina D.


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Um jovem tem entre 25 a 30 nanogramas de vitamina D. Já o idoso tem de 15 a 20 nanogramas. Dependendo da região onde se vive, o clima e as condições socioeconômicas, a taxa de deficiência de vitamina D em idosos varia entre 42% e 83%, então é necessária a suplementação.

ILMA – Quando fazer a suplementação? Ela deve ser específica para a vitamina D ou pode ser feita com compostos multivitamínicos?

DRF - Um grande avanço na medicina, através da nutrologia, foi poder detectar individualmente as necessidades que um paciente tem de um micronutriente. Ao oferecer multivitamínicos e minerais, você não identifica a necessidade específica e, às vezes, pode oferecer nutrientes a mais sem necessidade, causando até uma intoxicação no médio e longo prazo. A falta de vitaminas e minerais provoca mais oxidação celular, mas o excesso também. Por isso, a suplementação só deve ser feita por prescrição médica de acordo com o quadro clínico do paciente. 

Alguns países já fazem fortificação de alimentos com a vitamina D, mas a suplementação via alimentação é mais difícil no Brasil porque alguns dos alimentos mais ricos nesse tipo de nutriente não costumam fazer parte do nosso cardápio, como salmão e cogumelos. Sendo assim, os suplementos ajudam, mas é importante ressaltar que, igual à exposição à luz solar, não existe. 


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