Medicamento usado há décadas em pacientes que sofrem de gota, a colchicina pode ajudar no tratamento de inflamações pulmonares em pacientes com Covid-19. A descoberta, feita por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicinada da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), em Ribeirão Preto, foi publicada em artigo - ainda sem revisão por pares - na plataforma medRxiv.

De acordo com o estudo, os voluntários que receberam doses de colchicina no tratamento ficaram livres da suplementação de oxigênio, em média, três dias antes do que os pacientes que receberam o protocolo padrão do hospital.

Para o professor da FMRP-USP e coautor do artigo Paulo Louzada Junior, a descoberta pode representar uma grande economia para os cofres da rede pública de saúde. Segundo ele, cada dia de internação em UTIs pode custar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por paciente. "A suplementação com oxigênio, mesmo quando é feita fora da UTI, também é uma terapia cara. A colchicina, por outro lado, é um medicamento barato e com potencial de uso em larga escala. O tratamento completo custou cerca de R$ 30 por paciente”, afirma.


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Outro ponto positivo é que os efeitos colaterais da colchicina já são muito conhecidos pelos médicos. “De modo geral, a colchicina é considerada segura. Mas é importante ressaltar que, no caso da Covid-19, os benefícios foram observados apenas em pacientes hospitalizados e com algum nível de comprometimento pulmonar. Não recomendamos o uso indiscriminado do fármaco, nem para prevenção e nem para tratar sintomas leves da doença”, destaca o pesquisador.

Os benefícios ainda precisam ser confirmados em uma pesquisa com um número maior de participantes.

O experimento com a colchicina

Os voluntários foram divididos em dois grupos: ambos foram tratados com o protocolo terapêutico padrão do hospital para a Covid-19, mas somente um grupo recebeu a colchicina, enquanto o outro recebeu placebo. Ao comparar os resultados dos grupos, os pesquisadores concluíram que o medicamento reduziu o tempo de oxigenoterapia, reduziu o tempo geral de internação e diminuiu mais rapidamente os níveis de proteína C-reativa no sangue, molécula considerada o principal marcador de inflamação sistêmica.

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