Acredite: boa parte dos casos de demências pode ser evitado. E, para isso, não é necessária nenhuma mágica, mas a adoção de hábitos simples, que podem ajudar na prevenção do Alzheimer, inclusive.

Tem mais: “As ações de prevenção são muito semelhantes para muitas doenças”, segundo o presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Carlos André Uehara. Ou seja, incorporar essas pequenas mudanças no dia a dia pode colaborar para reduzir a incidência de problemas no coração, como infarto, por exemplo.


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Mas vale lembrar que a adoção desses hábitos não significa que a doença não vá se desenvolver. “Contudo, é clara a associação de bons hábitos com melhores desfechos em saúde, reduzindo assim a probabilidade da maioria dos tipos de demência”, afirma o neurologista Kaue de Cezaro dos Santos, do centro médico Consulta Aqui.

A seguir, os médicos Carlos André Uehara, da SBGG, e Kaue de Cezaro dos Santos, do Consulta Aqui, ao lado da neuropsicóloga Gislaine Gil, do Trasmontano Saúde, esclarecem quais são os hábitos que vão te ajudar na prevenção do Alzheimer.

Hábitos para ajudar na prevenção do Alzheimer

Faça exercícios físicos

Quer reduzir as chances de apresentar declínio cognitivo e, de quebra, melhorar quadros de hipertensão, estresse e obesidade? Faça exercícios físicos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a prática de atividade também para quem já apresenta algum comprometimento cognitivo leve, como forma de reduzir o risco de declínio.

Alimente-se de forma saudável

Investir em refeições com frutas, verduras e legumes, além de gorduras boas, peixes e carnes magras, e reduzir o consumo de sal, açúcar e processados são formas de minimizar os riscos de ter Alzheimer. Atualmente, muitos especialistas têm defendido as dietas mediterrânea e dash.

O controle do peso e a ingestão de alimentos saudáveis ajudam a afastar a sombra da obesidade, que está ligada à síndrome pré-diabetes e metabólica. Anomalias na insulina levam a um quadro de aumento da inflamação e de altas concentrações de glicose no sangue, mecanismos que prejudicam a cognição.

Treine seu cérebro

“O treino cognitivo realizado com especialista reduz o risco de ter Alzheimer ao longo do tempo”, afirma Gislaine Gil, neuropsicóloga do Transmontano Saúde. Ela explica que a memória que normalmente se altera no Alzheimer é a declarativa episódica, em que é preciso “parar e pensar para ter uma informação, pois não é automática”.

Segundo a especialista, para obter resultados específicos, não valem “qualquer jogo, palavras-cruzadas e sudoku”. “Um neuropsicólogo vai fazer com que a pessoa lembre nomes e conteúdo de um texto, então é um treino específico.”

Fortaleça vínculos sociais

“Esse é um fator de prevenção e de melhora do desempenho cognitivo, independentemente da idade”, diz a neuropsicóloga, reforçando que os contatos sociais estimulam diversas regiões do cérebro. Para fortalecê-los, marque uma visita ao museu ou ao parque, telefone, combine um almoço ou mesmo envie mensagens, desde que as interações não se limitem apenas ao mundo virtual.

prevenção do Alzheimer

Para Gislaine, vale também reconhecer o lado bom das demais pessoas e fazer mais elogios. “Hoje nossa comunicação tem sido pouco assertiva e as pessoas estão sempre olhando aquilo que não é bom. Isso é algo que acaba afastando as pessoas de nós.”

Trate a hipertensão 

Pesquisadores nos EUA descobriram que pessoas com pressão arterial acima da média mostravam mais tecido cerebral morto causado por derrames (fluxo sanguíneo bloqueado), além de placas. O estudo, feito com 1.288 pessoas, foi publicado na “Neurology”.

A recomendação de especialistas é tentar manter a pressão sob controle, com visitas a cardiologista e sem recorrer à automedicação. Controlar o peso e o estresse também contam pontos para combater a hipertensão.

Cuide da audição

Um estudo que envolveu cientistas de sete países, publicado na revista científica “Lancet”, destacou que evidências sugerem que problemas auditivos podem aumentar o risco de demência na velhice. Ou seja, o recomendado é fazer acompanhamento periódico – e procurar um especialista quando detectar sinais de perda de audição.

Controle o diabetes

Além de regular a quantidade de açúcar no sangue, a insulina protege os neurônios. O diabetes provoca resistência a esse hormônio, causando uma resposta inflamatória. Como consequência, os vasos perdem flexibilidade e ficam mais maleáveis, prejudicando a cognição.

Segundo especialistas, o ideal é manter a doença sob controle. Para isso, é preciso considerar consultas regulares ao médico e manter uma alimentação balanceada.

Cultive a espiritualidade

“Se a gente for para a linha de que provavelmente os quadros demenciais têm um componente vascular, a gente tem que pensar em prevenir derrames, pequenas isquemias no cérebro, doenças isquêmicas do coração”, diz o presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Carlos André Uehara.

Nesse sentido, desenvolver a espiritualidade – que é um conceito mais amplo que religião e inclui comportamentos – pode ajudar. Entre esses comportamentos estão a resiliência e a adoção de uma vida mais simples, sem tanto estresse.

“A meditação vem combinada à espiritualidade. Aqui no Ocidente, está em moda o mindfulness. Isso faz com que a gente viaje pelo autoconhecimento, tem que esvaziar a mente, atingir um ponto de calmaria.”

Pare de fumar

Esse é mais um consenso entre médicos de diversas especialidades: o tabagismo aumenta o risco de desenvolver diversas doenças – incluindo demências. O cigarro tem neurotoxinas e o hábito impacta negativamente a saúde cardiovascular. Como consequência, menos oxigênio vai para o cérebro.

Pode não ser tarefa fácil, mas existem hoje diversos tratamentos para a cessação do tabagismo. Clique aqui para conhecer programas gratuitos, oferecidos pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer)/Ministério da Saúde em parceria com os estados.

Estude bastante

Desenvolver-se intelectualmente é uma forma “de ‘mascarar’ a progressão da doença”, segundo o neurologista Kaue de Cezaro dos Santos, do centro médico Consulta Aqui. Ele explica que, quando há vasto conhecimento, mesmo que se esqueça uma palavra, por exemplo, o cérebro usa um sinônimo, tornando o Alzheimer menos perceptível.

Santos exemplifica com o caso de uma pessoa que queira dizer “acenda o forno”. Se ela esquecer a palavra forno, “o cérebro rapidamente procura uma palavra sinônima e [ela] diz: ‘acenda o fogão’”.

Quando a bagagem cultural é pequena, essas alterações de memória são mais explícitas. “Uma vez esquecida a palavra, não temos como substituí-la, criando um espaço em branco e tornando a demência mais evidente.”

O neurologista recomenda a leitura de temas variados, o estudo de idiomas e o aprendizado de várias formas de fazer uma mesma ação. Essas, segundo ele, são ações mitigadoras para demências.

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