O mês de novembro, também conhecido como Novembro Azul, é marcado pela prevenção ao câncer de próstata, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e os riscos dessa doença para o homem. É o câncer mais comum entre o público masculino, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, e tem uma ocorrência maior a partir dos 65 anos. Por isso, é considerado um câncer da terceira idade.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a quantidade de novos casos chegou a 68.220 em 2018. É uma quantia elevada, mas que também pode ser justificada pelo aumento no número de buscas por tratamento e exames de rotina, afinal houve uma melhoria significativa na difusão de informações sobre o assunto no país. 


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Além disso, os métodos de diagnóstico estão cada vez melhores e mais assertivos, permitindo a detecção da doença nos estágios iniciais e de forma menos invasiva. Rafael Coelho, coordenador do departamento de Câncer de Próstata da Sociedade Brasileira de Urologia, explica que houve uma grande melhoria no mapeamento na doença, causando menos desconforto ao paciente.

“Hoje em dia temos métodos de imagens melhores, como a ressonância magnética”, afirma o médico. “Antigamente, os pacientes não tinham outra alternativa além do toque, mas agora conseguimos analisar e identificar o câncer através de imagens”.

Como diagnosticar o câncer de próstata

O exame de toque retal e a dosagem de PSA (Prostate-Specific Antigens, ou antígenos específicos da próstata em português) ainda são os testes mais usados pelos urologistas para verificar a possibilidade do tumor. No entanto, não são 100% assertivos e podem apontar problemas que, na verdade, não existem. 

Para comprovar se existe mesmo um tumor maligno agressivo, o paciente precisa se submeter à biópsia, um método invasivo que pode provocar mal-estar e outras complicações. Através da biópsia, o médico consegue, com o auxílio da ultrassonografia, extrair fragmentos de tecido da glândula para análise.

Apesar de seguro em relação ao resultado, a biópsia pode causar dores e desconforto, mesmo que o paciente não tenha câncer. Ele pode sofrer até mesmo risco de infecções ou expelir sangue pela urina nos dias seguintes ao procedimento.

Ressonância magnética: mais seguro e menos invasivo

A ressonância magnética surge, então, como uma alternativa aos exames de toque retal e dosagem de PSA. É um procedimento que tem como intuito diagnosticar o tumor com maior certeza e diminuir o número de biópsias desnecessárias. 

“A ressonância magnética é uma mudança de paradigma que permite examinar melhor os homens com suspeita de câncer de próstata. É um método não-invasivo usado para identificar os pacientes candidatos à biópsia”, explica Rafael. Graças ao procedimento, é possível descobrir se a biópsia é realmente necessária. 

Em alguns casos, pode-se atestar que o tumor identificado não é agressivo, ou seja, que crescerá lentamente e que não fará mal ao organismo. Isso porque a ressonância consegue mostrar as características biológicas dele, além de tamanho e localização. Nesses casos, uma intervenção ou um tratamento mais rigoroso poderão causar mais malefícios do que benefícios.

De acordo com um estudo realizado pela University College London (UCL), no Reino Unido, cerca de 27% dos homens com suspeita de câncer de próstata poderiam ter ciência de seu quadro médico sem precisar fazer uma biópsia. Isso graças à ressonância magnética.

Apesar de todos esses benefícios e da melhoria na identificação do tumor, Rafael não descarta o diagnóstico feito por toque retal. “A ressonância não deve substituir o toque. Ele ainda é algo que recomendamos para a população como um método de rastreamento simples e barato”. 

É importante frisar que a ressonância ainda é um procedimento caro, por isso, todas essas formas de diagnóstico e prevenção são válidas no cuidado à saúde.

A identificação precoce através do sangue

Outra pesquisa realizada pela Queen Mary University of London, também no Reino Unido, identificou um novo exame de sangue que pode ajudar a detectar o câncer de próstata agressivo. Aliado à dosagem de PSA, esse teste pode diminuir falsos resultados e evitar biópsias invasivas.

O novo exame consegue detectar células cancerígenas precoces (também chamadas de células tumorais circulantes, ou seja, CTCs) e ainda intactas, que entram na corrente sanguínea e podem se espalhar pelo corpo. Com isso, os resultados obtidos são mais precisos.

No estudo feito pela universidade, o novo exame foi aplicado em 98 pacientes pré-biópsia e 155 pacientes já com diagnóstico de câncer de próstata. Durante a pesquisa, descobriram que a presença de CTCs nas amostras de sangue pré-biópsia indicavam a presença de tumor agressivo. Com isso, foi possível obter um resultado mais assertivo, prevenindo a intervenção mais invasiva com a biópsia.

O diagnóstico precoce é o melhor remédio

O câncer de próstata é, hoje, uma das doenças mais temidas pelo sexo masculino. Seus sintomas incluem: dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia, sangue na urina, dor óssea e, em estágio mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Rafael explica que não existe uma forma certa de prevenir, o surgimento da doença, por isso o diagnóstico precoce é essencial para um tratamento com melhores resultados. “Não existe nada muito definido, mas hábitos saudáveis estão relacionados a uma menor incidência”, afirma.

Os exames de rotina, como toque retal e dosagem de PSA, são necessários a partir dos 45 anos. Depois dos 50, os riscos aumentam, então é preciso ter mais cuidado ainda. De acordo com Rafael, a carga genética influencia muito no desenvolvimento do tumor, mas existem outros fatores de risco também, como excesso de gordura corporal, idade avançada e exposição a determinadas substâncias químicas.

“O câncer de próstata é o câncer que mais mata o homem depois do câncer de pele. São mais de 68 mil casos por ano, por isso, é importante ressaltar a incidência da doença e que ela é um grave risco à saúde pública. Precisamos nos cuidar para diminuir os números”, comenta o médico.

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