Muitas pessoas pensam que só depois dos 50 anos é preciso se preocupar em fazer determinados exames de saúde. No entanto, a necessidade de um check-up nem sempre segue uma cronologia tão exata. Há situações em que eles estão mais ligados a questões genéticas e a hábitos cotidianos que ao número de décadas vividas.

Dessa forma, já aos 20, 30 ou 40 anos convém prestar atenção a aspectos que sugerem a investigação sobre como anda o funcionamento do organismo. Por sinal, “o diagnóstico precoce é um dos fatores que mais contribuem para o tratamento de diversas doenças”, alerta Otávio Gebara, cardiologista e diretor do Hospital Santa Paula.

“O objetivo é rastrear vulnerabilidades que podem contribuir ao desenvolvimento de doenças ou detectá-las em seu estágio inicial”, diz. “Além disso, os exames trazem informações úteis para traçar o perfil do paciente e verificar como melhorar sua qualidade de vida para evitar um quadro grave no futuro.”


Notícias, matérias e entrevistas sobre tudo o que você precisa saber. Clique aqui e participe do grupo de Whatsapp do Instituto de Longevidade!


Aliás, os cuidados preventivos de saúde envolvem não só “a realização de rastreamento precoce” mas também a “promoção de mudanças de estilo de vida”, reforça Fábio César Gravina Olivieri, geriatra do Hospital Sírio-Libanês.

Com que frequência você faz um check-up?

Muito obrigado! A sua resposta nos ajudará a oferecer conteúdos especialmente feitos para você.

O primeiro determinante ao estabelecer prioridades na procura por eventuais problemas de saúde é o histórico familiar. “Devem-se levar em conta doenças como diabetes, pressão alta, colesterol elevado ou a ocorrência de acidente vascular cerebral [AVC], infarto e câncer de próstata ou intestino na família”, afirma Gebara.

Se qualquer um desses males tenha afetado pais, avós ou mesmo tios, os níveis de glicose e colesterol devem começar a ser monitorados já aos 20 anos. Por outro lado, fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, sobrepeso ou obesidade requerem medições de pressão, glicose e colesterol na segunda ou terceira década de vida.

Próstata e mama

Em relação ao sistema genital e ao aparelho reprodutor, o histórico familiar surge como principal indicador da necessidade de antecipar o check-up. “É ele que estabelece se exames de próstata devem ser iniciados aos 40 ou aos 50 anos”, avalia o diretor do Hospital Santa Paula.

“Em relação ao câncer de mama, se não há o histórico, os exames devem começar por volta dos 40 anos, segundo sociedades de especialistas. Se houver casos de câncer em geral na família, o recomendado será investigar indícios do câncer de mama já aos 35 anos”, completa.

Coração

Outro que requer cuidados precoces de acordo com os antecedentes parentais é o coração. Se há histórico de doenças cardiovasculares, os 20 anos já são idade suficiente para checar os níveis de glicose e colesterol e também realizar exames cardiológicos como o teste ergométrico ou de esforço. Este também é indicado para o jovem que fuma, é sedentário ou tem sobrepeso ou obesidade.

Check-up

Crédito: Alexander Raths / Shutterstock

“Em alguns casos, a avaliação de risco cardiovascular pode ser complementada com exames de sangue [proteína C reativa ultrassensível] e imagem [tomografia de coronária para avaliação do escore de cálcio, ultrassonografia de carótidas com avaliação da espessura médio-intimal]”, especifica o geriatra do Hospital Sírio-Libanês.

Aproveite para conferir agora se o seu Índice de Massa Corporal está em dia fazendo uma rápida simulação:


Fígado

Prestar mais atenção ao fígado antes dos 50 anos é algo que em geral também depende do estilo de vida. “Se ele é pouco saudável, convém realizar exames como ultrassonografia e os de enzimas hepáticas já entre os 30 e os 40 anos”, orienta Gebara. “Também é importante tomar vacina contra hepatite.” A esteatose, ou gordura no fígado, por sinal, é uma doença que em muitos casos começa a se manifestar nessa faixa etária.

Apesar de sua importância, a realização do check-up preventivo não pode se tornar uma prática excessiva, segundo o cardiologista. “Não podemos fazer exames para tudo nem com muita frequência”, ressalta.

“O excesso de exames não é bom para a saúde do indivíduo e acaba levando ao chamado falso positivo: de tanto a pessoa procurar um problema acaba encontrando-o e o superestimando”, diz. “O check-up deve ter acompanhamento médico e ser bem-direcionado.”

Check-up: saiba os exames recomendados para cada faixa etária

Por volta dos 20 anos 

Rastreamento e aconselhamento sobre tabagismo, abuso de álcool, obesidade e sedentarismo;

Medição de rotina da pressão arterial (a cada 1 ou 2 anos);

Dosagem única de colesterol (homens com risco cardiovascular aumentado devem repetir dosagem de rotina a partir dos 25 anos);

Papanicolau em mulheres sexualmente ativas (anual ou a cada 3 anos, no caso de 2 exames consecutivos negativos);

Dosagem de glicemia de jejum em pessoas com pressão arterial ou níveis de colesterol elevados.

Por volta dos 35 anos 

Dosagem de rotina do colesterol para todos os homens e para mulheres com risco cardiovascular aumentado.

A partir dos 40 anos de idade

Dosagem de rotina da glicemia de jejum em indivíduos acima do peso (IMC > 25);

Mulheres com risco elevado para câncer de mama e homens com risco elevado para câncer de próstata devem discutir individualmente com seus médicos riscos e benefícios do rastreio desses tumores.

Por volta dos 45 anos de idade 

Dosagem de rotina do colesterol para todas as mulheres.

Por volta dos 50 anos de idade 

Homens e mulheres: colonoscopia para rastreio de câncer colorretal (o intervalo dos exames deve ser discutido individualmente entre médicos e pacientes);

Mulheres devem realizar mamografia para rastreio de câncer de mama (a cada 2 anos);

Homens devem discutir com seus médicos riscos e benefícios do rastreio do câncer de próstata;

Densitometria óssea em mulheres pós-menopausa com fatores de risco adicionais para osteoporose.

Por volta dos 55 anos de idade 

Tomografia helicoidal de baixas doses de radiação para rastreio de câncer de pulmão em indivíduos com exposição prolongada ao tabaco (anual).

Fonte: Fábio César Gravina Olivieri, médico geriatra do Hospital Sírio-Libanês

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: