Acredite: boa parte das principais causas de morte no país podem ser evitadas. E, muitas vezes, com as mesmas formas de prevenção.

Mas, antes de falar sobre a forma de mantê-las longe, é preciso saber quais são elas. As doenças isquêmicas do coração e cerebrovasculares ocupam o primeiro lugar, segundo o Ministério da Saúde. São seguidas por infecções das vias aéreas inferiores e Alzheimer e outras demências.

“As condições cardiovasculares, que incluem coração e cérebro, são as que mais matam em todo o mundo: são 17,5 milhões de pessoas”, diz o médico Pedro Henrique Duccini, presidente da Regional Vale do Paraíba da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).


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E completa: “Provavelmente isso ocorre porque há falta de controle de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, tabagismo, etilismo em excesso. Isso tudo facilita a doença cardiovascular”.

Para o clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Albert Sabin (HAS), de São Paulo, Kauê De Cezaro dos Santos, os brasileiros negligenciam o autocuidado com a saúde. Em vez de adotarem medidas preventivas, como hábitos saudáveis e acompanhamento de rotina com profissionais especializados, acabam no pronto socorro.

Confira, a seguir, quais são as principais causas de morte no Brasil e como evitá-las.

Principais causas de morte

1. Doenças isquêmicas do coração

“Essas doenças envolvem o entupimento de uma ou mais artérias que levam sangue ao coração, gerando quadro de infarto ou angina”, explica o médico da Socesp.

Apesar do aumento do número de casos diagnosticados, houve um avanço nas terapias preventivas, segundo o clínico geral do HAS: “Tal movimentação é esperada, visto a qualidade e a potência das medicações para controle de doenças associadas, como diabetes, hipertensão e dislipidemia [elevação de colesterol e triglicerídeos]”.

Os fatores de risco mais importantes das doenças cardiovasculares são sedentarismo, tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, diabetes e hipercolesterolemia familiar ou adquirida.

“A partir da quarta década de vida esse monitoramento deve ser iniciado, e naqueles pacientes com histórico familiar de doença vascular, a partir dos 30 anos de idade”, informa o cirurgião vascular Gilberto Narchi, do Hospital do Coração, em São Paulo.

Sintomas: No infarto, os sintomas mais comuns são dor ou desconforto no peito e nos braços. “Além disso, a dor pode surgir no ombro esquerdo, cotovelos, mandíbula ou nas costas”, complementa.

Como prevenir: A fórmula da prevenção inclui fazer exercícios físicos, manter o peso adequado, evitar o tabagismo e controlar a pressão arterial e as taxas de gordura e açúcar no sangue.

2. Doenças cerebrovasculares

Há diversas doenças cerebrovasculares. “A que mais chama atenção é o acidente vascular cerebral (AVC), em que uma parte do cérebro passa a não receber mais sangue por conta do entupimento de uma ou mais artérias e pode morrer. Neste caso, é o isquêmico, que ocorre em 87% das ocorrências”, destaca Duccini. Os outros 13% dos casos se referem aos hemorrágicos, quando uma artéria se rompe e há o extravasamento de sangue para a cabeça.

Essas doenças não são as que mais matam, mas “são as responsáveis por maior parte das incapacidades”, de acordo com o médico do HAS. “Elas possuem grande taxa de morbidade, tornando pessoas antes funcionais e capazes do autocuidado em dependentes para as atividades do cotidiano.”

Sintomas: “Súbita fraqueza em membros superiores e inferiores e dificuldade de falar são os sintomas mais comuns, na maioria das vezes concentrados em um lado do corpo”, esclarece o cirurgião vascular.

Como prevenir: A equação exercícios físicos + alimentação saudável + controle do peso + não fumar é igual à redução de chances de ter diversas doenças, incluindo as cerebrovasculares.

3. Doenças das vias aéreas inferiores

Entre as mais comuns estão a pneumonia e a traqueobronquite, segundo o pneumologista Ricardo Henrique Teixeira, do Hospital Moriah, de São Paulo.

Sintomas: Variam conforme a doença, mas podem incluir tosse, febre, dores no corpo, inflamação na garganta e falta de ar.

Como prevenir: O pneumologista diz que é necessário não fumar (inclusive cigarros eletrônicos), evitar exposição a poeira, umidade ou outros alérgenos e tomar adequadamente as medicações broncodilatadoras prescritas. Se tiver pneumopatia crônica, será preciso tomar anualmente a vacina para gripe e, a cada cinco anos, a para pneumonia

4. Alzheimer e outras demências

Aqui entram doenças que causam declínio progressivo da pessoa. Inclui perda de memória e redução de capacidade intelectual, raciocínio e competências sociais. Há ainda alterações das reações emocionais.

Sintomas: É possível verificar perda de memória frequente e progressiva, confusão, alterações da personalidade, apatia e isolamento e perda de capacidades para a execução das tarefas diárias.

Como prevenir: Entre os hábitos de prevenção estão o cultivo de relações sociais, a prática de exercícios físicos e o controle de doenças como hipertensão e diabetes.

5. Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

“É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores e se apresenta como bronquite crônica e enfisema pulmonar”, explica o médico do Hospital Moriah. “A DPOC, por estar geralmente associada ao tabagismo e ser de longo prazo, costuma acometer pacientes acima dos 50 anos.”

Sintomas: O paciente pode apresentar falta de ar, tosse seca e episódios de expectoração, podendo haver roncos e chiado no peito.

Como prevenir: Aqui também é preciso evitar o tabagismo e alérgenos e seguir as recomendações prescritas pelo médico.

6. Violência interpessoal

Considerada um problema de saúde pública em diversos países, a violência interpessoal também faz muitas vítimas no Brasil. Pode ter origem doméstica ou intrafamiliar, provocada por membros da família ou pessoas sem laços de consanguinidade, e extrafamiliar ou externa, em que ocorre entre conhecidos ou desconhecidos.

Para denunciar violações de direitos humanos, inclusive contra idosos, basta acionar o Disque 100. Casos contra a mulher podem ser notificados a delegacias especializadas ou o Disque 180.

7. Diabetes

Trata-se de uma doença crônica, exigindo tratamento e acompanhamento. O corpo para de produzir o hormônio insulina, que controla a quantidade de glicose (açúcar) no sangue.

Sintomas: Costuma haver aumento do apetite, da sede e do volume de urina.

Como prevenir: A pessoa deve adotar alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos regularmente.

8. Acidentes de trânsito

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, 1,35 milhão de pessoas morrem devido a um acidente de trânsito. Entre 20 milhões e 50 milhões sofrem lesões não fatais, muitas delas resultando em incapacidade.

Como prevenir: Para a Organização Mundial de Saúde, políticas públicas e conscientização da população poderiam ajudar a reduzir o número de casos. Os fatores de risco para acidentes são velocidade, condução sob influência de álcool e drogas, não utilização de sistemas de segurança (capacete, cinto e cadeirinha para crianças), direção distraída, infraestrutura viária e veículos inseguros e não cumprimento das normas de trânsito.

9. Doenças renais crônicas

O termo engloba uma série de alterações heterogêneas que afetam a estrutura e a função dos rins. As doenças renais crônicas comprometem a filtragem do sangue, assim como a eliminação das toxinas do corpo.

Suas causas são múltiplas, assim como os fatores de risco. O principal tratamento é a hemodiálise.

Sintomas: Por ter evolução assintomática, a doença tem, muitas vezes, diagnóstico tardio.

Como prevenir: É preciso tratar e controlar fatores de risco, como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares. Evitar o tabagismo também é recomendado.

10. Cirrose e outras doenças hepáticas crônicas

A cirrose pode ser provocada por infecções ou inflamação crônica. Nessas condições, o fígado produz um tecido de cicatrização, fazendo com que deixe de manter suas principais funções – produzir bile, colaborar para manter níveis normais de açúcar no sangue e metabolizar colesterol, álcool e medicamentos, além de produzir proteínas.

Sintomas: O paciente apresenta olhos e pele amarelados, fraqueza, fadiga e prurido. Náuseas, enjoos e urina escura também podem ser observados.

Como prevenir: É preciso beber álcool com moderação, usar camisinha, não compartilhar seringas, vacinar-se contra hepatites e não abusar de medicamentos. Recomenda-se ainda praticar exercícios físicos, manter peso saudável e não fumar.

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