Parecia tão mais fácil subir as escadas. Ou empurrar aquela janela que sempre emperra. Mas, com o tempo, o organismo começa a apresentar perda de massa muscular – em um processo chamado de sarcopenia – e, com ela, a força dos músculos nos membros superiores e inferiores.

E o pior: 8 em cada 10 brasileiros não perceberam a redução de massa muscular nos últimos cinco anos, segundo pesquisa coordenada pelo NECS (Núcleo de Estudos Clínicos em Sarcopenia) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em parceria com o laboratório Apsen. O estudo envolveu 836 pessoas de 17 capitais.

Os primeiros sintomas, de fato, podem enganar: vão de falta de energia até cansaço típico da idade. Mas passam também por flacidez e falta de mobilidade. E é por isso que, em muitos casos, as pessoas não percebem a sarcopenia – uma condição silenciosa e progressiva, mas natural do envelhecimento.

“É difícil de reconhecer. É uma perda contínua de massa muscular”, diz a nutricionista Myrian Spinola Najas, diretora do NECS e professora de geriatria e gerontologia da Unifesp. “A pessoa acha que a perna está mais flácida, que a pele está ruim”, complementa.

Nesse processo, há a progressiva perda de massa muscular e de força, reduzindo a mobilidade e aumentando a incapacidade funcional. Esse quadro leva “à maior dependência para realizar as atividades do dia-dia e ao maior risco de quedas e fraturas”, assinala a geriatra Sandra Garaude Greven, do Solar Ville Garaude.

A geriatra explica que o diagnóstico é feito a partir do reconhecimento de perda de força – que é medida em aperto de mão, flexão e extensão do joelho – e da função muscular – levantar-se da cadeira e velocidade da marcha.

Nas mulheres, a sarcopenia primária tem um marcador importante: a menopausa. “Há aumento de gordura com perda de massa magra – e aí vem a dificuldade de manter peso mais baixo”, destaca Myrian. Nos homens, diz ela, é também um processo hormonal, mas que ocorre mais tarde – entre os 60 e 62 anos de idade.

“Depois dos 62, vamos envelhecer iguais – homens e mulheres. Aí vem segundo marcador grande aos 75, 77 anos, em que ambos têm uma descida de perda fisiológica de massa muscular”, afirma Myrian.

Já na sarcopenia secundária, a perda de massa muscular está ligada a outras patologias, como doenças neurológicas, infecciosas, cardíacas ou hormonais, que devem ser controladas com tratamentos específicos.

Cuidados na perda de massa muscular

Existem formas de minimizar o impacto da sarcopenia. Uma delas são as atividades físicas. “É muito importante na prevenção, pois agem nos sistemas nervoso e muscular, melhorando a capacidade funcional”, orienta Sandra. Segundo ela, “os exercícios de resistência podem prevenir, diminuir e até reverter o quadro de sarcopenia”.

A regra de ouro, pontua Cintya Aoyama, fisioterapeuta da Hangar 193 CrossFit, é respeitar o nível e o limite do corpo, a fim de prevenir lesões. “Em um treino de CrossFit para a terceira idade usam-se menos pesos e repetições, mais adaptações nos movimentos, mais descansos entre os exercícios, tornando-o seguro e eficaz com orientação de um profissional qualificado”, exemplifica.

Para o fisioterapeuta Fabio Akiyama, entre os exercícios mais indicados estão caminhada, atividades aquáticas e pilates: “Devemos procurar profissionais adequados para a prática de atividade física segura e adequada; e sempre indico um acompanhamento nutricional, pois sem nutrientes não se criam músculos”.

“Na parte alimentar, não precisa sair comendo frutas, verduras e legumes em quantidades absurdas. O que a gente precisa comer é proteína. O que acontece no processo de envelhecimento é a gente diminuir carnes”, diz Myrian. O recomendado, diz ela, é consumir diariamente de 1 g a 1,2 g de proteína animal – carnes vermelhas, peixes, frangos e ovos – por quilo de peso.


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