Um estudo publicado pelo American Heart Journal trouxe um alerta para todos os trabalhadores do mundo. Segundo uma pesquisa que levou 8 anos para ser concluída e analisou mais de 156.000 registros de infarto, o maior risco de sofrer ataques cardíacos acontece às segundas-feiras.

Não é difícil pensar em uma explicação para o fato. Imagine a seguinte situação: o dia da semana é um domingo, o relógio já marca 20h e você começa a ouvir aquela musiquinha vinda da TV que indica que o programa Fantástico está começando. É quando bate um certo desespero e você se dá conta de que seu domingo está acabando e que amanhã é segunda-feira.

Seguindo a mesma linha, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto analisaram 173.982 mil internações motivadas por distúrbios cardiovasculares. Os resultados mostraram que a segunda-feira é o dia mais propenso para se infartar, com 17% dos casos. Mas por que o risco de se morrer na segunda-feira é tão maior que nos outros dias da semana?


Quer viver mais e melhor? Faça parte do nosso grupo no WhatsApp e confira os melhores produtos que selecionamos para você. Clique aqui.


De acordo com a psicoterapeuta Ana Paula Madeira, sentimentos como estresse, descontentamento com a vida e com a rotina ou motivos financeiros costumam aflorar mais fortemente neste período de transição entre domingo e segunda-feira.

“É quando a gente se despede do lazer e da tranquilidade do final de semana e volta a dar atenção aos problemas do dia a dia”, analisa Ana Paula.

Os estudos confirmam: o horário com o maior número de registros de infarto é entre 9 horas da manhã e meio-dia da segunda-feira.

"Na verdade, o estresse deveria ser algo positivo, porque ele foi criado para que, numa situação de defesa, a gente libere neurotransmissores, que são substâncias que nos deixarão mais rápidos, mais atentos e mais vigilantes", explica o cardiologista Fernando Bassan. Presidente do Departamento de Doenças Coronarianas da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro (Socerj), ele destaca que o problema é que hoje o estresse tem se tornado algo constante. "As pessoas vivem sob estresse, com esse efeito da liberação de mais adrenalina. Isso faz com que a pressão sanguínea aumente mais, que a pessoa fique mais ansiosa e nervosa, aumentando a frequência cardíaca e levando a uma piora do quadro geral". 

Some, a isso, o excesso de demanda diário, principalmente de trabalho. "Essa pessoa vai dormir mal. E onde uma pessoa estressada vai buscar prazer para aliviar esse estresse? Na alimentação. Uma pessoa estressada costuma comer mal, faz pouca atividade física, dorme mal... as coisas vão acontecendo numa sequência", alerta o cardiologista.

"Todo tipo de sofrimento mental acaba resvalando no corpo, provocando mal-estar, dores e até mesmo doenças"

Segundo a psicanalista Marízia Arreguy, a influência das emoções sobre o nosso corpo é fortemente constatada na escuta psicanalítica. “Todo tipo de sofrimento mental acaba resvalando no corpo, provocando mal-estar, dores e até mesmo doenças”, comenta.

Mas, calma! Não é motivo para você começar a sentir palpitações no peito e a respiração ficar ofegante. Ana Paula explica que não é todo mundo que corre esse risco. Estudiosa do campo da Bioenergética, ela destaca que o problema geralmente acontece com pessoas que não investem tempo para olhar para suas emoções e trabalhá-las.

“Em algum momento da vida, uma pessoa pode se sentir insatisfeita com o rumo que as coisas tomaram, seja no campo profissional ou pessoal. O que diferencia os propensos a sofrer um infarto dos não-propensos é a forma com a qual se dedicarão a olhar para esse incômodo, se o usarão como alerta para buscar ajuda, rever essa insatisfação e encontrar novas possibilidades, novos rumos para sair desse lugar ou se internalizarão esse sofrimento sem buscar ajuda”, afirma.

A cada dois brasileiros 50+, um é hipertenso

As doenças cardiovasculares são as de maior mortalidade no mundo, superando todas as outras causas de morte, como câncer, traumas ou infecções. A cada cinco óbitos, um acontece devido a problemas no coração.

De acordo com Fernando Bassan, uma das principais causas do infarto é a pressão alta, que atinge um em cada quatro brasileiros. A situação é ainda pior para a população acima dos cinquenta anos: um a cada dois brasileiros 50+ sofrem de pressão alta. 

"Se você juntar numa mesa quatro pessoas com mais de 50 anos, provavelmente metade dessa mesa é de hipertensos", exemplifica o especialista. 

Bassan também chama a atenção para outros fatores como diabetes e obesidade, dois problemas que, segundo o cardiologista, caminham de mãos dadas. "Mais da metade da população brasileira está acima do peso (...). Termos uma população muito sedentária, com uma taxa de atividades físicas muito aquém da desejada, que é de 150 minutos por semana", pontua. 

Uma pesquisa realizada no Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro, com pacientes que haviam sido submetidos a operações cardíacas, mostrou que, dois anos após o procedimento, essas pessoas haviam ganhado em média 2 quilos de peso, e que apenas 30% fazia alguma atividade física com regularidade.

“Estamos falando de uma população extremamente selecionada, de pessoas que tiveram uma doença cardíaca e receberam um tratamento extremamente caro e trabalhoso”, destaca o cardiologista. “A gente sabe que as doenças cardiovasculares são crônicas. Uma cirurgia cardíaca de ponte safena ou mamária não cura uma doença. Ela simplesmente cria mecanismos para que a circulação melhore naquela região do coração. Mas se a pessoa não tiver um controle muito adequado, o problema vai voltar, as pontes vão fechar novamente, ele vai voltar a infartar e a ter problema. O cuidado é fundamental”, alerta Fernando Bassan. 

Sintomas do infarto

Um infarto pode começar com sinais sutis, que podem passar despercebidos se analisados separadamente. Mas a união deles deve acender uma luz de alerta. São eles:

  • cansaço extremo;
  • fraqueza;
  • tontura;
  • náusea;
  • azia;
  • falta de ar;
  • suor frio;
  • dor na região do estômago que vai irradiar para as costas até o pescoço.

Aparecendo esses sinais, o mais indicado é buscar um serviço de emergência, principalmente se a pessoa possuir fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, hipertensão e diabetes.

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: