“É o estresse!” A frase foi ouvida “incontáveis vezes” por colegas e familiares da professora Karen Martins, 56 anos, para justificar que as falhas que começavam a surgir no seu couro cabeludo eram consequência da rotina puxada na escola. “Não era, era hipotireoidismo”, conta. “Queda de cabelo em excesso é sinal de que há algo errado”, diz Mauro Speranzini, presidente da Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar.

Doenças não tão raras – como alterações na tireoide, anemia e lúpus – “interferem no crescimento capilar de modo rápido, antes mesmo de serem diagnosticadas”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology.

ANEMIA – A má alimentação é o principal motivo para a anemia, que se caracteriza pela deficiência de alguns nutrientes no organismo, em principal o ferro, que tem papel muito importante para o crescimento saudável dos cabelos. A deficiência nesse micronutriente causa perda capilar por falta de oxigênio e de nutrientes e por disfunção de hormônios. “É importante saber que a queda de cabelo é apenas um dos sintomas da anemia, por isso deve-se observar se está associada com episódios de fraqueza e assim procurar um médico o mais rápido possível", recomenda a dermatologista.

LÚPUS – Quando o lúpus não é tratado adequadamente, antes do seu diagnóstico ou ainda por conta de algumas medicações, pode ocorrer perda excessiva de cabelo. A doença é uma inflamação crônica da pele e de órgãos internos, em que o sistema imunológico do paciente, que deveria protegê-lo, passa a atacar as próprias células e se caracteriza principalmente pela aparição de ulcerações ou manchas no corpo. Para Marcondes, “assim como a intervenção do médico reumatologista é fundamental, é indicado também buscar orientação de um dermatologista ou um tricologista, para a indicação do que pode ser feito para prevenir ou amenizar o problema da queda, com a ingestão de vitaminas”.

TIREOIDE – A glândula tireoide se localiza na parte inferior do pescoço e determina o bom funcionamento do corpo humano, pois regula a função de órgãos importantes. “Quando o seu funcionamento está comprometido devido a alguma disfunção, a energia disponível para as células trabalharem e as vitaminas presentes são direcionadas para áreas vitais do organismo em vez de ser direcionada a cabelos, pele e unhas, deixando em déficit tais regiões", afirma a médica. “Ou seja, o cabelo não recebe os nutrientes necessários para um crescimento saudável e com isso a aparência muda e a queda de cabelo pode começar a ser perceptível.”

“A preocupação deve ser um alerta se os fios se desprendem espontaneamente, em número igual ou maior que 100; se ocorre uma perda de densidade; se o volume capilar diminuir acentuadamente ou persiste por tempo acima de 60 dias ou ainda se houver o aparecimento de falhas”, orienta Marcondes. “A queda por envelhecimento natural é lenta e progressiva. Se for rápida, precisa ser investigada, complementa Speranzini.

Na dúvida, Fernanda Brito, dermatologista especializada em tricologia, ensina a fazer um teste. Tracione levemente um maço com 20 a 30 fios. “A patologia se caracteriza a partir de 10% que se soltam na amostra colhida”, pontua. “Mas é importante ressaltar que alguns fatores podem alterar o resultado, como a força aplicada e a oleosidade do couro cabeludo. “Mas, teoricamente, os fios chamados telógenos [aqueles que já se espera na queda diária] já terão caído no banho.”

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