A indústria parece ter despertado para uma parcela da população até então negligenciada: a de sexo feminino, entre os 45 e os 60 anos de idade. Prova disso é que surgem cada vez mais produtos para mulheres na menopausa. São novas linhas em empresas já consolidadas ou mesmo startups que despontam especificamente para atender a esse segmento.

Há produtos voltados a consumidoras na perimenopausa, na menopausa e na pós-menopausa. E que vão desde multivitamínicos a séruns para engrossamento dos fios, já que os cabelos ficam mais finos, quebradiços e frágeis nesse período.


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A norte-americana Better Not Younger, por exemplo, foi pensada para oferecer soluções para as madeixas de mulheres na perimenopausa e na menopausa. “Depois de passar nossas carreiras trabalhando em algumas das maiores marcas de beleza, percebemos que as mulheres como nós não estão sendo ouvidas. Quando se tratava da seleção de produtos e do diálogo sobre mulheres e envelhecimento, toda a indústria parecia estar cobrindo os ouvidos e dizendo: ‘la-la-la, não podemos ouvir você!’”, explicam os criadores no site.

A também norte-americana Menopause.ai, formada por cientistas no Vale do Silício, também tem como missão “entender melhor o envelhecimento nas mulheres”. “Em 2015, ficamos frustrados com o quão pouco se sabia sobre a menopausa e que não havia nada no mercado atendendo às necessidades exclusivas das mulheres em fase de menopausa”, declaram os fundadores no site da empresa.

O portfólio da Menopause.ai ainda é pequeno – um sérum para a pele, outro para os cabelos, um multivitamínico e um absorvente íntimo. Mas foi o suficiente para despertar o interesse da Seed.com, que oferece produtos “para a saúde do ser humano e do planeta”, empresa para a qual foi vendida.

“As companhias ainda estão muito focadas em produtos anti-idade, que sugerem que o envelhecimento é algo ruim”

A lista de itens comercializada pela Pause Well-Aging também é diminuta: um hidratante, um spray para reduzir os fogachos e um aplicador de creme para o rosto que promete diminuir a flacidez. A fundadora da empresa, Rochelle Weitzner, explica que só descobriu o que é menopausa e o que ela acarreta quando entrou nessa fase. E daí veio a inspiração para criar a empresa.

Segundo ela, as companhias ainda estão muito focadas em produtos anti-idade, “que sugerem que o envelhecimento é algo ruim”. “Acredito que todos nós devamos envelhecer bem, do jeito que queremos e em nossos termos”, afirma ela.

A gama de empresas que têm se dedicado a produtos para mulheres na menopausa é maior. Inclui, entre tantas outras, a pepper&wits, uma marca da Procter & Gamble, que conta com multivitamínicos (para dormir, para ganhar vitalidade, para reduzir sintomas), loção para secura vaginal e cremes corporais.

Têm surgido cada vez mais iniciativas nesse sentido, mas a oferta de itens ainda não ganhou grandes proporções. A médica Bárbara Carneiro, no entanto, diz que o desbravamento desse mercado deve ter continuidade. “Não é algo passageiro. As mulheres na menopausa estão ainda mais preocupadas com saúde física e mental”, afirma ela, que é especialista em dermatologia clínica e estética.

A dermatologista Ana Regina Franchi Trávolo, membra da Sociedade Brasileira de Dermatologia, pondera que cremes e outros produtos para peles maduras existem há anos. “As prateleiras das farmácias estão cheias deles. É um posicionamento de marketing”, avalia.

Um posicionamento que não havia sido adotado por alguns motivos. “Menopausa acaba sendo tabu”, cita Ana Regina, acrescentando que tirar a conotação negativa que essa fase tem na sociedade tende a ser uma grande vantagem. “Elas precisam perceber que podem ter qualidade de vida. E cuidar-se pode aumentar a autoestima delas.”

Menopausa: mudanças no corpo

A menopausa traz inúmeras mudanças no corpo da mulher. “Para a maioria, o período exige muitas adaptações, já que ocorrem alterações no humor, insônia, ganho de peso e acentuação do envelhecimento da pele, que, em geral, prejudicam a autoestima, deixando esse período ainda mais problemático”, afirma Bárbara.

A pele, a partir dos 45 anos, fica mais delicada, devido à redução na produção de alguns hormônios, como estrogênio e progesterona. Há perda de elasticidade e de tônus. Ana Regina acrescenta que não é só a pele que sofre alterações. Unhas e cabelos também ficam mais fracos.

Mas as duas dermatologistas dizem que, antes de escolher um produto para chamar de seu, é preciso passar pela avaliação de um especialista. Ana Regina explica que há pessoas que, por fumarem ou terem a pele exposta ao sol sem proteção, por exemplo, podem aparentar mais idade – e precisar de soluções mais concentradas. Ou necessitar de um medicamento manipulado que contenha hormônio – e só o médico pode receitar.

“O importante é a mulher procurar ajuda. É uma fase difícil, mas existem mil coisas que podem ser feitas”, finaliza Ana Regina.

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