Quais as doenças que mais matam pessoas com mais de 50 anos de idade? Segundo o último estudo GBD (Global Burden of Disease), publicado na “Lancet”, no Brasil são as cardiovasculares; as neoplasias (cânceres); a diabetes / renais crônicas; as digestivas e as respiratórias.

Se, por um lado, o desgaste do corpo é natural, há dois caminhos a seguir: prevenir ou remediar. “Se mudarmos alguns hábitos e comportamentos, podemos melhorar esse processo de envelhecimento”, pontua o geriatra Fabio Campos Leonel, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).


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“A genética não conseguimos mudar – ainda! –, mas podemos orientar hábitos saudáveis, comportamentos e ambientes adequados para envelhecer melhor”, diz o especialista.

É o que a medicina chama de envelhecimento bem-sucedido, no qual a perda fisiológica é mínima, com preservação da função robusta em uma idade avançada. “O processo é ‘puro’, isento de danos causados por hábitos de vida inadequados, ambientes inapropriados e doenças”, explica.

Como prevenir as doenças que mais matam idosos

Prevenção

O caminho, sem dúvida, é a prevenção. “Na verdade, dieta, atividade física e controle das comorbidades são o tripé para o envelhecimento bem-sucedido”, diz o geriatra, que defende que os 50+ sigam recomendações individualizadas e realizadas por profissional habilitado.

“As orientações são estudadas para cada paciente, de maneira individualizada e sob supervisão. Dificilmente terão resultados satisfatórios se não seguirem algumas regras. Não é somente sair andando na rua que vamos realizar a desejada promoção de saúde e prevenção de doenças.”

Quando falamos em dietas, “não significa comer pouco ou comer mal”, exemplifica. “Justamente ao contrário. Precisamos entender que mudar o hábito alimentar é difícil e leva um tempo. Não é tarefa fácil. A alimentação deve ser balanceada para cada objetivo.”

De maneira geral, segundo o geriatra, temos uma alimentação muito rica em carboidratos. “Todo exagero é prejudicial! Mas restringir totalmente um tipo de alimento não é uma boa prática. Por isso, uma avaliação deve ser sempre realizada.”

Fumar, estar bem acima do peso e ser sedentário são fatores de risco potencializados após os 50 anos de idade, diz o especialista.

“Na verdade, a carga de doença vai aumentando. Por exemplo, quanto mais tempo o paciente fuma, mais chances de desenvolver doenças pulmonares relacionadas ao tabagismo, além de aumentar significativamente o risco cardiovascular.”

Controle

O especialista lembra que o acompanhamento médico deve ser sempre realizado de maneira preventiva. “Caso o paciente apresente já alguma ou algumas doenças, esse seguimento deverá ser mais frequente, pois existe um efeito sinérgico”, diz.

Por exemplo, o paciente com hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia e obesidade tem muito mais risco de ter um evento cardiovascular, como um infarto ou um AVC (Acidente Vascular Cerebral), comparado a quem não tem o acúmulo de doenças.

“Além do efeito da própria doença, temos que pensar na quantidade de medicamentos que o paciente faz uso, pois, quanto mais doenças ele apresenta, maior a chance de usar muitos remédios, o que pode ser prejudicial, seja pela interação entre eles, seja pelos efeitos adversos.”

Nos consultórios geriátricos, diz o especialista, os 50+ buscam controlar dores, doenças crônicas e distúrbios neuropsiquiátricos, como as demências. “O importante é o olhar individualizado e o cuidado centrado no paciente, para melhorar seus sintomas e por consequência sua qualidade de vida.”

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