O Diabetes Mellitus é um velho conhecido dos brasileiros. A doença, que se caracteriza pela elevação do índice de glicose no sangue devido a problemas na produção e na ação do hormônio insulina, atinge cerca de 12,5 milhões de pessoas, ou 7% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Os números são alarmantes e colocam o Brasil na quarta posição mundial entre os países com maior número de diabéticos, perdendo apenas para China (114 milhões), Índia (73 milhões) e Estados Unidos (30 milhões).

No entanto, o que poucos brasileiros sabem é que o pré-diabetes existe e representa um risco real à população. Condição para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, que se caracteriza já por uma resistência do organismo à insulina, a doença atinge 15 milhões de brasileiros, segundo o International Diabetes Federation (IDF). O quadro se agrava em pacientes obesos, podendo evoluir para o diabetes tipo 2. Autoridades de saúde alertam que 55% dos brasileiros estão com sobrepeso e, portanto, já se encontram no grupo de risco para o pré-diabetes.

Dados levantados pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) mostram que quase um terço das pessoas com diabetes têm mais de 65 anos.

De acordo com o endocrinologista vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, João Salles, é necessário considerar que o idoso já está mais predisposto a complicações cardiovasculares. Também está mais sujeito a ser poli medicado e ter perdas funcionais e cognitivas, que se somam a problemas como depressão, quedas e fraturas, incontinência urinária e dores crônicas. Na opinião do endocrinologista, a atenção a esta população deve ser diferenciada e todas as suas condições precisam ser respeitadas na hora de pensar a estratégia para tratamento do diabetes em idosos.

Ele explica que uma das razões para o aumento da incidência de diabetes em idosos é a diminuição da produção de insulina pelo organismo, o que aumenta a quantidade de açúcar na corrente sanguínea e sobrecarrega o pâncreas. A diminuição na prática de exercícios físicos, muito comum nessa fase da vida, também é um dos fatores agravantes.

“Os músculos consomem glicose e contribuem para regular os níveis dela no sangue. Com a sarcopenia e a falta de exercícios, cresce a massa gorda: mais gordura, maior resistência à insulina”, avalia Salles. “Esse quadro abre espaço não só para o surgimento do diabetes tipo 2, mas, também, para suas complicações”.

A solução mais indicada para tentar evitar o desenvolvimento do diabetes em idosos, na opinião do especialista, é a realização de atividades aeróbicas ou de resistência como, por exemplo, caminhadas e musculação. Ele também chama a atenção para a importância de cuidar do cardápio.

“Em geral, nessa fase ingerem-se menos fontes de proteínas e mais de carboidratos – até por serem mais fáceis de mastigar. Assim, durante o acompanhamento nutricional, é fundamental manter uma dieta rica em fibras e proteínas, reservando a qualidade na nutrição”, destaca Salles.


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