Uma população que só cresce e preocupa. Eis um retrato do diabetes: em 1980, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 108 milhões de adultos viviam com a doença, ou 4,7% da população. Em 2014, o número quase quadruplicou, indo para 422 milhões, ou 8,5%.


No Brasil, são 14 milhões de indivíduos com diabetes, sendo que, segundo a Federação Internacional de Diabetes, cerca de 6 milhões não sabem que têm a doença.

“O diabetes ocorre com uma frequência cada vez maior, sendo atualmente considerado uma epidemia em todo o mundo”,  afirma Augusto Pimazoni Netto, 75 anos, doutor em endocrinologia clínica pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim da Unifesp e coordenador editorial do site e dos posicionamentos oficiais da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).

A doença é crônica e exige tratamento e acompanhamento. Aparece quando o corpo deixa de produzir insulina, que é o hormônio responsável pelo controle da quantidade de glicose (açúcar) no sangue.

Sem a insulina, o organismo não consegue usar a glicose de forma adequada, aumentando o nível de açúcar no sangue e provocando a hiperglicemia, o que pode causar danos. As mortes ligadas ao diabetes são de 3,7 milhões por ano, segundo a OMS.

O tratamento inclui acompanhamento frequente do nível de glicose no sangue, medicamentos, regulação da alimentação e a prática de atividades físicas.

O principal problema, segundo Pimazoni Neto, é o diagnóstico. “O diabetes é, em geral, uma condição controlável, com maior ou menor dificuldade de controle, dependendo de cada paciente.”

Mas, na maioria dos casos, o diabetes evolui sem produzir sintomas mais expressivos. “Classicamente, as pessoas que apresentam sinais e sintomas na evolução da doença podem apresentar excesso de sede, fome excessiva e excesso de urina, entre outras manifestações.”

Os tipos mais comuns da doença são o diabetes tipo 1, mais frequente em crianças e adolescentes, o tipo 2, conhecido como diabetes do adulto e relacionado à obesidade e/ou à alimentação não saudável, e o gestacional, que se manifesta apenas durante a gravidez.

Dados da OMS apontam o crescimento do problema em países em desenvolvimento, principalmente o de tipo 2.  Pimazoni Netto lembra que a doença é “democrática” e atinge pessoas de todos os sexos, raças, idades ou níveis sociais. “Para aquele segmento de nível sociocultural mais baixo, as consequências tendem a ser intensificadas em função da falta de acesso às abordagens terapêuticas mais modernas.”

Além disso, diz o doutor em endocrinologia, “os mais pobres sofrem também as consequências da falta de acesso às informações sobre a doença, tendo em vista que as atividades de educação em diabetes a todos os segmentos da população comprometida ainda são muito tímidas”.

“Com uma política eficaz de educação e controle do diabetes, sem sombra de dúvidas, poderemos melhorar bastante o controle da doença, prevenindo ou retardando as complicações”, afirma. “Por outro lado, se nada for melhorado no programa brasileiro de atenção às pessoas com diabetes, não há como termos perspectivas animadoras sobre o controle da doença.”


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