Diabetes e obesidade são duas condições muito prevalentes nos dias atuais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o excesso de peso representa uma epidemia de abrangência mundial. Por outro lado, a Sociedade Brasileira de Diabetes afirma que mais de 13 milhões de brasileiros têm diabetes.

Além de apresentarem relevância em números, quando as duas condições caminham juntas a tendência é aumentar os riscos de complicações para o indivíduo que as apresenta. Você consegue imaginar um tratamento que possibilita melhores condições para os dois casos?


Só quem participa do grupo de Whatsapp do Instituto de Longevidade recebe os melhores conteúdos informativos. Clique aqui e faça parte!


A cirurgia bariátrica é uma excelente opção para isso. Sua indicação, claro, requer uma análise precisa dos profissionais de saúde, mas já adiantamos que seus benefícios vão muito além da redução do peso. 

O que é a cirurgia bariátrica?

O termo cirurgia causa medo em muitas pessoas, mas, neste caso, os riscos associados são mínimos. Imagine fazer um procedimento que requer aproximadamente 45 minutos para sua realização e, depois disso, passar apenas 48 horas na internação. Assim acontece com a cirurgia bariátrica.

Ficou animado com isso? Então calma! Embora seja uma conduta com ótimos resultados, é preciso ter atenção com as suas indicações e com o método a ser utilizado. 

Indicações gerais

A princípio, o objetivo da cirurgia bariátrica é a redução do peso. Dessa forma, sua indicação começa a se limitar para indivíduos com determinado grau de obesidade.

Essa classificação não é feita de forma subjetiva, apenas com o olhar do examinador. Para que exista uma maior precisão, é feito o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que divide o peso do indivíduo pelo quadrado da sua altura. Simples, certo? A partir do resultado é possível inferir se há desnutrição, normalidade no peso ou excesso dele.

Inicialmente, a cirurgia bariátrica era indicada apenas para obesidade grau 3, com IMC acima de 40. Era também conduta para obesos de grau 2, com IMC superior a 35, mas que apresentassem comorbidades associadas, como:

  • diabetes mellitus tipo 2 (DM2);

  • hipertensão arterial;

  • artroses;

  • apneia do sono.

O alívio dessas condições é obtido por meio da perda do peso. Para entender melhor, basta imaginar os danos que o excesso de gordura causam em cada caso. Na diabetes, por exemplo, o tecido adiposo libera diversos fatores que aumentam a inflamação. Consequentemente, há maior dano nas células produtoras de insulina, que se localizam no pâncreas.

Já na hipertensão, o excesso de gordura aumenta os níveis de colesterol, fator extremamente prejudicial para a vascularização, podendo provocar até mesmo a formação de trombos precursores de infarto. 

Os casos de artrose estão mais associados com a sobrecarga óssea, ou seja, com o fato de os ossos precisarem suportar um peso maior do que o ideal. Por fim, a obesidade também prejudica a respiração impedindo a expansão completa dos pulmões, podendo causar um quadro de apneia do sono.

Indicação específica

Até então, podemos concluir que a perda de peso é o único objetivo da cirurgia e que os benefícios aparecem apenas depois disso, certo? Errado!

Baseado nos resultados obtidos em outros países, o Conselho Federal de Medicina emitiu uma nota que viabiliza a realização da cirurgia bariátrica em obesos de grau 1, com IMC entre 30 e 34,9, desde que apresentem DM2 não controlada por meio de medicamentos.

Essa permissão causou certa polêmica, visto que muitos especialistas defendem a necessidade de mais estudos sobre riscos. Ela também ampliaria o número de pessoas indicadas para cirurgia, podendo se tornar uma medida excessiva em casos que não retratam obesidade mórbida.

Contudo, há um dado interessante sobre a população brasileira: o IMC médio das pessoas com diabetes no país é 29,6. Ou seja, o ponto de corte prévio não abrangia todos que precisavam. Além disso, não basta apenas o desejo da pessoa e um cirurgião para realizar a cirurgia: são necessárias duas indicações partindo da endocrinologia para, de fato, permitir o procedimento.

Método de realização

Existem diferentes métodos para realizar o procedimento, sendo que todos buscam por uma maneira de reduzir o volume gástrico. A cirurgia é minimamente invasiva, sendo realizada por videolaparoscopia.

Dessa forma, são feitas pequenas incisões associadas a uma câmera que possibilita ao cirurgião analisar o espaço intra abdominal. Já a técnica utilizada para redução do estômago que mais resulta em benefícios para a pessoa com diabetes é a chamada gastrectomia com reconstrução em Y-de-Roux. Ela reduz o volume gástrico em 5% do original.

A cirurgia bariátrica ajuda a controlar qual tipo de diabetes?

Conforme visto, o tipo 2 da diabetes mellitus é aquele controlado pela cirurgia bariátrica. Lembramos que o tipo 1 está associado à não produção de insulina pelo pâncreas, portanto, não há, ainda, um método capaz de curar a causa.

Já no tipo 2, o pâncreas continua produzindo o hormônio, porém é uma produção em quantidades menores do que a observada em quem não apresenta a condição. Isso acontece devido à resistência periférica à insulina e, posteriormente, à destruição das células pancreáticas que a produz.

Vale lembrar que a destruição é consequência da liberação de fatores inflamatórios provenientes do tecido adiposo, ou seja, da gordura. Portanto, a perda de peso pode interromper essa destruição progressiva.

O grande avanço nos estudos sobre cirurgia bariátrica e diabetes foi a descoberta de que a perda de peso não é o único fator que alivia a condição. Mais do que um procedimento anatômico, ele também é metabólico, ou seja, tem impacto sistêmico que favorece a diminuição nos níveis de glicemia.

Os benefícios da cirurgia

Por fim, vamos entender como é possível, metabolicamente, obter bons resultados com a cirurgia bariátrica. Para isso, há associação com alguns outros hormônios, além da insulina.

O primeiro deles é a grelina, que é liberada pelo estômago. Quando o órgão está repleto, ou seja, quando o indivíduo está alimentado, não há liberação. Então, os níveis de grelina só aumentam no momento de fome. Como resultado da cirurgia, o que é visto são baixos níveis de grelina, mantendo a sensação de saciedade por mais tempo.

Além disso, há um hormônio chamado GLP-1, que é produzido no intestino. Ele é fundamental para a digestão, com papel ainda mais importante nas pessoas que tiveram redução no volume gástrico. Assim, após o procedimento cirúrgico, os níveis do hormônio aumentam.

O que é interessante, neste caso, é que o GLP-1 também incentiva a produção de insulina pelo pâncreas. Então, a consequência é a melhoria no controle da glicemia nos indivíduo operados.

Concluímos, portanto, que os benefícios da cirurgia bariátrica envolvem diversos aspectos, mas que, em se tratando do diabetes tipo 2, há uma importante atuação anatômica e metabólica. Ressaltamos também que é fundamental buscar por profissionais especializados, como bons endocrinologistas e cirurgiões, para que, por meio de um trabalho multidisciplinar, sejam alcançados os melhores resultados.

Gostou do conteúdo? Então aproveite para conhecer mais sobre a WinSocial aqui.


Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: